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por Rodrigo Vianna

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20 de julho de 2014, 11h13

Entenda por que aparece aqui em cima anúncio contra Dilma

Os anúncios da Empiricus, empresa de analistas de ações, chegam aos sites que você navega através do Google AdWords. O AdWords é um sistema que utiliza as palavras-chave pesquisadas no Google para gerar um anúncio para o público-alvo.

De Muda Mais

Está lá você querendo jogar um carteado na internet quando um anúncio aparece em destaque no site: “Como se proteger da Dilma: Saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma, já”. A situação bizarra aconteceu e vem acontecendo com frequência em vários sites, normalmente ligados a política. O Conversa Afiada  já havia comentado o caso de uma coluna de Arnaldo Jabor, n’O Globo, que criticava Lula e aparecia com o mesmo anúncio.

O anúncio em questão é da Empiricus, que se define como “uma casa independente de análise de ações”. Ele leva para um artigo intitulado “O fim do Brasil?”, que alerta que o conteúdo do texto é “polêmico”, “revelador” e pode ser “ofensivo a determinadas audiências”.

A empresa ficou conhecida por relatórios informais, com piadas, que, para muitos, passam dos limites. Foi o caso de um artigo sobre a Marfrig, empresa do ramo alimentício. A Empiricus apontou uma suposta fraude nos balanços da empresa. O caso resultou em processo.

Uma representação administrativa junto à Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) alegou infração ético-disciplinar por parte da casa, com relatórios elaborados em desacordo com o Código de Conduta da Apimec e utilização de relatório para fins que não o de auxiliar na decisão do investimento. A punição, admitida pelos próprios sócios da empresa como justa, foi de suspensão por 12 meses do registro de analista do autor e de multa de R$ 2 mil para os demais sócios.

No relatório do julgamento, a Marfrig afirma ter havido ofensas incompatíveis com a conduta de um analista de valores mobiliários, sem “respaldo fático”, com “ofensas pessoais e comentários pejorativos, desprovidos de boa-fé ou ética”.

“O que teria levado os analistas representados a emitir os referidos relatórios sobre a Marfrig? Seria uma tentativa de manipulação de mercado?”, questiona o relatório.

As relações da Empiricus
Recentemente, Luís Nassif e Cíntia Alves publicaram no GGN uma matéria informando a última parceria da Empiricus, com o grupo norte-americano Agora Inc. e com seu promotor Mark Ford, ambos investigados pela SEC (Comissão de Valores Mobiliários, dos EUA)

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Segundo o GGN, com base em matéria publicada em um jornal norte-americano, Ford já teve mais de 6 milhões de dólares apreendidos de suas contas bancárias por fraude postal e lavagem de dinheiro. A operação consistia em enviar e-mails dizendo que o destinatário foi premiado em um sorteio e para isso precisava pagar uma pequena taxa de manutenção. Porém, os “ganhadores” jamais receberam nenhum prêmio.

Já a Agora está subsidiada à Stansberry & Associates Investment Research, empresa fundada por Frank Porter Stansberry, profissional do mercado financeiro que publica conteúdos associados “aos interesses dos conservadores dos EUA e da ala direitista da política”, incluindo um vídeo de 2010 intitulado “O fim da América” (lembram do título do texto da Empiricus?).

O anúncio da Empiricus
Os anúncios da Empiricus chegam aos sites que você navega através do Google AdWords. O AdWords é um sistema que utiliza as palavras-chave pesquisadas no Google para gerar um anúncio para o público-alvo. Não se pode decidir em que páginas seu anúncio aparecerá, apenas direcionar para temas específicos (como política, por exemplo).

Em nota após o texto do Conversa Afiada sobre o anúncio n’O Globo, a Empiricus afirmou que “O anúncio da Empiricus em questão era uma chamada para um relatório que aborda os desdobramentos da corrida eleitoral sobre os mercados, sob as duas óticas: tanto da situação quanto da oposição […] tal anúncio é criado automaticamente pelo Google AdWords”. De fato, a escolha da publicação do anúncio em uma página ou outra é automática; o teor da chamada e do texto, por sua vez, é, sim, ditado pela marca.


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