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por Rodrigo Vianna

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27 de abril de 2011, 12h26

Novos caminhos de Cuba; o Congresso do Partido

Por Marco Piva: O 6º Congresso do Partido Comunista Cubano, recém-terminado, trouxe grandes novidades e desafios para os rumos do país. Parece que a resistência de setores duros da revolução foi quebrada diante da realidade econômica e da necessidade de oxigenar politicamente a sociedade. Todos os discursos mantiveram a profissão de fé no socialismo, mas se sabe que daqui para a frente o jogo será outro, com inflexões duríssimas ao formato histórico ali aplicado.

Novos caminhos de Cuba

Por Marco Piva, da Revista Fórum

O 6º Congresso do Partido Comunista Cubano, recém-terminado, trouxe grandes novidades e desafios para os rumos do país. Parece que a resistência de setores duros da revolução foi quebrada diante da realidade econômica e da necessidade de oxigenar politicamente a sociedade. Todos os discursos mantiveram a profissão de fé no socialismo, mas se sabe que daqui para a frente o jogo será outro, com inflexões duríssimas ao formato histórico ali aplicado.

Ao ampliar as possibilidades de investimento estrangeiro no setor da cana-de-açúcar, os dirigentes cubanos sinalizam que até mesmo uma atividade umbilicalmente ligada à história do país sofrerá grandes transformações. Basta citar que Cuba saiu da condição de segundo maior produtor mundial de açúcar na década de 70 para integrar o time das nações importadoras de açúcar. Para uma nação que chegou à marca de oito milhões de toneladas de cana por ano, é preocupante ver imensas áreas de plantio ociosas ou abandonadas e uma produção que mal ultrapassa dois milhões de toneladas (safra 2010/2011). A saída é incrementar a participação das cooperativas privadas na exploração da terra e permitir sociedades cada vez mais flexíveis com empresas estrangeiras.

Outro desafio a curto prazo, talvez o maior deles depois do congresso, é a dispensa de 500 mil trabalhadores do setor público. Para um país de 11 milhões de habitantes se trata de um contingente nada desprezível que terá que buscar formas alternativas de sobrevivência num país sem muitas opções de emprego.

No campo político, Fidel Castro renunciou ao cargo de primeiro-secretário do comitê central, o que era esperado desde que uma doença ainda não bem esclarecida o derrubou há cinco anos. Junto com ele se aposentam alguns comandantes da revolução e isto abre espaço para a promoção de novos líderes, gente que sequer havia nascido em 1959. Os cargos de direção do Estado e do partido também não serão mais eternos. Mandatos de cinco anos, com direito a uma reeleição. Caberá a Raúl Castro a missão de compatibilizar uma transição histórica de liderança, calibrando o discurso dos ideais revolucionários e socialistas com a realidade do cotidiano do povo. Se a história o absolverá ou não, ainda é cedo para dizer.

Marco Piva é jornalista especializado em política internacional e colunista do ABCD Maior.


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