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por Rodrigo Vianna

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24 de agosto de 2011, 10h56

Socialismo ou Bárbarie? Para onde a crise vai?

O que responder, em sã consciência, a uma das reflexões de Rosa de Luxemburgo diante da brutalidade da direita alemã logo depois de terminada a Primeira Grande Guerra em 1918? Socialismo ou Barbárie? Os anos e as décadas passam. De um lado os déspotas, e do outro os defensores das causas socialistas e humanistas também passam e a mesma dúvida permanece teimosa para aqueles que também, teimosamente, insistem em lutar por um mundo melhor.

Por Izaías Almada

O que responder, em sã consciência, a uma das reflexões de Rosa de Luxemburgo diante da brutalidade da direita alemã logo depois de terminada a Primeira Grande Guerra em 1918?  Socialismo ou Barbárie?

Os anos e as décadas passam. De um lado os déspotas, e do outro os defensores das causas socialistas e humanistas também passam e a mesma dúvida permanece teimosa para aqueles que também, teimosamente, insistem em lutar por um mundo melhor.

A propósito dessa sensível questão, para muitos de nós não será difícil identificar a razão pela qual boa parte da imprensa internacional, e mesmo a nacional, tenta caracterizar as várias das atuais manifestações anticrise pelo mundo não mais como sendo insufladas pela esquerda, mas por manifestantes que são tratados como bandidos, terroristas, selvagens, vagabundos e outras bobagens do gênero.

Essa tentativa manipuladora é para despolitizar o conteúdo das manifestações, pois, em consonância com a idiotia dominante e seus porta-vozes na mídia, não existem alternativas ao sistema capitalista. Para muitos, o mundo deixa de existir se o capitalismo entrar em fase terminal.

Contudo, é curioso notar também (e uma coisa tem exatamente a ver com a outra) que nesse exercício de descarada hipocrisia mediática há um significativo silêncio sobre as verdadeiras causas da crise, aquelas que de fato estão tirando o sono dos governantes e economistas de alguns dos principais países europeus, além do Japão e dos EUA. Silêncio ainda mais comprometedor quando se ignora conscientemente a identificação de seus principais causadores.

E aí, sim, aí – nesse patamar – talvez não fosse difícil identificar a bandidagem. O olhar cuidadoso com que cada um de nós pode analisar o documentário cinematográfico “Inside Job”, vencedor do Oscar da categoria em 2010, identifica e ilustra, na medida certa, tal afirmativa. Lá se dá nome a alguns dos bois…

Já não é segredo para ninguém, e os exemplos têm aumentado com o passar dos anos, que há no mundo contemporâneo – onde o capital especulativo financeiro tomou as rédeas da economia – já não é segredo, repito, a simbiose entre políticos e empresários corruptos, a promiscuidade entre administrações públicas e o crime organizado.

O capitalismo precisa cada vez mais dessas parcerias espúrias para a sua sobrevivência. Um sistema econômico que degrada e explora o trabalho e destrói a natureza não poderá estender indefinidamente a sua sobrevida se não usar de todos os recursos legais e ilegais para se legitimar. Um sistema econômico que faz do consumo do efêmero sua principal arma de sustentação torna-se ele mesmo efêmero com o passar dos anos.

Nessa caminhada, onde ética e moral começam a perder substância, sucumbem os ideólogos do sucesso e do lucro a qualquer preço às “necessidades” de se manter o sistema funcionando, o que – na prática – significa aprofundar a própria crise. É a pescadinha de rabo na boca, onde já muitos não têm coragem ou consciência suficiente para tentar mudar o rumo do desastre anunciado. Aliás, muitos sequer sabem que outro mundo é realmente possível.

A irresponsabilidade econômica, a destruição irracional da natureza, a xenofobia crescente, a disseminação de preconceitos sociais, étnicos, religiosos, as invasões bélicas, a arrogância, a substituição do diálogo pela prática da violência e do terrorismo, a tentativa de se impor um pensamento único, tudo isso começa a apontar para a resposta mais cruel à interrogação de Rosa de Luxemburgo: a barbárie…

Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).


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