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por Rodrigo Vianna

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17 de junho de 2011, 11h08

Kassab ataca: “vou te destruir”

O prefeito de São Paulo teria atribuído ao ex-companheiro (de partido) Rodrigo Garcia (DEM) a responsabilidade pelo vazamento de informações sobre os métodos pouco ortodoxos de coleta de assinaturas. Kassab teria irrompido no gabinete de Garcia (que é secretário estadual de Alckmin), e aos gritos ameaçado: "Se você quiser me destruir, vou te destruir primeiro".

Kassab e Rodrigo Garcia: a amizade não é mais a mesma

por Rodrigo Vianna

Esse blog trouxe durante a semana a informação de que o PSD, novo partido de Kassab, estaria filiando gente morta para obter o registro no TSE. O título do post: PSD de Kassab filia até eleitores mortos; Serra não está entre eles.

A notícia foi publicada pelo IG. E é o IG, agora, quem traz uma informação curiosa: o prefeito de São Paulo teria atribuído ao ex-companheiro (de partido) Rodrigo Garcia (DEM) a responsabilidade pelo vazamento de informações sobre os métodos pouco ortodoxos de coleta de assinaturas.

Kassab teria irrompido no gabinete de Garcia (que é secretário estadual de Alckmin), e aos gritos ameaçado:  “Se você quiser me destruir, vou te destruir primeiro”. Os repórteres Ricardo Galhardo e Nara Alves, do IG, dizem ter confirmado o fato com ao menos cinco integrantes do DEM e do PSDB.

Kassab e Rodrigo Garcia já foram muito próximos. Fizeram campanha juntos, sob o slogan: ” “Quem sabe, sabe, faz o que eu digo. Federal é Kassab, estadual é Rodrigo”. Os dois também foram sócios em várias empresas.

Pergunta: o que Kassab saberia de tão comprometedor sobre o ex-sócio e parceiro?

A cobrança em tom furioso foi pra valer? Ou um jogo de cena em que os dois ficam bem: Kassab mostra-se desvinculado do ex-partido, abrindo-se assim para alianças com partidos da base lulista; e Garcia valoriza o passe no DEM…

São hipóteses.

O fato concreto: a cena insólita  melodramática (“vou te destruir”) dá bem a medida do quadro de desagregação política na oposição ao lulismo. Se Dilma desagrada a muitos antigos apoiadores do PT – com um início de governo em que se lança claramente rumo ao centro -, a oposição mostra-se dividida e perdida em disputas internas.

É preciso lembrar ainda que em pelo menos uma oportunidade Kassab já demonstrou publicamente descontrole emocional, ao bater boca com um eleitor no meio da rua.

Para além das conjecturas de cunho pessoal e psicológico, fica a constatação política: o tabuleiro para 2012 (e, portanto, para 2014) começa a ser montado agora.

Kassab já concluiu que o setor hoje dominante no PSDB de São Paulo não perdoa o movimento que ele fez para criar o novo partido. Alckmin tirou poder do vice-governador Afif, que acompanhou Kassab rumo ao PSD.

Afif deve ser o candidato do PSD à Prefeitura, com apoio de Kassab (e, por baixo dos panos, do ainda tucano Serra). O PSDB de Alckmin vai lançar outrro nome. O PT pode ter Haddad ou Mercadante. O PMDB deve sair com Chalita. Um quadro de dispersão partidária, em que as alianças no segundo turno serão fundamentais.

Em 2014, algo parecido pode ocorrer na disputa para o governo paulista: Kassab pelo PSD, Alckmin pelo PSDB, e mais um candidato petista. Para ter chances em 2012 (e, sobretudo, em 2014) Kassab precisa criar pontes com o lulismo – ainda que o PSD permaneça também como bóia de salvação para um eventual projeto pessoal de Serra concorrer à presidência de novo em 2014.

Como escrevi num post anterior: 2014 está muito longe, mas o tabuleiro começa a ser montado agora.


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