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por Rodrigo Vianna

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27 de março de 2015, 08h30

Pedro Paulo Bastos: Ajuste fiscal de Levy levará economia da estagnação para recessão

Os Sardenbergs e Mirians Leitões da velha mídia aproveitam o número ruim para tirar mais uma lasquinha do governo e achincalhar a condução da economia pelo ex-ministro Guido Mantega.

Por Igor Felippe

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou balanço da economia brasileira, que aponta que o país cresceu 0,1% em 2014. O Produto Interno Bruto (PIB) fechou o ano em R$ 5,52 trilhões. Os setores de serviços e a agropecuária seguraram a economia, com uma alta de 0,7% e 0,4%, respectivamente. A indústria padece com uma queda de 1,2%.

Os Sardenbergs e Mirians Leitões da velha mídia aproveitam o número ruim para tirar mais uma lasquinha do governo e achincalhar a condução da economia pelo ex-ministro Guido Mantega. Assim, cerram fileiras com o ajuste fiscal de Joaquim Levy.

O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos , do Instituto de Economia da Unicamp, afirma que os cortes de gastos promovidos pelo novo governo não vão reverter o quadro da economia.

“A austeridade vai jogar a economia que desacelerava em uma recessão que vai aumentar a desconfiança de empresários e consumidores e, eventualmente, até mesmo das agências de classificação de risco soberano que a austeridade queria apaziguar. Os defensores da austeridade alegavam que ela iria recuperar a confiança dos empresários e, com os investimentos privados que geraria, faria a economia e a arrecadação fiscal crescerem, mas será o contrário”, avalia.

A receita para sair do atoleiro, de acordo com o professor, é bastante diferente da que tem ganhado corpo no governo e nos grandes meios de comunicação.

“Aumentar o investimento público; ampliar o gasto e as transferências sociais (pois a redistribuição de renda para baixo aumenta a demanda, enquanto os ricos podem se dar ao luxo de poupar parcelas crescentes da renda, e tendem a fazê-lo quanto aumenta a incerteza); proteger certos ramos da indústria com tarifas elevadas mas dentro do permitido pela OMC; negociar acordos de leniência com as grandes empreiteiras para evitar que possam falir (levando com elas parte do sistema bancário) sem perdoar processos criminais, mas evitando que sejam decretadas inidôneas; reduzir fortemente as taxas de juros; financiar pelo menos parte do aumento do gasto com imposto sobre os ricos, como grandes fortunas e heranças; reformar a pensão por morte de militares.

Segundo Pedro Paulo, as perspectivas da economia brasileira sob Joaquim Levy são de reversão das conquistas da Era Mantega, como desemprego baixo, aumento do salário e diminuição da pobreza.

“O desemprego já aumentou em janeiro e certamente continuará aumentando. Os salários reais vão cair mesmo se seguirem a regra do salário mínimo, pois a inflação vai ultrapassar 7%. Provavelmente sequer vão seguir, na média, o reajuste do salário mínimo, de modo que a queda do salário real médio é provável ao longo do ano. A pobreza vai aumentar também”, projeta.


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