escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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26 de Maio de 2011, 10h57

Por qué no te callas, Mr. Barack Obama?

Devidamente enquadrado pela direita do seu país e saudado pelo que há de mais conservador e reacionário pelo mundo, o presidente Obama deixou o falso recato com que procurou durante algum tempo emoldurar a sua figura junto a países emergentes e mergulhou de cabeça – ao lado de tantos outros democratas de fachada – no perigoso terreno da galhofa.

Por Izaías Almada

Devidamente enquadrado pela direita do seu país e saudado pelo que há de mais conservador e reacionário pelo mundo, o presidente Obama deixou o falso recato com que procurou durante algum tempo emoldurar a sua figura junto a países emergentes e mergulhou de cabeça – ao lado de tantos outros democratas de fachada – no perigoso terreno da galhofa.

Desprezando o churrasco de Higienópolis, o presidente norte americano, temendo ser questionado pelos diferenciados do bairro paulistano, resolveu que era mais seguro fazer um churrasquinho com seu colega britânico David Cameron em Londres. Ali, cheio de empáfia e farofa na boca declarou alto e bom som: “Países como a Índia e o Brasil, na verdade, só estão crescendo graças à liderança de americanos e britânicos”.

Quer dizer então que o esforço dos últimos anos em que o nosso país, com seus próprios méritos, conseguiu se safar de uma crise econômica provocada no vosso hemisfério norte, que buscou uma política exterior independente, que criou milhões de empregos e criou programas sociais admirados pelo mundo inteiro, esse esforço foi por obra e graça de americanos e britânicos? Será que ouvi bem?

Que eu saiba, foi sempre ao contrário, Mr. Barack Obama. O atraso e a miséria de países emergentes como o Brasil sempre teve como causa a exploração e a dilapidação de suas riquezas por parte daqueles que o colonizaram antes e depois da Independência, sendo que muito do ouro aqui roubado passava por Lisboa rumo a Londres.

É bom lembrar que sempre nos momentos em que o Brasil tentou uma política independente e nacionalista, o seu país esteve implicado em impedir a concretização de tal desejo através dos quinta-colunas aqui existentes, normalmente orientados por seus embaixadores, incluindo-se nesta política o golpe civil/militar de 1964 com prisões, torturas, mortes, desaparecimentos e exílios.

A quem o senhor quer enganar?

No mesmo ágape com seu colega britânico ainda teve a petulância de dizer que “a aliança entre Estados Unidos e britânicos seguirá sendo indispensável para um mundo mais justo, próspero e pacífico”. Pelo visto, a farta distribuição de uísque foi diligentemente escondida na fotografia. Afinal, que mundo é esse que os países africanos, árabes e latino americanos quiseram também mais justo, próspero e pacífico e sempre foram impedidos pelas botas de seus marines e dos soldados britânicos e seus coleguinhas da OTAN ou das forças armadas locais compradas a 30 moedas?

Alto lá e pare o baile, senhor Obama. Mais respeito à nossa inteligência. Se o senhor tivesse um pouco mais de hombridade, deixava de falar sobre coisas para as quais se vê que não está preparado e, num ato de dignidade e autocrítica devolvia a Estocolmo o seu Prêmio Nobel da Paz.

Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).


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