escrevinhador

por Rodrigo Vianna

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
02 de agosto de 2011, 10h15

Izaías Almada: Homem mau dorme bem

O magistral cineasta japonês Akira Kurosawa realizou no início dos anos 1960 um filme em que denunciava a corrupção e a consecução de outros crimes no fechado ambiente das grandes empresas do seu país. O título, em tom afirmativo, se colocado na sua forma interrogativa, nos remeterá a uma dúvida de características hamletianas, proposta – aliás – que permeia a citada obra de Kurosawa. Homem mau dorme bem? Tudo indica que sim, se buscarmos exemplos como o de Rupert Murdoch, o tão sinistramente badalado magnata das comunicações.

Por Izaías Almada*

O magistral cineasta japonês Akira Kurosawa realizou no início dos anos 1960 um filme em que denunciava a corrupção e a consecução de outros crimes no fechado ambiente das grandes empresas do seu país. O título, em tom afirmativo, se colocado na sua forma interrogativa, nos remeterá a uma dúvida de características hamletianas, proposta – aliás – que permeia a citada obra de Kurosawa. Homem mau dorme bem?

Tudo indica que sim, se buscarmos exemplos como o de Rupert Murdoch, o tão sinistramente badalado magnata das comunicações. Descobertas as falcatruas e delitos praticados por um de seus jornais em Londres, com espionagens, escutas telefônicas ilegais, chantagens e outras “liberdades de imprensa” sempre defendidas pelos mais ardorosos e hipócritas democratas de plantão, Murdoch respondeu no parlamento britânico que, apesar de toda a situação que vivia a sua empresa, da qual não tinha conhecimento (sic), ela sairia mais fortalecida dos acontecimentos.

A pergunta imediata que me fiz, até certo ponto óbvia para quem acompanha razoavelmente o que acontece com as grandes corporações dos meios de comunicação no mundo atual, é se a empresa de Murdoch sairia mais forte para praticar crimes iguais ou ainda piores do que os descobertos e identificados.

Já não é segredo para ninguém como e onde se fabricam determinadas notícias de caráter belicistas, preconceituosos, xenófobos, racistas e distribuídas por agências noticiosas ao redor do mundo para jornais, rádios, emissoras de televisão e toda a rede da internet. Campanhas contra os povos muçulmanos, por exemplo, ou a incitação contra imigrantes na Europa e nos EUA, contra presidentes de estados como Ahmadinejad, Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Fidel Castro, o próprio ex-presidente Lula, nomes mais sonantes por essas bandas…

São notícias, boa parte delas, articuladas e expostas em jornais, revistas e televisões do império Murdoch. E não só, pois são também repercutidas no Brasil por vários meios de comunicação de igual teor… Tudo em defesa de um sistema econômico que começa a rachar por todos os lados. Ou em defesa dos armamentistas, dos grandes laboratórios farmacêuticos norte-americanos e europeus que usam como cobaias exatamente muitos dos imigrantes indesejados, só que em seus países de origem. Ou ainda no indisfarçável propósito de identificar a melhor democracia como sendo aquela que se confunde com a ganância mais irresponsável e impiedosa de que se tem notícia.

Que o digam, por exemplo, os exércitos de jovens desempregados e subempregados na Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália e adjacências. Quando a pacífica Noruega chora de dor por dezenas de seus jovens, vítimas da insanidade da nova direita européia é preciso lembrar que por trás do ato terrorista está a indefectível mão da intolerância e da imprensa do Sr. Murdoch e seus pares pelo resto mundo.

Para sonhar de novo e resgatar para si a dignidade, a solidariedade e a alegria de se viver minimamente em paz, o homem terá que impedir o leve sono e o mau exemplo dos Murdochs que se escondem em muitas das redações e consciências entrincheiradas à nossa volta.

Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).

*Texto originalmente publicado no Blog da Boitempo


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum