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por Rodrigo Vianna

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13 de fevereiro de 2012, 16h53

Kassab e a vaia educativa na festa do PT

Por Renato Rovai: O PT não é o maior partido político brasileiro à toa. A última demonstração dessa vitalidade foi a vaia a Kassab na festa dos 32 anos do partido. Há muitas lideranças do PT em São Paulo que estão incomodadas com a aproximação que está sendo tentada com o atual prefeito. Os debates internos estão sendo intensos e os disparos de Berzoini e Marta Suplicy via twitter foram propositais e visavam alertar a militância de que não existe uma opinião uníssona da “cúpula” neste tema.

Por Renato Rovai, no Blog do Rovai

O PT não é o maior partido político brasileiro à toa. Nele, entre outras coisas, as lideranças nem sempre falam a mesma língua, o que faz com que em muitos momentos para se chegar a uma posição seja necessário um amplo debate.

A última demonstração dessa vitalidade foi a vaia a Kassab na festa dos 32 anos do partido. Engana-se quem acha que a vaia foi da base. Nessa festa estavam apenas os “graduados”. E mesmo com Lula defendendo a tese de que o PT deve fazer um acordo com o prefeito de São Paulo, isso não impediu uma reação que em alguns casos poderia entendida como uma “falta de educação”. Nesse caso não. A vaia foi educativa. Mostrou que  partidos não precisam e não devem ser instituições monolíticas.

Há muitas lideranças do PT em São Paulo (diria que hoje a  maioria) que estão incomodadas com a aproximação que está sendo tentada com o atual prefeito. Mesmo assim Lula tem insistido na tese de que a fissura entre Kassab e o tucanato é a maior oportunidade que o partido já teve para conquistar não só a prefeitura da capital, mas também o governo do estado em 2014.

Os debates internos estão sendo intensos e os disparos de Berzoini e Marta Suplicy via twitter foram propositais e visavam alertar a militância de que não existe uma opinião uníssona da “cúpula” neste tema.

A vaia a Kassab se insere nesta lógica. As lideranças petistas de todo o Brasil que foram à festa dos 32 anos e ajudaram a apupar o prefeito disseram que são contra a aliança. E que esse assunto não vai ser resolvido na carteirada. Conversando com alguns deles que estavam na festa, o que mais se repetiu é que “reconhecem a liderança e a importância de Lula”, mas consideram que “divergir do ex-presidente também é algo natural e ajuda a fortalecer o partido enquanto instituição”.

Se os articuladores do convite a Kassab para a festa do PT achavam que esse fato poderia ajudar na quebra de gelo entre as partes, se deram mal. Ao invés de quebrar o gelo, o convite ajudou a azedar o leite. A partir dessa vaia os que se posicionam contra o acordo vão se sentir mais à vontade para discordar de Lula. Porque sentiram que não são a minoria. Ao contrário.

A festa de 32 anos certamente vai ficar marcada por este fato. Pela vaia ao prefeito paulistano. Se a vaia vai modificar o rumo das articulações, isso é outra história. Até porque o que este blogue tem ouvido é que um acordo com Kassab pode vir a ser feito de forma não explícita.

A base do prefeito em São Paulo tem vários partidos da base do governo Dilma em Brasília. Entre eles, o PCdoB e o PSB. Seria muito difícil para um petista ser contra um vice do PSB para Haddad. Isso poderia ser uma saída para os dilemas do acordo.

O prefeito parece estar disposto a não ser parceiro de Alckmin nesta eleição. A não ser que o governador apoie Afif. O que parece hoje algo descartado.

Kassab também não está disposto a apoiar Chalita, porque o considera o candidato de Alckmin, principalmente se o PSDB sair com Andrea Matarazzo.

Por isso a aproximação com o PT passa a ser uma saída real. Até porque o PT tem o governo federal. E esse talvez seja o alvo do atual prefeito para o futuro. Conseguir uma participação para o seu PSD no ministério de Dilma. Quem sabe, um cargo para ele mesmo. Que sem o mandato ficaria completamente sem poder.

Nos partidos que não são nem de direita, nem de centro e nem de esquerda ficar sem poder é algo mortal. Sem a caneta este tipo de político tende a desaparecer. Serra que o diga.


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