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por Rodrigo Vianna

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13 de dezembro de 2010, 14h52

Stuart Angel é homenageado por seu combate

Na semana passada, foi realizada uma justa homenagem à memória de Stuart Angel Jones. Militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e combatente da ditadura, Stuart foi torturado e assassinado pelo regime militar em 1971.

Por Juliana Sada

Na semana passada, foi realizada uma homenagem à memória de Stuart Edgar Angel Jones. Militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e combatente da ditadura, Stuart foi torturado e assassinado pelo regime militar em 1971. Além de militante, o jovem era atleta do clube de regatas do Flamengo e foi bicampeão carioca de remo, nos anos 64 e 65.  Sua ligação com o clube extrapola o esporte, enquanto era perseguido pela ditadura, Stuart conseguiu abrigo na sede, ficando escondido por um tempo lá.

A homenagem foi realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Clube de Regatas do Flamengo, o Centro Acadêmico Stuart Angel Jones e a Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação. Para o ministro dos direitos humanos, Paulo Vanucchi, presente no evento, o “momento se fazia necessário há muito tempo. É um dia de alegria, com lágrimas inevitáveis, para fazermos uma homenagem ao herói que foi o Stuart. É importante lembrar tudo o que aconteceu à juventude de hoje, para que isso nunca possa se repetir”. Hildegard Angel, irmã de Stuart, esteve presente na homenagem e, emocionada, agradeceu: “É ótimo receber este tipo de carinho e de lembrança de que não há país sem democracia e liberdade”.

Junto ao monumento, o vice-prefeito Carlos Alberto Muniz, Hildegard Angel, Patrícia Amorim, Zezé Barros e o Min.Paulo Vannuchi

Stuart Angel Jones não foi a única vítima na família, sua esposa Sônia também foi morta durante a ditadura.  Além disso, diante da morte de seu filho, a estilista Zuzu Angel começou uma investigação sobre o caso e protagonizou uma campanha de denúncia a nível internacional, utilizando-se de sua fama e da cidadania estadunidense do filho. Em 1975, Zuzu morreu em um acidente de carro, vítima de um atentado.

A prisão e o desaparecimento
Stuart Angel Jones foi preso em maio de 1971 no local onde iria encontrar outro companheiro, Alex Polari. Ele foi levado para o Centro de Informação e Segurança da Aeronáutica. De acordo com Jacob Gorender, no clássico livro Combate nas Trevas, os policias queriam apenas uma informação: a localização de Lamarca. Diante da sua recusa em dar o paradeiro do companheiro, o jovem sofreria uma brutal tortura. “Aplicado sob a chefia do Brigadeiro João Paulo Burnier, os tormentos violentíssimos, como o de arrastamento por um jipe com a boca no cano de descarga, resultaram em mortais e o dirigente do MR-8 somou um nome a mais na lista dos ‘desaparecidos’”.

O relato feito por Gorender é resultado da denúncia feita por seu companheiro Alex Polari, que também estava preso:

“Em um momento retiraram o capuz e pude vê-lo sendo espancado depois de descido do pau-de-arara. Antes, à tarde, ouvi durante muito tempo um alvoroço no pátio do CISA. Havia barulho de carros sendo ligados, acelerações, gritos, e uma tosse constante de engasgo e que pude notar que se sucedia sempre às acelerações. Consegui com muito esforço olhar pela janela que ficava a uns dois metros do chão e me deparei com algo difícil de esquecer: junto a um sem número de torturadores, oficiais e soldados, Stuart, já com a pele semi-esfolada, era arrastado de um lado para outro do pátio, amarrado a uma viatura e, de quando em quando, obrigado, com a boca quase colada a uma descarga aberta, a aspirar gases tóxicos que eram expelidos”

O livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, conta mais um pouco do destino do militante:

“Para o desaparecimento do corpo existem duas versões. A primeira é de que teria sido transportado por um helicóptero da Marinha para uma área militar localizada na restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, próximo à zona rural do Rio, e jogado em alto-mar pelo mesmo helicóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma.

Os responsáveis: os brigadeiros Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do CISA; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena – todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck – do CENIMAR; Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota – agentes do DOPS”.

Assim como Stuart, há outras 135 pessoas que estão na lista dos desaparecidos. A homenagem realizada faz parte da série de memoriais “Pessoas Imprescindíveis”, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que com isso busca resgatar a história daqueles que combateram a ditadura.

(Com informações do Clube de Regatas do Flamengo e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República)


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