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por Rodrigo Vianna

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15 de agosto de 2011, 09h49

Mouzar Benedito: Sua Excelência, o vereador

Com essa história de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, querer criar um partido que não é de esquerda, não é de direita e não é de centro (é etéreo?), fiquei me lembrando da reforma partidária ocorrida no fim da ditadura, quando só existiam dois partidos legalizados: A Arena (Aliança Renovadora Nacional), do governo, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), de oposição consentida mas que de vez em quando se levava a sério.

Sua Excelência, o vereador
Por Mouzar Benedito, no Blog da Boitempo

Com essa história de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, querer criar um partido que não é de esquerda, não é de direita e não é de centro (é etéreo?), fiquei me lembrando da reforma partidária ocorrida no fim da ditadura, quando só existiam dois partidos legalizados: A Arena (Aliança Renovadora Nacional), do governo, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), de oposição consentida mas que de vez em quando se levava a sério.

E lembrei-me também dessa história de alguns partidos que atraem artistas e atletas populares, esperando que com os votos deles sejam eleitos mais alguns parlamentares que pertencem realmente ao partido ou à coligação, o que deu certo no caso recente do Tiririca, mas às vezes é um tiro no pé, como aconteceu com Ademir da Guia, eleito vereador de São Paulo pelo PCdoB, há tempos.

Como mais votado pela legenda, Ademir da Guia foi eleito, mas só ele, e ficaram de fora quadros do PCdoB, dos quais pelo menos um podia ter sido eleito no lugar do craque do futebol, se ele não tivesse concorrido. E o atleta não se incorporou de fato ao PCd B, logo pulou para outra legenda, deixando o partido sem nenhum vereador, sequer para abrigar militantes na assessoria…

Bom, voltando aos tempos do fim da ditadura, um dos candidatos a vereador em São Paulo, pelo MDB, foi Mário Américo, massagista da seleção brasileira de futebol. Já escrevi sobre isso em algum lugar, mas acho divertido lembrar.

A campanha de Mário Américo não tinha nenhum “papo cabeça”, era uma espécie de “papo mão”: as mãos que massagearam Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos e outros gênios do futebol da Copa de 1958, quando o Brasil foi campeão pela primeira vez.

Colou. Mário Américo foi eleito. O MDB lhe proporcionou assessores que criaram até projetos de lei interessantes.

Aí veio a reforma partidária. A Arena virou PDS (Partido Democrático Social), o MDB virou PMDB, e surgiram o PT, o PDT e o PTB.

Mário Américo foi cooptado por Paulo Maluf e, em vez de ir para o PMDB, foi para o PDS. Acontece que um projeto de lei dele, dos tempos de oposição, chegou à fase de votação quando ele já era do PDS, e o tal projeto contrariava os interesses do prefeito Reynaldo de Barros, malufista, nomeado pela ditadura. E aconteceu a aberração: Mário Américo votou contra um projeto de lei de autoria dele mesmo.

Um vereador do PMDB, indignado, fez um discurso cheio de impropérios, com adjetivos nada edificantes, contra o vira-casaca. Mário Américo, no plenário, levantou bravo e gritou com o dedo em riste:

― Vossa excelência está ofendendo a minha excelência!


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