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por Rodrigo Vianna

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17 de março de 2015, 09h17

Fred Santana: Governo deve liderar a resistência com um projeto popular

A saída para crise por parte das forças democráticas e movimentos sociais é se auto-dotar de um projeto claro, visível as massas, distinto do governo, de caráter popular. E que se oponha à direita.

Por Frederico Santana 

Sim, havia pontos em comum. Reforma política e combate a corrupção, e só. Porque o descontentamento com o ajuste fiscal do governo, não se aplica aos interesses por trás dos  protestos do dia 15, que por sua vez não conseguiu atrair, como imaginava, parcelas mais amplas da população.

De resto, são como água e óleo.

De um lado, no 13, defesa da Petrobras publica, dos direitos, da realização de uma Constituinte exclusiva para a reforma política.

No domingo, 15, a defesa do impeachment, a volta da ditadura,  a contra reforma política do Congresso Nacional.

As fotos não escondem as origens distintas de classe. No 15, a classe média a alta quase monocromática. No 13 o Brasil multicolor.

Há razões materiais para ambos protestos. A perda do poder aquisitivo relativo dos mais ricos. Como disse José Simão: Miami ficou mais longe com a subida do dólar.

De outro, as forças democráticas e populares sabem que o ajuste fiscal até agora, só atingiu aos trabalhadores e mais pobres.

Não nos enganemos, os que estavam na rua no dia 15, tinham ideologia de direita, com posições bem definidas.

Defendem pena de morte, a homofobia, que viremos as costas para o continente e nos alinhemos aos EUA. Votaram no PSDB a esmagadora maioria.

Para os participantes do protesto no dia 15, democratização dos meios de comunicação é censura. Participação popular é bolivarianismo, bolchevismo, comunismo. Os programas sociais do governo, são assistencialismo e populismo. De um lado o amor ao povo brasileiro, de outro o ódio ao PT, a esquerda e a tudo que cheire povo.

O governo trata de propor o pacto. As forcas de direita não querem. Nem no Brasil, nem na Venezuela, nem na Argentina. Buscam nova tática para derrubar os governos progressistas da América Latina.

Foi a direita que trouxe a luta de classes para o campo aberto. Papel que deveria ser da esquerda, que tem por tarefa exigir sempre mais democratização.

O Brasil já tem sua direita venezuelana, falta nosso bolivarianismo, um projeto popular.

Diante deste cenário, a saída para crise por parte das forças democráticas e movimentos sociais é se auto-dotar de um projeto claro, visível as massas, distinto do governo, de caráter popular. E que se oponha ao projeto da direita.

Não é tarefa fácil. E para fazê-la, melhor seria se o governo se colocasse na liderança desse processo. Como ocorre na Venezuela, Equador, Bolívia e como fez Mujica no Uruguai.
Assumir o que os que organizaram a manifestação do dia 15,  dizem que o governo faz: politizar e polarizar o Brasil. Mas não faz. Deveria.Tudo indica que não irá fazer.

Um governo que eduque politicamente as massas. Que governe com a ajuda das ruas. Que radicalize no processo de distribuição de renda e saber. Que denuncie a manipulação dos meios de comunicação. Que aprenda com o processo venezuelano e latino americano.

Por sorte, apesar de todo esforco da mídia empresarial, a direita, branca e reacionária, de classe média, não logrou cativar as massas e a jovem classe trabalhadora que foi as ruas em junho de 2013.

A resposta à direita que sai do armário se dará nas ruas, com unidade das forças de esquerda.

Mas se não virá a fazê-lo, depende de nós. Um novo ciclo nasce no Brasil, e os movimentos sociais são os protagonistas.


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