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por Rodrigo Vianna

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01 de setembro de 2011, 15h12

O (novo) papel do Banco Central brasileiro

Do Sul21: Com a redução de 0,5 pontos percentuais na Taxa Selic, o Banco Central brasileiro sinaliza que finalmente se colocou ao lado do governo federal no esforço para a manutenção do crescimento do país. Abandonando a ortodoxia monetarista a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) deixa claro que, finalmente, começa adotar o entendimento de que o agravamento da crise econômica dos países desenvolvidos exige um estímulo maior aos investimentos internos e ao crescimento da economia brasileira.

O (novo) papel do Banco Central brasileiro
Editorial do Sul21

Com a redução de 0,5 pontos percentuais na Taxa Selic, o Banco Central brasileiro sinaliza que finalmente se colocou ao lado do governo federal no esforço para a manutenção do crescimento do país. Abandonando a ortodoxia monetarista, que fixa o controle da inflação como a atividade única do BC e adota como recurso supremo o manejo das taxas de juros, a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) deixa claro que, finalmente, começa adotar o entendimento de que o agravamento da crise econômica dos países desenvolvidos exige um estímulo maior aos investimentos internos e ao crescimento da economia brasileira.

Campeão mundial de juros reais, o Brasil vinha adotando medidas em sentido contrário às adotadas em todos os demais países do globo. Enquanto todos os países reduziam suas taxas de juros básicos, o Brasil mantinha a decisão de aumentá-la, mesmo diante do agravamento da crise mundial. Ainda hoje, com a fixação da taxa Selic em 12% ao ano, ocorrida nesta quarta-feira (31), o Brasil se mantém na vanguarda mundial dos juros. Em termos reais, descontando-se a inflação anual, a taxa de juros reais do Brasil está em 6,35% ao ano enquanto a da Hungria, o país com a segunda maior taxa de juros reais no mundo, está em apenas 2,8%. Evidenciando a crise mundial e a tentativa de superação adotada pela maioria dos países, a taxa média de juros no mundo hoje é de -9% ao ano, ou seja, de nove pontos negativos.

A redução ocorrida ontem, não representa, portanto, uma capitulação do BC brasileiro às pressões do governo federal, como apregoaram alguns analistas, mas o reconhecimento de que o seu papel vai além de ser um mero e estrito controlador da inflação. Ele pode e deve ser também o de estimulador do desenvolvimento do país. Mais do que um Banco Central independente, como apregoa a cartilha neoliberal, cabe ao BC adotar um papel de regulador da economia e do mercado, induzindo ou refreando o desenvolvimento da economia nacional como um todo, deixando, finalmente, de servir aos desígnios do mercado financeiro mundial.


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