escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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02 de junho de 2014, 09h04

Transposição levará água para 12 milhões no nordeste, enquanto os paulistas…

O Projeto de Integração do Rio São Francisco levará água para mais de 12 milhões de brasileiros que hoje precisam de água, enquanto em São Paulo 9 milhões estão ameaçados de ficar sem o que beber com a omissão do governador Geraldo Alckmin.

À esquerda, instalação de uma das bombas responsáveis pelo bombeamento das águas do Velho Chico, em Cabrobó (PE); à direita, situação da Represa Jaguari, que integra o Sistema da Cantareira da Sabesp

Da Agência PT

Considerada uma das 50 maiores obras hídricas do mundo, o Projeto de Integração do Rio São Francisco, não é só motivo de orgulho e de esperança para os mais de 12 milhões de brasileiros que hoje precisam de água.

O empreendimento, o maior do Brasil nessa área, ficará na história de vida da maior parte dos mais de 10 mil trabalhadores distribuídos nos inúmeros canteiros pelo sertão a fora. Participar da construção dos grandes canais, dos túneis que vão interligar cidades e estados e dos reservatórios que irão abastecer centenas de municípios é um fato histórico para os operários.

Mesmo com experiência acumulada em outras obras também de grandes dimensões, os operadores de máquinas pesadas Tiago Santos, de 33 anos, e José Weliton, de 41 anos, participar da construção do Projeto São Francisco tem um gosto diferente. Os dois são pernambucanos de Petrolina, de onde saíram para operar máquinas e veículos pesados em Brejo Santo, no interior do Ceará. Com vastas experiências, os dois toparam logo de cara o convite que uma empresa lhes fez, desde que mudassem para o local da obra.

Brejo Santo, onde Tiago e Weliton estão, é a segunda etapa das obras do projeto. Lá estão em construção dois grandes reservatórios, que começam em Jati (CE). É no local que as águas do São Francisco ficarão depositadas até serem distribuídas para outros estados. “Valeu à pena vir para cá”, diz Tiago, que depois de seis meses decidiu levar a família para o Ceará. Seu colega pensa em fazer o mesmo. Para os dois, a principal satisfação é ver o sertanejo atendido com o que mais necessita que é a água.

“Para mim é uma grande satisfação ter participado da obra, pois ela é benéfica para nosso povo”, diz Tiago.

“Vou ter orgulho em dizer aos meus filhos e netos que estive em uma obra dessa”, acrescenta o operador.

Seu colega também tem o mesmo sentimento. “É a nossa população que está sendo beneficiada”, observa Weliton. Segundo os trabalhadores, muitos dos operários que voltaram para o Nordeste para trabalhar na obra, sentem o mesmo que eles.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco é a maior obra desta natureza no País. São mais de 470 km de construção linear, orçadas em 8,2 bilhões de reais. O Eixo Norte, percorrido pela Agência PT de Notícias, começa em Cabrobó, onde está a embocadura do rio. Lá, já estão sendo instaladas duas das oito bombas, com 100 toneladas cada, da Estação de Bombeamento (EB). A obra está em fase de conclusão.

As instalações tem a altura de um prédio de 12 andares uma aparência semelhante ao edifícios da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Dentro está a sala de controle, considerada o coração da estação. Outras duas obras semelhantes estão em Salgueiro e Terra Nova.

Quando concluídas, as três estações juntas elevarão água a 176 metros acima do nível do Velho Chico. O líquido ficará armazenado em 27 reservatórios e todos os rios da região serão perenizados, garantindo o abastecimento do sertanejo o ano inteiro, mesmo com a estiagem. A EB de Salgueiro é uma das obras mais difíceis. Para que fosse realizada, foi preciso abrir uma gigante cratera em uma rocha formada há milhares de anos.

Trabalho parecido é executado em São José das Piranhas (PB), para a abertura dos 15 quilômetros dos túneis Cuncas I e II. Para encerrar esta parte da construção, que é a maior desta natureza na América Latina, faltam apenas 800 metros de escavação. A obra foi visitada pela presidenta Dilma Rousseff, em dia 13 de maio.

Até 2015, a população de 325 comunidades por onde os canais de integração terão a mesma água que será distribuída por várias cidades do Nordeste. O projeto também vai atender aos sertanejos que foram retirados de suas terras para que as obras pudessem ser realizadas. Eles foram reassentados nas chamadas Vilas Produtivas Rurais (VPR) e contam com escolas, posto de saúde e casas com quase 100 metros quadrados. Além disso, terão um hectare de terra irrigada para cuidar de suas culturas.
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Mas não foram beneficiadas apenas as populações das cidades onde há obras foram. Moradores de outros municípios, como de Orocó (PE), deixaram outras ocupações para trabalhar no Projeto São Francisco. Floriano Freire não deixa sua barraca de frutas e cebola à margem da BR-428, mantida há 40 anos. Porém, incentivou seus filhos a procurar emprego na construção. A satisfação foi dupla: o rapaz foi empregado e, desde o início dos trabalhos em Cobrobó, sua venda cresceu bastante. Não teve coisa melhor que as obras”, diz Floriano. “Tinha gente aqui que só andava de bicicleta. Hoje, anda de moto”, conta o vendedor.
Legado – Diariamente, pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), percorrem a caatinga onde estão os canteiros de obras. O objetivo é fazer inventários, resgate e monitoramento da fauna. Para que fossem firmados convênios com várias instituições, o governo destinou um R$ 1 bilhão do orçamento do projeto para a preservação do meio ambiente.

Além da Univasf, trabalham na área, técnicos do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), que resgatou mais de 13 mil animais na região. Quase todos foram devolvidos para a natureza, segundo o Ministério da Integração. Dentro das condicionantes ambientais, consta a pesquisa arqueológica que, ao longo do projeto, já resgatou 90 sítios históricos


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