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por Rodrigo Vianna

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25 de março de 2011, 12h06

Kassab foi pivô de disputa interna tucana

Documentos recentemente revelados pelo Wikileaks ajudam a entender mais sobre a disputa interna no PSDB paulista. Novos telegramas mostram como foi a disputa interna para a prefeitura de São Paulo em 2008, que tinha como pano de fundo as eleições presidenciais de 2010.

Por Juliana Sada

Documentos recentemente revelados pelo Wikileaks ajudam a entender mais sobre a disputa interna no PSDB paulista. Telegramas já divulgados mostraram que em 2005 e 2006, houve uma dura quebra de braço entre José Serra e Geraldo Alckmin em busca da candidatura tucana para as eleições presidenciais de 2006. Novos documentos mostram agora como foi a disputa interna para a prefeitura de São Paulo em 2008, que tinha como pano de fundo as eleições presidenciais de 2010.

Entre 2007 e 2008, setores dos dois políticos voltaram a travar uma disputa interna. Alckmin, após perder a corrida presidencial, desejava concorrer à prefeitura de São Paulo. Entretanto, os serristas desejavam apoiar a reeleição de Gilberto Kassab, então do DEM. Este tinha assumido o cargo de prefeito quando Serra deixou o posto para concorrer ao governo paulista em 2006. Deste modo, diversos tucanos seguiram ocupando seus cargos na prefeitura e temiam perde-los se Alckmin fosse prefeito. Além disto, a sua vitória poderia coloca-lo outra vez como candidato presidencial do PSDB em 2010.

Alckmin, por sua vez, teria sido encorajado a lançar a candidatura por Aécio Neves (PSDB/MG). Indiretamente, o mineiro estaria tentando enfraquecer José Serra e aumentar suas chances de ser candidato à presidência em 2010.

PSDB dividido

Para Walter Feldman, então secretário de esportes e lazer de São Paulo, se Alckmin saísse candidato, ele e todos os tucanos na prefeitura ficariam “paralisados”, divididos entre a lealdade ao  seu partido e à administração a qual servem. Feldman afirmou que a candidatura de Alckmin “seria um desastre”, classificando-a de “conspiração” e “ato unilateral”.

De acordo com os telegramas, diversos líderes do PSDB e DEM tentaram dissuadir Alckmin da candidatura, entretanto, ele seguiu determinado e “os líderes dos partidos começaram a aceitar a inevitabilidade de sua candidatura”. Aloysio Nunes, então chefe da casa civil paulista, falou aos oficiais da embaixada que se Alckmin “decide concorrer, ninguém pode segura-lo, e os quadros do PSDB irão apoia-lo, gostem ou não”. Já Andrea Matarazzo, aliado de Serra e secretário de coordenação de subprefeituras, elogiou o desempenho de Kassab mas afirmou que se “Alckmin desejar ser o candidato, nós não podemos fazer campanha contra ele”.

O deputado José Aníbal, partidário de Alckmin, fez uma avaliação da situação para os membros do consulado. Para ele, o apoio de Serra à Kassab era um erro político baseado no medo de que Alckmin, se eleito prefeito, usaria sua base política para apoiar Aécio Neves, em 2010. Aníbal afirmou que os dois iriam trabalhar bem juntos, “a não ser que os dois sejam idiotas” pois não têm nada a ganhar brigando entre si.

Andrea Matarazzo classificou de “absurda” a ideia de que o PSDB estaria dividido entre apoiadores de Serra e de Alckmin. Para ele, a divisão se dá entre facções pró-Serra e anti-Serra. A polêmica residiria no “estilo diferente de administração” do tucano, que envolveria “fazer o que tem que ser feito”, sem favores ou interesses especiais.

Convenções partidárias
Já em abril, o PMDB declarou seu apoio à Gilberto Kassab – tornando-o um aliado ainda mais atrativo já que gozaria de um extenso tempo de TV. Telegrama do consulado afirma que “a maioria dos observadores políticos veem a aliança Quércia-Kassab como uma manobra de bastidores feita por Serra para isolar e desmoralizar Alckmin na esperança de convencê-lo a desistir de sua candidatura”. Ainda assim, publicamente, Serra declarava que se Alckmin quisesse ser o candidato, teria seu apoio.

Em catorze de junho, os Democratas fazem uma convenção e decidem pela candidatura de Kassab, um grupo de serristas participam do encontro para declarar apoio ao prefeito. Entretanto, na semana seguinte o PSDB realiza sua reunião e opta pela candidatura de Alckmin. O grupo pró-Kassab boicota o encontro e reclama da “teimosia” de Alckmin, ainda de acordo com o telegrama, eles “falaram do ‘sacrifício’ que fizeram em nome de um ‘objetivo maior’: a candidatura presidencial de José Serra”.

Campanha complicada
De acordo com documentos do consulado, PSDB e DEM fizeram um pacto de não se atacar mutuamente durante a campanha e focar as críticas na candidata petista Marta Suplicy. Apesar de Serra ter publicamente parabenizado Alckmin, os membros do consulado ponderaram que “é difícil imaginar Serra fazendo campanha entusiasticamente para Alckmin, o cenário mais provável é que ele mantenha uma certa distancia e não se oponha abertamente”.

Reflexos em 2010
A vitória de Kassab nas eleições municipais forteleceu a candidatura de Serra e enfraqueceu a de Aécio Neves, mas ainda assim a disputa estava colocada dentro do PSDB. Em conversa com diplomatas, o sociólogo Bolívar Lamounier afirmou que um dos problemas do PSDB era ter muitos candidatos mas faltavam novas ideias e receitas de sucesso.

Comentário feito pelo Cônsul Geral Thomas J. White afirma que esta foi a segunda vez que Serra foi manobrado “pelo seu próprio colega de partido” Geraldo Alckmin. “A questão”, afirma White, “é se seu recuo no confronto será visto como um sinal de fraqueza, o que poderia danificar suas intenções presidenciais, ou se colocará Alckmin e seus apoiadores em dívida com ele, tornando-os aliados em 2010”.


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