escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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17 de junho de 2013, 19h38

O futuro se escreve nas ruas

por Rodrigo Vianna: "um quadro como esse que vemos no Brasil pode terminar numa vitória rotunda do conservadorismo. Mas pode significar também uma retomada do movimento de massas, a possibilidade de criar um novo modelo de desenvolvimento. Como vai terminar? Não sabemos. A disputa está nas ruas."

por Rodrigo Vianna

Às 19h já era possivel afirmar que a onda de manifestações pelo Brasil é a maior desde o movimento pelo impeachment de Collor. 40 mil pessoas em São Paulo (e crescendo). Outras 40 mil no Rio de Janeiro. Belo Horizonte teve milhares nas ruas, com bombas jogadas dos helicópteros pela PM mineira. Em Brasília, a marcha avançava em direção ao Congresso Nacional.

Tudo isso acontecendo e a Globo passava novela das sete. Fingia que nada estava acontecendo no Brasil. Talvez, para não estragar a Copa das Confederações. Os jovens nas ruas parecem ter deixado a direita indignada e a esquerda perplexa. Ninguém entendeu nada.

Durante o dia, setores do conservadorismo mudaram o discurso. Arnaldo Jabor, que na semana passado havia avacalhado os manifestantes com um comentário boçal no ar, mostrava-se arrependido (ou foi o “comitê central” global que mudou as orientações?), pediu até desculpas. Outros comentaristas da CBN pareciam confiantes na estratégia de levar Dilma para o centro dos protestos. Mesmo assim, a Globo escondia as manifestações. Tudo confuso. A família Marinho parecia não saber bem pra que lado correr. 

Às 19h15, a Globo em São Paulo entrou ao vivo com a manifestação. O repórter dizia: “tudo tranquilo, único prejuízo é para o trânsito”. Pela Globo (na TV aberta) não se tinha noção do tamanho das manifestações que corriam o país. A GloboNews privilegiava a cobertura em Brasília. E aos poucos, a Esplanada se encheu de gente. Manifestantes tomaram por alguns minutos a Cúpula do Congresso (foto acima – Portal Terra).

Record e Band mostravam as manifestações Brasil afora. Pela internet, informações transbordavam pelas redes sociais.

Via twitter, ficamos sabendo que manifestantes ergueram faixas dizendo “Não existe Jabor em SP”.

Haddad também apanhou. ““Haddad eu não me engano / esse aumento tem bico de tucano”, grita a multidão (via @mairakubik, no Twitter).

A idéia de que a manifestação pudesse ser “usada” pela direita ou pelo lulismo não parecia fazer sentido. O mais provável é que as manifestaçõe sejam um sintoma de que algo vai mal no sistema político brasileiro. O país cresceu, os mais pobres foram incorporados no mercado de consumo. Mas os jovens, Brasil afora, mandam um recado claro: queremos mais do que isso.

Quem vai sair vitorioso dessa batalha? A quem interessa?

A direita faz o cálculo: governadores tucanos podem ser atingidos, mas o que interessa é levar Dilma junto. Isso igualaria o jogo político, deixando tudo em aberto para 2014.

Na Espanha (numa conjuntura muito diferente, com desemprego e crise), os jovens ocuparam praças, fizeram barulho e no fim o que vimos? O PP (partido de direita, franquista) foi pro poder.

Na Argentina, o povo gritou “que se vayán todos”. E terminou em que? A esquerda ganhou com Kirchner.

Ou seja, um quadro como esse que vemos no Brasil pode terminar numa  vitória rotunda do conservadorismo. Mas pode significar também uma retomada do movimento de massas, a possibilidade de criar um novo modelo de desenvolvimento.

Como vai terminar? Não sabemos. A disputa está nas ruas.   

E não adianta a Globo esconder. Porque agora já se fala em cem mil pessoas no Rio (imagens impressionantes no centro carioca) e mais de 60 mil em São Paulo. Na capital paulista, fala-se que os manifestantes poderiam caminhar em direção ao Palácio, onde Alckmin deve estar arrependido das ordens que deu pra PM, na semana passada…


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