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por Rodrigo Vianna

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21 de dezembro de 2010, 14h07

Novo processo contra o torturador Ustra

Da Caros Amigos: O comandante do DOI-Codi paulista, o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, Carlos Alberto Brilhante Ustra, pode ser responsabilizado pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, que ocorreu em 19 de julho de 1971, após ter sido torturado por ele e seus comandados.

Novo processo contra o torturador Ustra

Por Lúcia Rodrigues, na Caros Amigos

O comandante do DOI-Codi paulista, o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, Carlos Alberto Brilhante Ustra, pode ser responsabilizado pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, que ocorreu em 19 de julho de 1971, após ter sido torturado por ele e seus comandados.

Coronel Ustra e Eduardo Merlino

Merlino ficou pendurado no pau-de-arara por 24 horas ininterruptas, recebendo choques elétricos, socos, pontapés e telefones (golpes desferidos contra os ouvidos da vítima com as duas mãos em formato de concha, cujo ferimento pode levar ao rompimento dos tímpanos). As sevícias a que o jornalista foi submetido pelo comandante Brilhante Ustra foram de tal intensidade que provocaram gangrena em suas pernas.

A ação que tramita na justiça paulista impetrada pelo jurista e professor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Konder Comparato, a pedido da irmã do jornalista, Regina Merlino Dias de Almeida, e da companheira, Angela Mendes de Almeida, solicita a responsabilização do ex-chefe do DOI-Codi pela tortura e assassinato do ativista do Partido Operário Comunista (POC).

Comparato explica que além do reconhecimento da responsabilidade pessoal do coronel reformado do Exército, a ação também pede uma indenização por danos morais causados à família. “Pela dor e humilhação que a tragédia provocou nas duas”, ressalta, ao se referir a Angela e Regina.

Foi Regina quem abriu a porta para os agentes do DOI-Codi que prenderam seu irmão. Ela estava no apartamento da família, em Santos (SP), com a mãe, a tia e o irmão, Luiz Eduardo, quando a campainha tocou. “Entraram três sujeitos violentos e levaram meu irmão”, recorda. Essa foi a última vez que elas o viram. “Não sei como minha mãe aguentou”, lamenta ao relembrar o sofrimento causado pela perda.

O sofrimento da companheira do jornalista também foi enorme. Ela estava exilada em Paris, na França, quando soube de sua morte. Merlino tinha retornado pouco tempo antes ao Brasil. Angela exercia cargo de direção no POC e era procurada pelos órgãos de repressão. Os militares também procuravam por Nicolau, mas desconheciam que esse era o codinome usado por Merlino na clandestinidade. Por isso, o jornalista conseguiu voltar ao Brasil com passaporte legal. Merlino retornou de uma viagem à França, feita juntamente com sua companheira, com o propósito de se aproximar da Quarta Internacional.

Angela explica que a verdadeira identidade do ativista do POC foi obtida pelos militares torturando militantes da organização, capturados naquele período. “De tanto torturarem, conseguiram obter a informação com um desses presos.”

Com a solução do enigma, estabeleceram o elo que faltava entre Nicolau e o jornalista. A partir desse momento, o destino de Merlino estava sentenciado.

A última vez que ela o viu foi na véspera de sua partida para o Brasil. Algumas horas antes, Angela embarcaria em um trem na Gare de Lyon rumo a Suíça onde realizaria um treinamento com armas. A notícia da morte, no entanto, só chegou quando ela já havia retornado à França. Do outro lado do oceano e sem nada poder fazer, restou a dor e o desespero. Obviamente ela estava impedida de vir ao enterro e se despedir do amado. Isso impôs um sofrimento com proporção ainda maior.


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