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por Rodrigo Vianna

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12 de março de 2012, 19h22

“Isso é a privatização da TV Cultura”

No domingo passado, a TV Cultura deu mais um passo rumo ao desmonte completo. No horário nobre da TV pública paulista, estreou o programa da “TV Folha”. Obteve retumbante 1 ponto de audiência!!! A "Folha", que já pediu em editorial o fechamento da TV Brasil (entre outros motivos, pela "baixa audiência"), agora se contorce pra comemorar 1 pontinho. A turma que perdeu em 32 vai pra trincheira, na TV Cultura.

A turma que perdeu em 32 vai para a trincheira na TV Cultura

Por Rodrigo Vianna e Juliana Sada

No domingo passado, a TV Cultura deu mais um passo rumo ao desmonte completo. No horário nobre da TV pública paulista, estreou o programa da “TV Folha”. Obteve retumbante 1 ponto de audiência!!! A “Folha”, que já pediu em editorial o fechamento da TV Brasil (entre outros motivos, pela “baixa audiência”), agora se contorce pra comemorar 1 pontinho. Sobre isso, pode-se ler aqui.

Aprovada em outubro, a parceria da TV Cultura com meios privados só veio a público no fim de janeiro. A revista “Veja” também terá espaço na programação. Esse Escrevinhador foi dos primeiros a tratar do assunto, de forma crítica, como você pode ler aqui.

Os jornais “Estadão” e “Valor Econômico” foram convidados a participar da programação da emissora, mas a negociação ainda não teria sido concluída.

O Escrevinhador conversou com o deputado estadual Simão Pedro (PT/SP) que – por ser  presidente da Comissão de Educação e Cultura da Asembléia Legislativa de São Paulo – tem direito a uma cadeira no Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.

O deputado defendeu o direito de meios de comunicação não comerciais e de movimentos sociais ganharem espaço na TV pública. Simão Pedro revela que, dentro de seis meses, a parceria com o jornal será revista; mas adiantou que a composição do Conselho é um obstáculo para a tomada de decisões que contrariem interesses do governo estadual.

– Deputado, o senhor faz parte do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura. O Conselho foi consultado sobre essas parcerias? Qual a opinião do senhor?
Em uma reunião de outubro, a que eu não estava presente, eles apresentaram a proposta de parceria e ela foi aprovada. Talvez porque ali não se percebeu o que era.

Quando fiquei sabendo desse projeto, fui falar com o presidente [da Fundação, João Sayad]. Questionei por que não investir na TV. O argumento do João Sayad foi de que isso não ocorreria e que os jornais contribuiriam para dar qualidade à TV Cultura.

Na última reunião, em fevereiro, eu, Ivo Herzog e outro membro do Conselho questionamos a parceria. Conseguimos aprovar uma proposta de que essa parceria fosse reavaliada daqui a seis meses. Isso foi o máximo que conseguimos no Conselho.

A TV Cultura está liberando meia hora de um horário nobre. A direção alega que a TV Cultura vai ganhar em qualidade, trazendo o noticiário da “Folha”. Não está explícito, mas acredita-se que a “Folha” vai divulgar mais a TV Cultura.

Isso é uma privatização da TV Cultura, de um espaço público, terceirizando o jornalismo. Por que o privilégio para esses? Todas as outras empresas privadas de jornalismo teriam o direito de reivindicar. A TV Cultura investe cada vez menos em sua programação e a terceiriza cada vez mais. É um precedente perigoso para a TV pública.

– A “Veja” já fez editorial afirmando que Estado deveria ser escrito com letra minúscula e a “Folha” fez editorial pregando o fechamento da TV Brasil. Não é estranho que agora façam parceria com a TV pública paulista?
Eu acho que é uma contradição entre as atitudes desses veículos e essa nova postura de aceitar e ocupar uma TV pública. Se é uma empresa privada, porque não compra espaço na Rede TV, Band ou em qualquer outra emissora privada? Qual o objetivo disso? É no mínimo contraditório.

– E se algum outro meio fosse pedir espaço na TV Cultura?
Eu sou contra esse procedimento, não é bom para o caráter público. Todas as outras empresas em tese têm o direito de reivindicar o mesmo tratamento. Por que o privilégio a uma empresa específica? Porque só “Folha”, “Estadão”, “Veja” e “Valor”? E não “Istoé”, “CartaCapital”, “Época”? Qual é o critério na destinação desse espaço importante?  Vou convidar o João Sayad para dar explicações na Comissão de Educação e Cultura, da Assembleia.

– E se meios de comunicação não comerciais ou movimentos pedissem espaço dentro da emissora, seriam aceitos? Você considera legítimo?
Eu acho que é legítimo. Se é um movimento que não tem fins privados, que tem no seu âmago, entre seus objetivos, a luta do bem comum e colocar o público acima do privado, por que não?

A TV Cultura devia abrir espaço para esses movimentos se apresentarem no conteúdo jornalístico, a Cultura deveria abrir espaço, o que em minha opinião não ocorre. Se fossem apresentados tais pedidos e submetidos à análise, pela composição do atual Conselho,  dificilmente esses movimentos teriam espaço. Nós temos que cobrar que a programação jornalística e cultural dê espaço para toda manifestação popular, também para movimentos que são espaços legítimos de reivindicação.

– Quanto custa essa parceria? Há um estudo? Quem paga?
A TV Cultura não tem custo. Tudo é feito e custeado pela “Folha”, a produção, os equipamentos e a equipe é toda dela. Na verdade, a TV Cultura cede um espaço. O custo é político, de abrir mão de um horário importante para um ente privado.

– As empresas parceiras podem vender comercial no horário dos programas, ou é a Cultura que cuida disso?
Não temos informação, mas espero que não. Isso seria muito grave.


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