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por Rodrigo Vianna

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30 de Maio de 2011, 12h19

PSDB, sem rumo, quer ser “caravela da oposição”

Por Victor Nuzzi: A derrota de 2010 ainda ecoa entre os tucanos, mas o PSDB, após controlar as brigas internas, quer sair da defensiva e ensaia novo discurso de oposição, mais afinado, ainda oscilante entre a moderação de Aécio Neves e a agressividade de José Serra. O ex-candidato à Presidência chegou a falar em uma "herança maldita" do governo Lula, com inflação em alta, falta de infraestrutura e escândalos.

PSDB reavalia 2010 e ensaia nova estratégia de oposição
Por Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual

Discursos dos tucanos após paz interna oscilam entre moderação e agressividade; Serra diz que é “soldado”

A derrota de 2010 ainda ecoa entre os tucanos, mas o PSDB, após controlar as brigas internas, quer sair da defensiva e ensaia novo discurso de oposição, mais afinado, ainda oscilante entre a moderação de Aécio Neves e a agressividade de José Serra. Instalado em um conselho político – de importância ainda a ser conferida –, em acordo feito na convenção nacional realizada no sábado (28), o ex-candidato à Presidência chegou a falar em uma “herança maldita” do governo Lula, com inflação em alta, falta de infraestrutura e escândalos.

Cada vez mais fortalecido, o senador Aécio Neves pregou ousadia, enquanto o presidente reeleito do partido, Sérgio Guerra (PE), atribuiu os tropeços da campanha do ano passado a falhas de comunicação. “Por muito tempo duvidamos de nossas próprias bandeiras”, afirmou, prometendo “um novo PSDB” nos próximos dois anos. Avalista do acordo tucano na convenção, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o partido superou suas divergências internas, atacou Lula (“Aqueles que pensam que a história começou com eles se enganam”), o atual governo (“É fracasso pra todo lado e muito papo furado”) e o Congresso, que para ele precisa voltar a ter força e deixar de ser subserviente.

“Nunca se precisou tanto de uma opção”, discursou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que atribuiu as disputas internas à “pluralidade” do partido. “A pluralidade é generosa e necessária. Mas o nosso partido, no interesse do Brasil, só tem uma palavra: unidade. A caravela (da oposição) vai partir, anunciou, instalando Fernando Henrique “no alto da gávea” e acrescentando que a expectativa é de se clamar “alvíssaras, terra à vista, mas não a terra à vista do PT, mas do povo”. O ex-presidente, figura decisiva na costura do acordo entre Aécio e Serra, também foi destacado pelo senador mineiro, que o chamou de “mais moderno e mais instigante pensador da nossa contemporaneidade”.

“Instigaram rupturas, apostaram na nossa divisão”, disse Aécio. “Este é um partido sem dono. Mais do que nunca, o PSDB está unido para reintroduzirmos no governo federal a ousadia de Fernando Henrique e os resultados do PSDB”, declarou, ressaltando ainda que é um “privilégio” para o partido ter a “figura pública” de alguém como Serra, que assumirá um conselho político tucano, formado por notáveis do partido, fortalecido – garantiu Sérgio Guerra – para avaliar questões como alianças, coligações e fusões partidárias, mas nesse caso depois das eleições de 2012. Na estratégica secretaria geral do PSDB, foi mantido o deputado mineiro Rogério de Castro, aliado de Aécio. A Serra, coube emplacar o primeiro vice da executiva, o ex-governador Alberto Goldman. O desejado comando do Instituto Teotônio Vilela ficou mesmo com Tasso Jereissati, como queria a ala mineira.

O pensador e timoneiro Fernando Henrique listou o que considera os principais pontos fracos da administração federal e poderão ser alvos da oposição: obras paradas ou “que não sabe se vai começar e é melhor que nem comece, como o trem-bala”, a transposição do rio São Francisco (“É importante, mas cadê a água?”) e as obras dos aeroportos (que ele chamou de “puxadinho que vai custar bilhões”).

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, convidado pelos tucanos para a convenção, disse que o PSDB mostrou “pujança” e já vê sinais de rearticulação da oposição. Isso teria acontecido, segundo ele, na votação do novo Código Florestal pela Câmara. “O governo sofreu um revés. A oposição acabou de se afirmar de maneira majoritária”, disse Jefferson, desconsiderando o fato de parte da votação contra o governo ter sido do PMDB, da base aliado e do vice-presidente da República, Michel Temer. “A minha visão disso é diferente da de vocês (jornalistas). A oposição se afirmou. Foi 410 a 60, uma lavada. É um sentimento de oposição.” Para ele, o discurso oposicionista está sendo construído. “Houve um momento de perplexidade, mas a oposição está se encontrando.”

O presidente do DEM, José Agripino Maia, enalteceu FHC (“Exemplo de homem público”), chamou a convenção do PSDB de “festa da oposição” e disse que as afinidades unem os antigos aliados. “Tentam  nos diminuir de toda forma, mas vamos resistir.”

A convenção peesedebista tinha mesmo caráter de festa, com bateria no fundo da sala de convenções tocando mais forte às menções ao nome de Aécio Neves, cuja torcida só encontrava adversário na do governador goiano, Marconi Perillo. Lia-se nas camisetas do grupo de Marconi: “Bom pra Goiás, bom pro Brasil”. Mas para os tucanos, é um risco falar agora de eleição presidencial. “Vamos nos preparar para as eleições municipais para depois pensar no projeto nacional”, disse o deputado paulista Vanderlei Macris.

“Os nomes (para 2014) não devem ser postos agora. O que o partido precisa não é discutir o nome, mas o processo”, alertou o senador Álvaro Dias (PR) – reconduzido à liderança do PSDB no Senado –, que vê um momento de reação contra a “inação” governamental. “Se soubermos administrar as divergências, revitalizamos o partido. Há controvérsia quanto ao enfraquecimento da oposição”, acrescentou o senador, fazendo coro ao secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal: “É o momento da oposição propor uma nova agenda para o Brasil. Vamos ser contundentes com um governo que é inoperante e pratica uma licenciosidade inaceitável”.
Time

Após as rusgas internas, os líderes tucanos e da oposição tiveram cuidado de destacar a importância de Serra para o partido, ressaltando seu patrimônio eleitoral de 44 milhões de votos em 2010. O ex-candidato, por sua vez, esforçou-se para mostrar espírito coletivo, ao chamar o partido e a oposição como um todo de “nosso time”.

Tentou fazer graça com o governador de Minas Gerais (afilhado de Aécio), Antonio Anastasia: “Eu aprendi o nome dele hoje. Não sabia que no meio tinha um Augusto”. Citou nomes históricos do partido, como Mário Covas, Pimenta da Veiga, Franco Montoro e Artur da Távola. E disse ter sido “auxiliar” de Fernando Henrique na preparação do programa do partido, fundado em 1988. Por fim, garantiu que continuará no cenário político. “Contem comigo para qualquer problema. Eu sou um ativista político. Antes de ser oficial na política, sou soldado. E contem com esse soldado”, declarou Serra, que chegou à convenção juntamente com os demais líderes, mas foi embora sozinho.


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