escrevinhador

por Rodrigo Vianna

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
22 de fevereiro de 2011, 09h13

O impacto da Al-Jazeera no Oriente Médio

A emissora árabe ficou conhecida por mostrar imagens que outras emissoras não mostraram da invasão do Afeganistão, do Iraque e dos ataques de Israel aos palestinos. Diferentemente das emissoras ocidentais, que reproduzem o mind set de Washington, Londres e Paris, a Al Jazeera assume abertamente que fala em nome da “rua árabe”.

A leitora que se encantou com a Al Jazeera
por Luiz Carlos Azenha, no Viomundo

Prezado Azenha,
Sou fã do seu site que comecei a acompanhar desde as últimas eleições presidenciais. À partir do seu site cheguei no link da TV Al Jazeera que passei a assistir online. Achei excelente. Precisamos da Al Jazeera no Brasil para termos acesso á uma mídia independente. Será que o seu site não pode fazer uma campanha pró-Al Jazeera no Brasil?

Atenciosamente,

Ana Teles da Silva

*****

Cara Ana,

Conheci o impacto da Al Jazeera (clique aqui para ver ao vivo, em inglês) durante minhas viagens ao Oriente Médio e à África.  A emissora árabe tem duas versões, em árabe e em inglês. Ficou conhecida por mostrar imagens que outras emissoras não mostraram da invasão do Afeganistão, do Iraque e dos ataques de Israel aos palestinos. Diferentemente das emissoras ocidentais, que reproduzem o mind set de Washington, Londres e Paris, a Al Jazeera assume abertamente que fala em nome da “rua árabe”.

Os padrões de excelência jornalística da Al Jazeera resultam de alguns fatos: dinheiro quase à vontade, uma equipe herdada da BBC britânica e ênfase na reportagem. Trocando em miúdos, a  Al Jazeera expandiu sua cobertura internacional num momento em que outras grandes redes, especialmente dos Estados Unidos, reduziam sua presença global para se ajustar a cortes de gastos. É por isso que o telejornalismo da Al Jazeera se destaca tanto em comparação com o de outras emissoras. A emissora vai até onde outras emissoras não vão.

A emissora árabe não foge da notícia e não repete as emissoras ocidentais na crença de que basta não falar em um assunto para fazer com que ele desapareça. A Al Jazeera cobre o Hamás e o Hizbollah tanto quanto a Autoridade Palestina e o governo Obama. Os escritórios da Al Jazeera foram atacados pelo Pentágono no Afeganistão e no Iraque; o sinal da emissora acaba de ser bloqueado na Líbia; jornalistas da Al Jazeera foram presos no Egito e sedes da emissora em territórios palestinos foram atacados depois que a Al Jazeera divulgou os chamados “Palestinian Papers”, demonstrando que negociadores palestinos estavam dispostos a fazer importantes concessões a Israel para chegar a um acordo de paz.

Os governos temem a Al Jazeera, mas o povo nas ruas ama. No interior do Quênia, por exemplo, vi um restaurante batizado com o nome da emissora. No passado, nos países onde se fala inglês na África, a informação independente era obtida através das emissões radiofônicas da BBC. Hoje, na TV, a Al Jazeera ocupou este espaço. E com a transmissão do sinal da emissora via satélite e pela internet, nos momentos de crise as pessoas do norte da África e do Oriente Médio correm para a Al Jazeera.

Neste momento específico, por exemplo, a Al Jazeera expõe mais uma vez a hipocrisia dos governos ocidentais, que até agora não se manifestaram contra a repressão da polícia política do regime de Muammar Gaddafi, na Líbia. A Líbia tem as maiores reservas de petróleo da África e é um importante fornecedor para a União Europeia e os Estados Unidos (o governo brasileiro tem se mantido estranhamente calado para quem agora enfatiza, na política externa, a defesa dos Direitos Humanos).

De qualquer forma, cara Ana, se há algo que distingue a Al Jazeera de outras emissoras ocidentais é o fato de que ela incorpora plenamente a ideia de que o poder se desloca lentamente do Ocidente para a Ásia. Ou seja, de que o mundo também é das grandes massas árabes e asiáticas. Se você olhar no mapa, vai notar que Doha, no Qatar (sede da Al Jazeera) aos poucos vai se tornando um importante ponto de entroncamento entre o Ocidente e o Oriente. Já é um importante centro financeiro. Não é por acaso, portanto, que o emir do Qatar abriu o cofre para financiar a emissora.

PS do Viomundo: Na Venezuela, onde estive recentemente, a Telesur (clique aqui para ver ao vivo) vem fazendo um trabalho muito interessante na cobertura da América Latina. É difícil entender a timidez do Brasil em apresentar a versão dos fatos a partir do olhar brasileiro, o que não fazemos nem mesmo em português!


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum