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por Rodrigo Vianna

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03 de setembro de 2014, 19h50

Ibope: a onda Marina começou a recuar?

O IBOPE divulgado nesta quarta-feira consolida em números um movimento que foi sentido primeiro nas redes sociais: a fase do deslumbre com Marina Silva já passou, e ela agora é vista com alguma desconfiança.

por Rodrigo Vianna

O IBOPE divulgado nesta quarta-feira consolida em números um movimento (ainda sutil) que foi sentido primeiro nas redes sociais: a fase do deslumbre com Marina Silva já passou, e ela agora é vista com alguma desconfiança.

Foi o que escrevi aqui: no último fim-de-semana, pela primeira vez, Marina virou alvo nas redes. Foi questionada duramente. Apanhou como nunca. E segue a apanhar. São movimentos perceptíveis por aqueles que fazem  monitoramente das redes: “Começa a surgir um movimento de retirada de apoio a Marina em meios intelectuais. Algo que não pode ser medido em votos. Mas significa que a candidata – submetida a um escrutínio mais duro – não é uma rainha previamente escolhida por deus.” 

Pelo IBOPE, Dilma tem 37% (subiu 3 pontos), Marina 33% (subiu 4 pontos) e Aécio se arrasta com 15% (perdeu exatamente os 4 pontos que Marina ganhou).

Tudo indica que há uma transfusão de votos de Aécio para Marina (especialmente em São Paulo), mas que Marina não avança no voto duro petista. Sobre isso, leia a análise (sempre ponderada e correta) de José Roberto de Toledo, no Estadão: “onda Marina bate em Dilma e não avança”.

Há ainda outros dois dados a indicar que Marina (apesar de ainda muito forte, especialmente em São Paulo, onde virou a candidata do conservadorismo mais tacanho) não é uma candidata imbatível:

– a vantagem no segundo turno era de nove pontos há uma semana (45% Marina x 36% Dilma); e agora é de sete pontos (46% Marina x 39% Dilma);

– a avaliação do governo Dilma voltou a melhorar (num sinal de que a campanha na TV  funciona para, ao menos, recuperar aquele eleitor tradicional do lulismo, que estava sob o bombardeio midiático – e agora percebe que o governo não acabou e tem bons resultados a mostrar).

Mais que isso: o PSDB percebeu que precisa fazer a disputa com Marina. Ainda que de forma moderada. Um economista tucano disse hoje no Estadão que o programa de Marina é “inviável”. E aí não se trata de proselitismo. O economista fez as contas e mostrou que as promessas de Marina custariam 150 bilhões de reais, e são incompatíveis com o programa de “ajuste fiscal” que Marina também promete.

Ou seja, fica evidente que Marina é inconsistente: quer ser tucana e petista ao mesmo tempo. De um lado, promete “ajuste” e se curva aos banqueiros; mas não abre mão do “social”, que é a marca do lulismo. Não dá. Vai ter que escolher um lado. No segundo turno, Marina será levada para o lado do tucanato. E aí tudo ficará claro.

Além disso, Aécio voltou a dizer que Marina é “uma aventura” para o país.

Tudo isso (mais as concessões de Marina aos pastores obcecados com as preferências sexuais alheias) gera uma situação em que Dilma pode, lentamente, se recuperar.

Está claro que Dilma deve mirar para o eleitorado mais pobre que migrou para Marina nas últimas semanas. É o eleitorado que sabe como foram ruins os anos FHC. Um eleitorado que está inclinado para Marina; mas não decidido. Não se engane: o antipetismo estridente dos marinistas de facebook não se confunde com o eleitor de Marina de baixa renda. Que gosta de Lula, e pode votar em Dilma.

Por isso, não tem conversa: Dilma precisa deixar claro que Marina significa a volta dos anos FHC na economia. Precisa ir pro debate aberto, com Lula na rua e o combate nas redes.

Tudo isso pode levar Dilma para o segundo turno numa situação um pouco mais cômoda: Dilma 40%, Marina 30%, Aécio 15%. Se esse quadro se consolidar, teremos um segundo turno onde o povão fará sua escolha entre o certo (que precisa ser ajustado e melhorado) e o duvidoso (ou a “aventura”, como diz Aécio).

Ah, e se um marinista reclamar que o PT está usando “tática do medo”, seria bom lembrar ao sujeito que ele deve votar sem medo e sem ilusão: vote sem medo em Marina e tenha certeza que você terá de volta os tempos de FHC (desemprego, quebradeira de empresas, faculdade e avião só pra rico).

Lembre-se: sem medo!

O resto é blá-blá-blá de quem já foi ambientalista de esquerda, e hoje virou a cara do que há de mais conservador no Brasil.

Atualização

No DataFolha, Marina parou de subir. Primeiro turno: Dilma 35%, Marina 34% e Aécio 14%.

Mais importante é que, no segundo turno, a diferença que era de 10 pontos caiu para sete: Marina 48%, Dilma 41%.

Marina é favorita, mas eleição está em aberto.

fOlha


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