escrevinhador

por Rodrigo Vianna

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
08 de Maio de 2015, 09h37

Mídia abafa Operação Zelotes e protege grandes bancos, empresas e montadoras

RBS, Gerdau, Bradesco, Santander, Safra, Pontual, Bank Boston, Ford e Mitsubishi e um grupo de outras grandes empresas estão sendo investigados pela suspeita de pagamento de propina.

Por Marco Weissheimer, no Sul21

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha as investigações da Operação Zelotes, está cogitando a possibilidade de solicitar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que acompanhe os desdobramentos do caso para evitar uma “operação abafa” sobre a operação que envolve grandes empresas nacionais e multinacionais. Pimenta reuniu-se nesta terça-feira, em Brasília, com o Procurador da República Frederico Paiva, que lidera a equipe que atua no caso.

Nesta quarta-feira (29), o deputado apresentará o plano de trabalho da subcomissão e terá uma reunião com o delegado Marlon Cajado, da Polícia Federal. Pimenta adiantou que vai propor também uma reunião entre Paiva e os deputados que compõem a subcomissão.

Com o passar dos dias, a Operação Zelotes foi sumindo da mídia, após envolver valores superiores ao da Lava Jato. Também ao contrário do que ocorreu com a Lava Jato, no caso da Zelotes o Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de 26 investigados, mas todos os pedidos foram negados pelo Poder Judiciário. Daí a ideia de pedir ao Conselho Nacional de Justiça para que acompanhe o caso. “A sociedade não aceitará uma operação abafa sobre a Zelotes”, disse Paulo Pimenta.

O deputado criticou a cobertura da mídia sobre o maior esquema de sonegação fiscal do país. “Curiosamente, a Zelotes não é noticia, e a chamada grande mídia não demonstra nenhum interesse em ter acesso ao processo, em cobrar providências. Como explicar à sociedade brasileira que um esquema que causou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 19 bilhões não seja de interesse público”, questionou.

A Operação Zelotes foi desencadeada no dia 28 de março por diversos órgãos federais para desbaratar um esquema de fraudes tributárias envolvendo grandes empresas brasileiras e multinacionais. As investigações foram conduzidas por uma força-tarefa formada pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda. O Grupo RBS, a Gerdau, os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pontual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi e um grupo de outras grandes empresas estão sendo investigados pela suspeita de pagamento de propina a integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para anular multas tributárias milionárias.

Entre os crimes investigados na Zelotes, estão advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, “o esquema envolveria a contratação de empresas de consultoria que, mediante trânsito facilitado junto ao CARF, conseguiam controlar o resultado do julgamento de forma a favorecer o contribuinte autuado. Constatou-se que muitas dessas consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do CARF”.

Segundo a Polícia Federal, o grupo que atuava no CARF fazia um levantamento dos grandes processos em curso no conselho, procurava empresas com altos débitos no Fisco e oferecia facilidades, como a anulação de multas. Conforme as investigações feitas até aqui, mais de 70 processos tributários podem ter sido fraudados, com um prejuízo superior a R$ 19 bilhões aos cofres públicos.

Os casos que estão sob investigação da força-tarefa da Operação Zelotes teriam ocorrido entre os anos de 2005 e 2015. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, os investigadores suspeitam que a RBS teriam efetuado o pagamento de R$ 15 milhões de reais para fazer desaparecer um débito de mais de R$ 150 milhões de reais. No total, diz também a reportagem, as investigações se concentram em débitos da RBS que chegam a R$ 672 milhões. O grupo RBS negou, em nota oficial, a prática de qualquer irregularidade. O Grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegariam a R$ 1,2 bilhão. A empresa também negou qualquer irregularidade.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum