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por Rodrigo Vianna

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17 de junho de 2013, 00h51

Mídia e evangélicos operam, Datafolha registra

por Marcelo Salles: "Popularidade do governo Dilma sofre queda. Reeleição é desafio e depende, além do combate à miséria, da garantia dos direitos humanos e do diálogo com os movimentos sociais."

por Marcelo Salles

A pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no último dia 9 de junho, deve ser analisada para além do ufanismo da turma do Aécio e do clima de “já ganhou” em que continua mergulhada parte da esquerda. Em relação ao levantamento anterior, a favorita Dilma Rousseff perdeu 7 pontos (58 para 51), sendo que 4 migraram para Aécio Neves e os outros 3 passaram ao conjunto dos que ainda não se decidiram ou não souberam responder. Três meses atrás havia registrado, neste artigo, que o clima de “já ganhou” construído por parte da esquerda era equivocado, pois os fiéis da balança de 2014 – mídia e evangélicos – não iriam entregar os pontos tão facilmente.

DATAFOLHA – Intenção de voto para presidente em 2014
51 – Dilma Rousseff
16 – Marina Silva
14 – Aécio Neves
06 – Eduardo Campos
13 – Não se decidiram ou não souberam responder

Por outro lado, é muito importante enfatizar que o momento em que os pesquisadores saíram a campo era francamente favorável a Aécio Neves. Nesse período, o tucano tinha a seu favor um movimento que conjugava o programa de seu partido na televisão e os boatos sobre o fim do Bolsa Família, culminando com sua eleição para a presidência do PSDB. Como resultado, avançou de 10 para 14 pontos, e já se torna um candidato viável aos olhos dos grandes financiadores de campanha.

Marina Silva permaneceu com os 16 pontos de três meses atrás, o que não é pouca coisa. Além de ser a segunda colocada nas pesquisas, ela ainda corre atrás do registro de seu partido, ou seja, ainda não desfruta, em sua plenitude, de toda a estrutura possível com que já contam os demais pré-candidatos, como fundo partidário e tempo de televisão.

Eduardo Campos também permaneceu onde estava, com 6% das intenções de voto. Por ora, o esforço que fez para lançar seu nome como candidato viável à presidência, e que quase causou o rompimento do PSB com o governo, não surtiu o efeito desejado.

Como registrei há três meses, era preciso ficar especialmente atento a duas variáveis de lá até as eleições – mídia e evangélicos. Disse que eles seriam os fiéis da balança em 2014. Naquele mesmo texto, dividi o período que nos separa das eleições em três momentos: o primeiro seria de março/13 a outubro/13, quando todos os partidos devem estar constituídos e aqueles que pretendem se candidatar a cargos de deputado, senador, governador e presidente precisam estar devidamente registrados em suas agremiações. O segundo período seria de outubro/13 a março/14, quando termina o prazo para desincompatibilização de cargos públicos, o que deixará o cenário praticamente definido. E o terceiro e último período seria o que transcorre de março/14 até outubro/14, quando ocorrem as articulações finais e a tem início a campanha propriamente dita.

Hoje, passados três meses (portanto, metade do primeiro período), podemos dizer que pelo menos um dos fiéis da balança teve papel de destaque na alteração de 7 pontos entre um levantamento e outro: a mídia. Como assinalou o jornalista Jânio de Freitas, em sua coluna de 11/6 na Folha de S. Paulo, houve uma super-exposição da inflação nos meios de comunicação de massa, misturando o problema real, “indesejável mas suportável” com as projeções catastróficas “originária de intenções políticas”. Além disso, devemos somar os boatos sobre o fim do Bolsa Família, e aqui não interessa se houve ou não falha da Caixa Econômica, pois estamos interessados no impacto causado junto à população, potencializado pela ampla cobertura dos meios de comunicação de massa (alô democratização da mídia!).

Como resultado, Dilma perdeu 7 pontos, Aécio ganhou 4, e outros 3 pontos se deslocaram para o grupo do “não sei”, que podem ser conquistado por qualquer um dos postulantes à presidência, inclusive a própria Dilma.

Sem ter a menor pretensão, ou mesmo vocação, ao exercício da vidência, é possível antever que o segundo fiel da balança atuará com bastante força daqui até outubro. Marina, extremamente atenta, divulgou na semana seguinte ao levantamento do Datafolha que já conseguiu as 500 mil assinaturas necessárias à fundação de sua Rede Sustentabilidade e que continuará a mobilização até outubro, de modo a garantir pelo menos outras 300 mil firmas. Dessa forma, mesmo que parte das assinaturas não esteja de acordo com os critérios pré-estabelecidos pelo TSE, ela terá um contingente extra para garantir o registro do partido com folga. Além disso, poderá dizer, quem sabe, que há 1 milhão de brasileiros apoiando diretamente a criação da Rede, o dobro do mínimo necessário à criação da legenda. Portanto, parece claro que nos próximos três meses os evangélicos ligados a Marina Silva terão um papel de destaque nessa mobilização pelas assinaturas extras, e é muito provável que a próxima pesquisa registre esse movimento, o que poderia dar a ela alguns pontos importantes. Outro fator que pode advir desse movimento é a inclinação do espectro eleitoral ao voto pautado por hábitos e costumes, especialmente aqueles mais conservadores, o que poderá deixar o governo em maus lençóis.

Ao contrário de muitos analistas, nunca achei que a reeleição de Dilma estava garantida. O jogo só termina quando o juiz apita seu final. Mesmo com uma grande vantagem em todas as pesquisas de intenção de voto e uma popularidade nas alturas, para que a presidenta seja reeleita é necessário que o governo continue indo bem, não só na Economia, mas, sobretudo, na chamada Agenda Social. E isso significa dar continuidade ao combate à miséria, à garantia dos direitos humanos e ao diálogo com os movimentos organizados, sem, no entanto, ficar refém de interesses estrangeiros que instrumentalizam, geralmente através de ONGs, um sem número de grupos sociais.

Marcelo Salles é jornalista. No twitter é @MarceloSallesJ


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