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por Rodrigo Vianna

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27 de março de 2014, 10h08

PH e Marco Aurélio Mello debatem “TV Globo: do golpe à censura”

Do apoio ao golpe militar em 1964 ao sufocamento financeiro de blogueiros progressistas por meio de processos judiciais, as formas de censura praticadas pela Rede Globo serão tema de debate no dia 29 de março, a partir das 18h, na Subsede dos Bancários de São Paulo.

Por Felipe Bianchi, da Página do Barão de Itararé

Do apoio ao golpe militar em 1964 ao sufocamento financeiro de blogueiros progressistas por meio de processos judiciais, as formas de censura praticadas pela Rede Globo serão tema de debate no dia 29 de março, a partir das 18h, na Subsede dos Bancários de São Paulo. A atividade, promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e pelos blogs Viomundo e Conversa Afiada, contará com o ‘Churrascão da Solidariedade’, em apoio ao blogueiro Marco Aurélio Mello, autor de DoLadoDeLá.

A mesa de debatedores contará com a participação de Paulo Henrique Amorim (jornalista e blogueiro), César Bolaño (professor e autor do livro ‘Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia’), Douglas Belchior (dirigente da Uneafro) e Beatriz Kushnir (professora e autora do livro ‘Cães de guarda’). A discussão deve abordar tanto os mecanismos de censura utilizados pela Globo quanto o papel nefasto que a empresa desempenha na vida política brasileira.

Na sequência, os presentes poderão aderir a um churrasco de solidariedade ao blogueiro Marco Aurélio Mello. O jornalista luta na Justiça contra processos instaurados por Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo. Assim como Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha – entre outros blogueiros –, Marco Aurelio é vítima do processo de judicialização da censura promovido por Kamel, que parece buscar sufocar financeiramente as vozes que destoam do monopólio da família Marinho.

Entenda o caso de Marco Aurélio Mello

Em 2009, o jornalista produziu, em parceria com Luiz Carlos Azenha, uma série de reportagens sobre brigas entre vizinhos. Ele conta que tomou conhecimento, então, de um processo público fruto de desentendimentos entre o diretor de jornalismo da TV Globo e sua vizinha. “Cheguei a entrevistar a mulher, sem citar que o processado, na ocasião, era Kamel”, diz. “Ela relatou o constante cheiro de maconha no apartamento ao lado, entre outras reclamações”.

Após o episódio, Marco Aurélio passou a escrever textos ficcionais inspirados na entrevista. Sem ter seu nome sequer citado tanto na entrevista quanto nos textos publicados no blog, Ali Kamel optou por vestir a carapuça e acionou a Justiça contra o blogueiro, que perdeu em primeira instância, recorreu e aguarda nova resposta.

Nesse meio tempo, em julho de 2013, o blogueiro publicou um desabafo em relação ao andamento do processo. “Fiz duras críticas ao Kamel, mas amparado pela Constituição brasileira”, garante. O resultado foi um novo processo sobre ele. “Desta vez, Kamel me processou em cima de um desabafo sobre algo que ainda não foi decidido judicialmente, alegando que aquilo confirmava sua tese de que estava sendo caluniado e difamado”. Ele já contestou o novo processo, mas depende, agora, da decisão da Justiça sobre ambos os casos.

Sufocamento financeiro

O modus operandi escolhido por Ali Kamel, na avaliação de Marco Aurélio, visa “calar a blogosfera pelo bolso”. “Para contratar um advogado que cobre barato, você gasta cerca de R$ 20 mil, no mínimo. Ele sabe que, diferente do aparato jurídico da Globo, nós não temos como arcar com este custo”, argumenta. “Por isso comecei uma campanha de arrecadação pela Internet e, agora, faremos o ‘Churrascão da Solidariedade’, que ajudará tanto para colaborar com os custos de defesa da primeira ação quanto para uma possível derrota judicial”.

A Globo e o golpe

O cinquentenário do golpe militar foi o tema escolhido como paralelo à questão da censura judicial adotada pelo diretor de jornalismo da emissora. “É importante lembrar que a Rede Globo nasceu justamente para dar sustentação ao golpe e à ditadura. Toda a sua história, a partir de então, mostra como ela sempre foi contrária aos interesses nacionais”, dispara Marco Aurélio. O blogueiro acredita, entretanto, que pelo menos o tiro direcionado aos blogueiros sairá pela culatra. “Kamel acabou nos dando mais importância do que deveria e agora não conseguirá nos calar”, opina. “Somos que nem massa de pão: quanto mais bate, mais crescemos”.

SERVIÇO

Data: 29 de março

Horário: 18h

Local: Subsede dos Bancários (Rua Carlos Sampaio, 305, próximo à estação Brigadeiro do Metrô)

Contribuição: R$ 50


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