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por Rodrigo Vianna

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05 de Maio de 2014, 10h55

Erundina e Jean Wyllys desmentem regalias a Dirceu

Luiza Erundina (PSB-SP) e Jean Wyllys (PSOL-RJ) negaram categoricamente a versão de deputados do PSDB e PPS, sustentada pela mídia, sobre a existência de regalias ou privilégios para José Dirceu no Complexo da Papuda.

Por Najla Passos, na Carta Maior

A velha dobradinha imprensa e oposição tentou transformar em mais uma peça acusatória contra o ex-ministro petista José Dirceu a visita que os membros da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara fez nesta terça (29) ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para avaliar se ele goza das regalias usadas como justificativa para que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o mantenha em regime prisional mais severo do que prevê sua condenação.

Nas manchetes desta quarta (30), os deputados Arnaldo Jordy (PPS-BA) e Mara Gabrilli (PSDB-SP), que integraram a comitiva de cinco deputados que foram ao presídio, se revezam em acusações de que o ex-ministro é beneficiado com diversas mordomias, como TV, banho quente e espaço maior na cela. Mas o fato é que dos três deputados restantes, outros dois também são de oposição – Luiza Erundina (PSB-SP) e Jean Wyllys (PSOL-RJ). E, ao contrário dos primeiros, afirmam categoricamente que não há regalias ou privilégios para Dirceu.

“Eu lamento que uma situação séria como essa seja motivo de luta política e interesses menores”, afirmou Erundina que, junto com Wyllys, contestou o papel desempenhado pelos colegas do PPS e PSDB. “A impressão que se tem é que eles estavam ali não para buscar a verdade, mas para dar uma versão dos fatos que agrada a uma certa imprensa. Uma certa imprensa que estimula esse tipo de comportamento, porque nem se interessou em saber o que eu ou o Jean tínhamos a dizer”, ressaltou.

De fato, a manchete do Bom Dia Brasil, da TV Globo, da manhã desta quarta (30) amplificou a versão dos dois primeiros, desconsiderando a dos demais. Deputados da oposição reclamam que José Dirceu teria mordomias em penitenciária, noticiou o telejornal Bom Dia Brasil, incorrendo no erro de tratar como oposição apenas os deputados que atestam a versão dos vetos que melhor lhes convém. Na reportagem, apenas a deputada Mara foi entrevistada.

Da mesma forma, o jornal O Globo limitou o conceito de  “oposição” e amplificou as denuncias de Jordy e Mara, que os demais deputados contestam. “Dirceu tem regalias como TV e chuveiro quente na prisão, diz oposição”, diz a manchete. “Eles viram coisas que nós não vimos. Dá a impressão até que visitaram um lugar diferente. A deputada Mara diz que Dirceu tem água quente na cela, mas ela nem pode entrar porque é cadeirante e a porta era estreita”, relata Erundina.

O quinto membro da comitiva, o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), também lamentou a postura de Jordy e Mara, que acabaram desvirtuando o propósito da visita. Segundo ele, a comissão foi montada com quatro deputados da oposição e só ele do governo justamente para não ter uma conotação política. “É um princípio sério para todos nós que lidamos com direitos humanos que não se deve partidarizar questões dessa natureza”, afirmou.

De acordo com Nilmário, o relatório oficial que será fechado pela CDH respeitará a opinião da maioria, apontará que não há regalias ou privilégios e recomendará ao ST que Dirceu possa exercer seu direito ao trabalho externo. “A cela de Dirceu tem TV fornecida pela família, como as dos demais presos que apresentam bom comportamento. A alimentação dele é a mesma dos demais detentos e seu filho, que é deputado federal, enfrenta as mesmas 3 horas de fila que todos os parentes dos outros presos para visitá-lo”, relatou.

O deputado explicou também que Dirceu fica em uma cela um maior do que as demais, porque é o espaço reservado para presos em situação de vulnerabilidade, como é o caso dele. “Ele está na cela destinada aos vulneráveis que, em caso de rebelião, tendem ser transformados em reféns. O espaço é maior porque ela também abrigou os outros oito condenados pela ação penal 470 que, agora, já deixaram o regime fechado”, justificou.

Nilmário contrapôs ainda outras denúncias veiculadas antes pela imprensa, com base no que a comissão observou e apurou com o diretor do presídio, o delegado João Feitosa. Ele relatou, por exemplo, que Dirceu comeu sim feijoada no final de semana, como também comeram todos os demais detentos. “O fornecimento da feijoada na sexta-feira ou no sábado é uma tradição da empresa responsável pelo fornecimento da marmita”, justificou.

Sobre acusação de que Dirceu teria falado por celular com o secretário de Indústria da Bahia, no dia 6 de janeiro, publicada pela Folha de S. Paulo e usado pela justiça como principal motivação para impedir Dirceu de trabalhar fora do presídio, foi taxativo.  “No dia em questão, não houve visitas. Dirceu só recebeu dois advogados no parlatório, em que o preso fica separado por vidro. Não há nenhuma chance dele ter usado o celular”, rebateu.


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