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por Rodrigo Vianna

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22 de novembro de 2011, 18h26

O futebol de várzea no SPressoSP

Meu filho corre do escorregador pra gangorra. E eu, mentalmente, tento delimitar o terreno: era mais ou menos naquele ponto, onde agora está o parquinho das crianças, que ficava a grande área no velho campo do “Marítimo” (ironia fina esse nome, para um time de futebol instalado na várzea do rio Pinheiros; melhor seria que se chamasse “Fluvial”).

por Rodrigo Vianna – texto escrito especialmente para o SPressoSP

Meu filho corre do escorregador pra gangorra. E eu, mentalmente, tento delimitar o terreno: era mais ou menos naquele ponto, onde agora está o parquinho das crianças, que ficava a grande área no velho campo do “Marítimo” (ironia fina esse nome, para um time de futebol instalado na várzea do rio Pinheiros; melhor seria que se chamasse “Fluvial”). Lá por 1984 ou 85, eu costumava bater uma bolinha por ali.

O glorioso “Marítimo” não foi o único campo de várzea a desaparecer para dar lugar ao “Parque do Povo”, na zona sul de São Paulo, onde agora meu filho corre nos domingos de sol. Também se foram o “Clube do Mé” e o “Canto do Rio”.

Aparentemente, a Prefeitura agiu corretamente nesse caso. O terreno era público. Ocupado por times de várzea que, aos poucos, iam virando “clubes” particulares. Tinham perdido a característica dos velhos campos às margens dos rios Pinheiros e Tietê – onde nasceram tantos talentos que depois se encaminharam para Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Portuguesa… A “várzea” era a força do futebol paulistano.

Nos anos 80, auge da minha breve carreira futebolística, a “várzea” estava se desfigurando. A cidade engolira muitos campos. Alguns resistiam. Lembro de vários campos ali perto do Bom Retiro, bem em frente ao Anhembi: o Sul-Americano era o mais tradicional. As últimas obras de ampliação da marginal Tietê, no início do século 21, parecem ter varrido parte daqueles campos também.

Mas o rótulo “futebol de várzea” já transbordara pra muito longe das margens dos rios. Trinta anos atrás, ainda havia muitos campos pelas “quebradas” de São Paulo. Descobri uma São Paulo “profunda” graças ao futebol. Atuei pelo “dente-de-leite” e depois pelo “juvenil” do Clube Atlético Ypiranga e do Juventus da Móoca. Os dois clubes tinham estruturas mais “profissionalizadas”. Mas, em muitos campeonatos, enfrentávamos os chamados “times de várzea”. Normalmente, a molecada da “várzea” se organizava em torno do pai de um dos garotos, que era também o técnico. As camisas eram desbotadas, de tanto uso.

Lembro bem do “Sete de Setembro” da Vila Talarico (zona leste). O campo era um terrão, cercado por uma vala de esgoto. O que não tirava o brilho do Sete de Setembro. Não era fácil ganhar deles.  Perto da Portuguesa de Desportos, no bairro do Canindé, ficava o “Serra Morena”. Outro time de várzea com tradição. O “Serra Morena” tinha fama de ser “bom de bola e bom de briga”. E num domingo pela manhã, eu soube que era verdade. Troquei uns sopapos com o ponta-esquerda adversário. E o jogo terminou com um “sururu” generalizado. Felizmente, na época não havia tanta gente armada por aí. Voaram pedras, chinelos. Mas balas, não.

– Para ler o texto completo, vá ao SPressoSP, e conheça o novo site sobre São Paulo.

– Aqui você lê o Manifesto que explica porque o SPressoSP foi lançado.

– E aqui uma reportagem do SPressoSP sobre os salários que Kassab quer dar para assessores


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