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por Rodrigo Vianna

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27 de outubro de 2014, 14h16

Nem um passo atrás. Agora é aprofundar as mudanças, com apoio das forças populares

Por Igor Felippe

A reeleição de Dilma Rousseff é um marco para um novo ciclo político no Brasil. Foi a eleição mais dura no Brasil desde 1989. O resultado expressou de forma nítida a divisão que existe na sociedade brasileira. No entanto, existe um consenso: a necessidade de mudanças.

O que a vitória de Dilma definiu foi o sentido das mudanças: para a esquerda, com o aprofundamento da democracia, com o Estado como indutor da economia, com a valorização do salário mínimo e políticas sociais e com soberania nacional.

O projeto de liberalização da economia, achatamento de salários e corte de gastos públicos, escondidos por trás da obsessão pelo controle da inflação, foi derrotado nas urnas. Assim, as urnas derrotaram o programa dos bancos e do capital financeiro.

Assim, a mudança que saiu das urnas é o aprofundamento das políticas de desenvolvimento em curso no Brasil desde 2003. No entanto, as forças derrotadas já pressionam o governo eleito a assumir parte do seu programa, clamando por uma tal “união nacional”.

Esse discurso parece democrático e conciliador, mas é a tática das forças derrotadas para obrigar os setores vitoriosos a abrir concessões. Na prática, representa enquadrar o segundo governo Dilma às amarras do modelo neoliberal, implementado no governo FHC e mantido na era Lula.

As forças neoliberais conhecem Dilma e sabem que a presidenta reeleita acredita no papel do Estado na economia e no fortalecimento do setor produtivo, para o desenvolvimento com justiça social. Além disso, lembram que a petista abriu guerra ao rentismo, especialmente aos bancos, derrubando os juros em 2012. Daquela vez, os especuladores do mercado financeiro derrotaram Dilma, com o suporte ideológico da grande mídia e político do PSDB, com o terrorismo inflacionário da “crise do tomate”.

Nesse contexto, a presidenta Dilma, o PT e os setores progressistas têm de optar entre duas alternativas antagônicas, o que definirá a feição do novo governo e o futuro do nosso país.

A opção pela esquerda, referendada nas urnas, é aprofundar as mudanças. Para isso, é necessário avançar no processo político de polarização contra os setores conservadores, consolidando a unidade das forças progressistas, democráticas, populares e nacionalistas.

Paralelamente, o governo deve tomar medidas para dinamizar a economia e atrair os cidadãos e cidadãs que são críticos ao projeto em curso, mas que não se identificam com as manifestações xenófobas, racistas e violentas de alguns eleitores do PSDB.

É necessário radicalizar a democracia, a participação social e intensificar a luta política, fortalecendo instrumentos políticos e ideológicos para o enfrentamento com os grandes meios de comunicação e com o sistema político, a partir da luta pela Constituinte.

A segunda opção é pela direita, abrindo concessões aos perdedores, construindo falsos consensos com as forças neoliberais para uma forçada “união nacional”. Para isso, escolher para o Ministério da Fazenda um nome afinado com o rentismo e abrir mão das reformas estruturais. Dessa forma, “despolarizar” a luta política, desarmar os setores progressistas e criar uma ilusória paz social, jogando para baixo do tapete as contradições que pulsam na nossa sociedade.

A questão é que divisão do país escancarada no resultado da disputa não é fruto da campanha eleitoral, como alguns acreditam e outros querem fazer crer, mas uma expressão das contradições reais da nossa sociedade.

As raízes dessa divisão estão na escravidão por 350 anos, na manutenção da concentração da terra depois da abolição, na repressão ao movimento operário no período de industrialização no começo do século 20, no golpe de 1964 contra as reformas de base, na violenta ditadura que assolou o país por duas décadas e na democratização incompleta na Constituinte, comandada por “centrão” conservador.

A cisão expressa na eleição está profundamente enraizada nas contradições do processo de formação do país. Ou seja, não foi inventada nas eleições e muito menos por PT-PSDB, embora guarde alguma correspondência. O resultado da eleição presidencial é apenas a ponta do iceberg. Só com mudanças profundas na nossa sociedade será possível superar a divisão real.

No entanto, o processo de união nacional será duro e passará necessariamente por um conflito entre aqueles que querem manter seus privilégios e aqueles que defendem a igualdade social, democracia radical e desenvolvimento com justiça social.

A reeleição de Dilma Rousseff é um marco porque levou ao extremo a polarização, mostrando os limites do projeto de conciliação de classes dos últimos 12 anos. A partir de agora, a saída é ir para a ofensiva, dando um passo à frente e enfrentado as bases da divisão social, ou ficar na defensiva e ser engolido pelas crises políticas que virão, para entregar o governo em 2018 para os conservadores, que destruirão sem qualquer constrangimento as forças progressistas.


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