escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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07 de abril de 2011, 09h50

O elo indissociável entre Bolsonaro e a mídia

No final do ano passado, fiz aqui um breve balanço da vitória dos Direitos Humanos nas eleições de 2010. Parlamentares de todo o país foram eleitos com essa bandeira, como Luiza Erundina e Paulo Teixeira (SP), Camilo Capiberibe (AP), Erika Cocai (DF), Iriny Lopes (ES) e Eduardo Campos (PE), entre muitos outros.

por Marcelo Salles
No final do ano passado, fiz aqui um breve balanço da vitória dos Direitos Humanos nas eleições de 2010. Parlamentares de todo o país foram eleitos com essa bandeira, como Luiza Erundina e Paulo Teixeira (SP), Camilo Capiberibe (AP), Erika Cocai (DF), Iriny Lopes (ES) e Eduardo Campos (PE), entre muitos outros.

Mostrei ainda que essa vitória foi particularmente expressiva no Rio de Janeiro, onde os deputados Chico Alencar, Alessandro Molon e Marcelo Freixo, que fizeram campanhas abertamente em defesa dos Direitos Humanos, foram eleitos com o dobro de votos de Arolde de Oliveira, Flávio e Jair Bolsonaro, que são conhecidos por se oporem frontalmente aos Direitos Humanos.

O resultado das urnas foi 547.492 votos para os que lutam por Direitos Humanos contra 278.425 votos para os outros três.

Não foi pouca coisa. Vale lembrar que na época a direita atacava a terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos e as corporações de mídia concediam amplos espaços para “debater” temas polêmicos, muitas vezes descontextualizados e direcionados contra a então candidata Dilma Rousseff.

Agora, exatos seis meses depois das eleições, o deputado federal Jair Bolsonaro volta à carga contra os Direitos Humanos. Começou no CQC e seguiu os ataques em todos os espaços que conseguiu. Esquivou-se do preconceito racial (“minha esposa é mulata”) e redirecionou as pedradas contra os direitos LGBT. Se vai colar ou não, a Câmara dos Deputados vai dizer ao final do processo movido por vinte parlamentares contra ele.

O fato é que mais uma vez o Jair Bolsonaro conseguiu os holofotes necessários para sua perpetuação na Câmara dos Deputados, do mesmo modo que o fazem seus filhos Flávio e Carlos, um eleito deputado estadual e outro alçado à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Eles não lideram mandatos ativos, propositivos, com participação popular. A família Bolsonaro é eleita por ter coragem de falar aquilo que muitos recalcam e só expressavam em círculos reduzidos ou nas urnas. É o discurso agressivo, machista, sexista, racista. Raso, reducionista, pobre. Mas que conta com o apoio de uma certa parcela da população, que tende a diminuir à medida que o país desenvolver seus sistemas de educação, de comunicação e de cultura.

Como patriarca, Jair é malandro. Mira nas altas autoridades, quer criar grandes polêmicas e, dessa forma, ampliar sua visibilidade na mídia. As corporações de mídia entram na onda para aumentar a audiência ou por afinidade ideológica, nunca para promover o verdadeiro debate que o país precisa para resolver questões tão sérias quanto essas que estão em jogo. Para ficar num só exemplo, dramático exemplo, lembremos do adolescente de 14 anos assassinado violentamente em São Gonçalo. Motivo? Ele era homossexual. Qual foi o grande debate nacional promovido pelas corporações de mídia desde o episódio? Nada, apenas matérias pontuais.

A família Bolsonaro presta um desserviço ao país, sim, isto é indiscutível, sobretudo para uma nação que quer ser reconhecida internacionalmente pelo respeito aos Direitos Humanos. Mas não adianta apenas criticar o expoente do desserviço se não conseguirmos mudar o principal: o sistema de comunicação, que do jeito que está hoje atrasa os avanços, coloniza as mentes e empurra o Brasil para o abismo das violações de direitos.

Coincidência ou não, à medida em que a comunicação alternativa avança a direita raivosa perde espaço na sociedade. Até a vitória, sempre!

Marcelo Salles, jornalista, atuou como correspondente da revista Caros Amigos no Rio de Janeiro (2004 a 2008), e em La Paz (2008 a 2009).


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