escrevinhador

por Rodrigo Vianna

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
28 de julho de 2011, 12h47

Os Estados Unidos caminham para o colapso?

Por Altamiro Borges: Os EUA voltam a assustar a burguesia globalizada. Após a quebradeira do final de 2008, que agravou a crise sistêmica que já vinha das décadas anteriores, o país dá novos sinais de alerta para o mundo capitalista. A elite dominante não se entende sobre os remédios para enfrentar a doença e muitos “especialistas” já falam na iminência de um colapso econômico.

Os EUA caminham para o colapso?
Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

Os EUA voltam a assustar a burguesia globalizada. Após a quebradeira do final de 2008, que agravou a crise sistêmica que já vinha das décadas anteriores, o país dá novos sinais de alerta para o mundo capitalista. A elite dominante não se entende sobre os remédios para enfrentar a doença e muitos “especialistas” já falam na iminência de um colapso econômico.

Até a mídia colonizada já reconhece o fiasco das políticas aplicadas pelo império. Em seu editorial de sábado, a Folha pinta um quadro bem sombrio. “Depois de numerosos alertas das agências de classificação de risco e de paralisantes confrontos entre democratas e republicanos, aproxima-se o momento da verdade para o governo dos EUA”.

Calote de consequências imprevisíveis

O dia 2 de agosto é o prazo final para Barack Obama elevar o limite do endividamento do país – que já atingiu o teto legal de US$ 14,3 trilhões. Caso não consiga dobrar o parlamento, o governo não conseguirá pagar os juros da dívida pública. “Na pior hipótese, seria inevitável um calote parcial, que teria conseqüências mundiais e imprevisíveis”.

As contas públicas dos EUA estão em frangalhos. Isto decorre da política neoliberal aplicada pelo governo, com os cortes nos impostos dos ricaços, iniciados por George W. Bush e mantidos por Obama; os bilionários gastos militares nas guerras imperialistas; e os pacotes de estímulo fiscal aos bancos e empresas que afundaram na crise de 2008.

Mais arrocho e miséria
Estas políticas, que socorreram os ricos e penalizaram o povo pobre, jogaram o déficit público dos EUA para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Estimativas da comissão de orçamento do parlamento ianque indicam que, sem adotar medidas urgentes, a dívida pública estadunidense superará 100% do PIB em 2021 e atingirá 190% em 2035.

Diante do caos, a elite dominante propõe mais arrocho sobre os trabalhadores. Os “democratas” defendem medidas mais “suaves”; já os republicanos, que sonham com a volta ao poder nas eleições de 2012, pregam botar para ferrar. A proposta de Obama é de um “ajuste fiscal” de US$ 2,4 trilhões em dez anos; mas os loucos do Tea Party, a extrema-direita do Partido Republicano, exigem mais.

“Desunidos num momento crucial”

Do “ajuste” proposto pelo presidente, 80% viriam do corte de gastos, incluindo programas sociais e sistema de saúde. Apenas 20% viriam do aumento de impostos. “Para republicanos moderados, a proposta de Obama era palatável. Ocorre que facções mais radicais do partido, como o movimento Tea Party, se recusam a aceitar acordo que envolva aumento de impostos”, relata a Folha, indignada com a desunião no império.

“Ninguém crê que o governo dos EUA cometerá suicídio financeiro. Fica, no entanto, a certeza de um sistema político em deterioração, polarizado e incapaz de encaminhar reformas estruturais. Com um índice de desemprego renitente e uma recuperação econômica frágil, os EUA se mostram desunidos num momento crucial”, conclui o editorial.

A insanidade imperial

Esta “desunião” tem reforçado os boatos sobre um possível calote da dívida. A moratória teria forte impacto sobre a economia mundial – inclusive no Brasil. Todas as nações seriam arrastadas pela insanidade imperial – que continua investindo em guerras (é responsável por 42% dos gastos militares no planeta) e socorrendo conglomerados falidos.

Na avaliação de Peter Diamond, Prêmio Nobel de Economia em 2010, os EUA caminham para o colapso e o calote da dívida é quase inevitável. Para o professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), este quadro dramático decorre das políticas ortodoxas, neoliberais, de cortes de gastos públicos e de redução dos impostos dos ricaços.

Ex-assessor de Obama, ele não vacila em criticar o atual governante, que descumpriu suas promessas de campanha e frustrou as esperanças de mudança. “A recessão mais profunda derrubou a arrecadação tributária do governo e limitou sua capacidade de tomar dinheiro emprestado. Resultou nas demissões… Foi uma política ruim estender por mais dois anos os cortes de imposto para quem ganha mais de US$ 250 mil promovidos por Bush… Certamente essa política pode provocar um default”.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum