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por Rodrigo Vianna

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03 de novembro de 2011, 10h27

Só emergentes podem salvar a Europa?

Do Brasil 247: Enquanto França, Alemanha, Estados Unidos e FMI discutem a rebeldia da Grécia de um lado, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul arquitetam a salvação da Europa de outro. No dia em que as economias mais ricas do mundo deveriam dar respostas convincentes à crise econômica que desvata a Europa, os países emergentes surgem como o única saída.

Por Roberta Namour, do Brasil 247

Enquanto França, Alemanha, Estados Unidos e FMI discutem a rebeldia da Grécia de um lado, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul arquitetam a salvação da Europa de outro. No dia em que as economias mais ricas do mundo deveriam dar respostas convincentes à crise econômica que desvata a Europa, os países emergentes surgem como o única saída.

Por aqui, assumir a dependência da generosidade dos Brics ainda é um tabu. “A ajuda da China significa uma perda de independência para a Europa. Sermos obrigados a proclamar ao mundo que vamos recorrer à China para nos reequilibrarmos significa que teremos menos armas para negociar assuntos cruciais com esse país”, diz François Bayrou, presidente do partido centrista MoDem. Mas a verdade é que a humilhação de uma “colonização invertida” deverá ser engolida se a zona do Euro quiser salvar sua pele.

Depois de um ultimato à Grécia para decidir sua permanência no bloco, a grande expectativa do primeiro dia do encontro do G20 em Cannes é o anúncio pelos emergentes de uma ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Chegou a hora, principalmente para o Brasil e para a China, de cumprir as promessas feitas anteriormente de um aporte aos europeus. Atualmente, o fundo que será usado como garantia para os países endividados tem em caixa € 440 milhões (R$ 1,05 bilhão). Na última cúpula da União Europeia, realizada no dia 27 de outubro, em Bruxelas, Nicolas Sarkozy anunciou um acréscimo de mais € 1 bilhão (R$ 2,38 bilhões) para acalmar os mercados financeiros. Mesmo assim, isso ainda é pouco perto do rombo da Itália e da Grécia.

A posição que será tomada pelos emergentes nesse histórico plano de salvação foi discutida nesta manhã entre a presidente Dilma Rousseff, os presidentes Dimitri Medvedev (Rússia), Hu Jintau (China), Jacob Zuma (África do Sul) e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. A falta de ação da Europa fez dos países emergentes os únicos nesse momento em posição de estancar a hemorragia da crise. Por outro lado, os europeus sabem que para isso terão de aceitar as condições impostas. “Decidimos nos entregar com os pés e as mãos amarradas aos emergentes. Os europeus não podem discutir uma proteção contra os efeitos sociais e ambientais da globalização e pedir, ao mesmo tempo, a quem você vai negociar isso, para pagar a conta da sua crise financeira”, diz o deputado do partido verde europeu Daniel Cohn-Bendit.

As regras do jogo geopolítico devem ser redestribuídas nas próximas horas.


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