terça-feira, 22 set 2020
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Koinonia está vetada, enquanto Sistema S recebe R$1 bilhão

Por Igor Felippe, no Escrevinhador

O Ministério da Saúde cancelou o convênio com a organização não governamental (ONG) Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço, que foi fundada por Anivaldo Padilha, pai do ministro Alexandre Padilha, Herbert de Souza, o Betinho, o escritor Rubem Alves e o educador Carlos Brandão.

O convênio, de acordo com o ministério, foi firmado dentro de todos os procedimentos regulares. Além disso, Anivaldo não recebe da ONG nenhum tostão desde 2009.

O juiz da partida, a velha mídia, apitou e marcou pênalti contra o governo, que mais uma vez arregou, como se fala no vocabulário chulo, diante das pressões.

O contrato do ministério com a Koinonia previa o investimento de R$ 199,8 mil para a capacitação de 60 jovens e a formação de mais 30 até dezembro sobre o tratamento de doenças sexualmente transmissíveis.

Enquanto a Koinonia – uma instituição sem fins lucrativos ligada à Igreja que atua há 20 anos na área de saúde – está vetada pela velha mídia de fazer convênios públicos dentro da regulamentação vigente, as entidades empresariais do Sistema S receberão quase R$ 1 bilhão para fazer formação profissionalizante.

O Ministério da Educação anunciou nesta sexta-feira (clique aqui) que vai repassar R$ 899 milhões às entidades do Sistema S para a promoção de cursos por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

O tal Sistema S é formado por 11 entidades ligadas aos grandes empresários do país, que utilizam recursos públicos para fazer “ações sociais” de interesse do empresariado.

Nesse caso, não existe nenhum “conflito de interesses” do Estado, representante da sociedade, e das grandes empresas, que atendem os interesses dos seus proprietários.

O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) já fizeram auditorias e questionam as contas do Sistema S. O senador Ataídes Oliveira, que deixou recentemente o PSDB para entrar no PROS-TO, tem denunciado as irregularidades.

“As principais falhas são a falta de uniformidade nas demonstrações contábeis, a arrecadação direta feita pelo Sesi e Senai, e o volume expressivo de recursos aplicados no mercado financeiro”, afirmou o secretário federal de controle interno da CGU, Valdir Agapito. (clique aqui)

Atualmente, essas entidades movimentam mais de R$ 20 bilhões, sendo R$ 11 bilhões de contribuições e R$ 4,6 bilhões de aplicações no mercado financeiro. A arrecadação teve um crescimento de R$ 9,7 bilhões para R$ 12,4 bilhões, em torno de 27%, entre 2009 para 2010. “Empresa nenhuma, neste país, obteve esse crescimento”, disse o senador (clique aqui).

“Quem examina esse orçamento do Sistema ‘S’? Não teria que ter todas as receitas e despesas exibidas? A legislação também precisa ampliar as multas e supervisionar o orçamento para inibir a corrupção”, perguntou Valdir Agapito, em uma audiência no Senado (clique aqui).

Os ministros e entidades que têm qualquer vínculo com o PT são rigorosamente examinados, investigados e até condenados pela velha mídia, mas em relação aos grandes empresários…