escrevinhador

por Rodrigo Vianna

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
17 de outubro de 2014, 00h01

Roberto Amaral para Escrevinhador: PSB optou pelo passado e está num caminho sem volta

Por Igor Felippe, no Escrevinhador

A decisão da maioria da direção do PSB de apoiar o PSDB no segundo turno das eleições representa um caminho sem volta para o partido, que tinha um programa com compromisso com o socialismo.

Essa é a avaliação do fundador e ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, que rompeu com o partido e manifestou publicamente apoio a Dilma Rousseff.

Em entrevista exclusiva para o Escrevinhador, por correio eletrônico, Amaral relata a tristeza de ver o partido que construiu nos últimos 30 anos declarar apoio ao PSDB.

“Penso que estamos num caminho sem volta. É impossível manter a chama socialista aliando-se à direita. O PSB renunciou ao futuro. Renunciou ao seu dever de construir o socialismo do século XXI, libertário, democrático, avançado, humanista. Preferiu aliar-se ao passado”, afirma Amaral.

Abaixo, leia a entrevista.

O senhor é um quadro da esquerda democrática no nosso país. Passou pelo PCB e no processo de redemocratização passou a militar no PSB, sendo um dos principais formuladores político-ideológico do partido. Como foi assistir o partido formalizar o apoio ao PSDB?

Foi muito ruim, foi triste. O choque, todavia, não foi tão grande porque ele vinha sendo preparado, há anos. O bloco hegemônico renunciou à nossa história e se recusou a construir o futuro. O PSB perdeu eleitoralmente, perdeu politicamente e perdeu eticamente

O PSB apoiou os candidatos do PT em 89, 94, 98, 2002 (segundo turno), 2006 e 2010. Nos últimos anos o PSB se aproximou do PSDB em eleições municipais e estaduais. Agora, a maioria dos dirigentes nacionais do PSB optou pelo apoio a Aécio Neves. É um caminho sem volta?

Penso que estamos num caminho sem volta. É impossível manter a chama socialista aliando-se à direita. O PSB renunciou ao futuro. Renunciou ao seu dever de construir o socialismo do século XXI, libertário, democrático, avançado, humanista. Preferiu aliar-se ao passado.

As informações divulgadas nos meios de comunicação apontaram uma intensa luta interna do PSB. Foi descumprido o acordo que reconduziria o senhor à presidência do partido? O que você projeta para o futuro do partido? O senhor vai continuar no PSB?

A disputa pela presidência, com todos os seus episódios mesquinhos, é irrelevante; não a discutamos. Pois isso serve apenas para desviar o foco do fundamental: a luta interna no partido entre uma esquerda minguante e uma direita majoritária, crescente e majoritária. O PSB não pertence a mim nem a qualquer grupo. Pertence aos seus militantes, à sua história e à sociedade, que vai julgar seus dirigentes.

Em relação ao segundo turno, o senhor manifestou apoio a Dilma na disputa contra Aécio Neves. O que levou o senhor a manifestar essa posição, que contraria a definição do partido?

Duas obviedades: o Programa do Partido que ajudei a fundar, e minha biografia.

O modelo baseado no crescimento econômico, com grande lucratividade para as diversas frações da burguesia e políticas de distribuição de renda, que beneficiam os mais pobres e os trabalhadores, dá sinais de esgotamento. O que a forças progressistas precisam fazer para avançar?

Aproveitemos para esclarecer. Não se trata de optar entre PT (partido ao qual faço fundadas críticas) e o PSDB. Não se trata mesmo de julgar o governo Dilma. Trata-se de saber que Brasil queremos. Eu não quero a volta do neoliberalismo. Fomos chamados a decidir entre o recuo e o avanço, o passado e o futuro, o medo e a esperança. Fiz minha escolha pelo bom amanhã para meus filhos.

Nessas eleições, a candidatura do PSDB conseguiu reorganizar as forças e, inclusive, atrair setores que fizeram parte do governo Lula/Dilma. Como você avalia esse processo de reorganização dos partidos? É possível fazer as mudanças estruturais com esse sistema político?

Não, claro que não. Esse sistema, falido, serve à classe dominante, porque assegura a manutenção do status quo. Acredito no que o PT de hoje evita: povo na rua.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum