escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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23 de março de 2011, 10h20

FHC, sobre Lula: ele só quer manter sua popularidade

Em agosto de 2007, o presidente Fernando Henrique Cardoso se encontrou com o Cônsul Geral americano Thomas J. White. Durante a conversa, FHC analisou o governo Lula, expressou suas preocupações acerca da economia e se mostrou otimista com as chances dos PSDB paulista nas eleições municipais de 2008. A informação foi revelada por um documento confidencial vazado pelo Wikileaks.

Lula, preocupado com as declarações de FHC

por Juliana Sada

Em agosto de 2007, o presidente Fernando Henrique Cardoso se encontrou com o Cônsul Geral americano Thomas J. White, enquanto renovava seu visto para voltar a dar aulas nos Estados Unidos. Durante a conversa, FHC analisou o governo Lula, expressou suas preocupações acerca da economia e se mostrou otimista com as chances dos PSDB paulista nas eleições municipais de 2008. A informação foi revelada por um documento confidencial vazado pelo Wikileaks.

O Cônsul Geral indagou se o Governo iria impulsionar alguma reforma estrutural – econômica  ou política – e FHC respondeu “firmemente”: “Falta ao governo Lula vontade política (além dos votos no Congresso) para  pressionar qualquer mudança fundamental de natureza controversa”.

Cardoso complementou ainda que Lula não estaria “interessado em nenhuma reforma, apenas em manter sua popularidade”. Haveria apenas alguma esperança de que o governo fizesse melhoras na infra-estrutura, “mas isso é impedido pela falta de capacidade administrativa”.

Já de olho nas eleições presidenciais, discutiu-se também os possíveis candidatos da oposição. FHC explicou que Alckmin não tentaria ser o candidato dos tucanos em 2010, após ter sido derroto em 2006 por Lula – “ele não tem um perfil nacional”. Na opinião de Cardoso, apenas dois candidatos seriam fortes no nordeste (onde Lula teve 77% dos votos no segundo turno de 2006): José Serra (PSDB/SP) e Ciro Gomes (PSB/CE).

O telegrama termina com um comentário surpreso do Cônsul Geral:

FHC, que completou 76 anos em junho, mantém-se ativo não só no seu partido, mas também na política nacional e no cenário internacional. Sua descrição de suas viagens programadas para os EUA, Europa e África são mais ambiciosas do que seria esperado de um estadista que se retirou para a vida acadêmica.

Embora nem todos no PSDB apreciem que ele dê declarações com a frequencia que ele dá, especialmente por ele ser bastante crítico a líderes e membros do partido, poucos deles se atreveriam a ignorá-lo.


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