escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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29 de Maio de 2014, 00h49

Vai ter Copa, apesar da hipocrisia da mídia e da torcida contra o Brasil

Colunistas dos jornais patronais, tidos como formadores de opinião, não hesitam em expressar suas expectativas de que um possível fracasso da Copa influencie o resultado das eleições de outubro.

Arquibancadas do estádio Itaquerão no jogo Corinthians e Figueirense

Editorial do Brasil de Fato

A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de Futebol, organi­zada pela Fifa, segue quente o deba­te sobre as contradições, vantagens e desvantagens do maior evento espor­tivo, realizado a cada quatro anos.

A chamada grande imprensa, par­tidarizada, há meses dá demonstra­ções de jogar a favor do fra­casso do evento, na ânsia de que is­so se traduza em resultados eleitorais favoráveis aos partidos políticos ali­nhados com seus interesses econômicos e corporativos.

Chegou a apostar que as gigantes­cas mobilizações populares ocorridas em junho do ano passado se repetis­sem às vésperas da Copa. Não hesi­tou em condenar a repressão policial contra as mobilizações populares, desde que essas tivessem o carimbo de ser contra a Copa e o governo federal.

Até mesmo as ações violentas contra lojas, revendedoras de carros e bancos foram tratadas, no mínimo, de forma complacente. Aliás, será que há inte­resses, não desvendados ainda, entre essas mobilizações violentas e o di­ferenciado tratamento repressivo do Estado e da mídia?

Todas as vezes (poucas vezes!) que o governo federal, em defe­sa dos interesses do país, ousou enfrentar o poderio da Fifa, encontrou na mídia um forte adversário. A do­bradinha revista Veja e Rede Globo – tantas vezes acionada pelo bichei­ro Carlinhos Cachoeira – foi atuan­te em repercutir uma denúncia cla­ramente forjada contra Orlando Sil­va, então ministro dos Esportes. Repetida incessantemente, a farsa provocou a queda do ministro, um desejo manifestado anteriormente pela Fifa.

As falcatruas da Fifa, seus esque­mas de propinas e corrupção – docu­mentados em programas jornalís­ticos em redes de TV como a BBC de Londres e em livros publicados em inúmeros países – contou sempre com o conivente silêncio dos meios de comunicação empresariais do Brasil.

Não é mais segredo, por exemplo, a troca de favores e acordos espúrios feitos entre a Rede Globo e os “donos” do futebol brasileiro João Havelange e Ricardo Teixeira. Uma relação tão estreita que o jornalista Amaury Ri­beiro Jr. considera Teixeira o quar­to filho do “doutor” Roberto Ma­rinho.

Um conluio que, certamen­te, facilitou à Rede Globo sonegar impostos no valor de bilhão de re­ais atualizados, referentes à com­pra dos direitos da Copa de 2002. Frente a afirmativa que já quitou sua dívida com a Receita Federal, não são poucas as vozes que pedem: mostre o Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), Rede Globo!

Não há limites para a sandice des­sa mídia, desde que iniciou sua trilha de partidarizar sua atuação e, clara­mente, assumir um lado nas disputas eleitorais. O escritor e jornalista An­tônio Barbosa Filho, em recente arti­go, denunciou que chegaram ao cú­mulo de “queimar a marca-Brasil”, como uma estratégia eleitoral. Para Babosa Filho há evidente torcida “pa­ra que o Brasil saia derrotado dentro e fora dos gramados. Um caos nas ci­dades-sede seria de grande proveito para as oposições na campanha elei­toral que se aproxima”.

Colunistas dos jornais patronais, tidos como formadores de opinião, não hesitam em expressar suas expectativas de que um possível fracasso da Copa influencie o resultado das eleições de outubro. Assim, não escondem o quanto torcem para tudo dar errado e, assim,  ajudar a emplacar candidatos que representem o arrocho, o neoliberalismo, e o entreguismo ao capital internacional.

Esses colunistas não estão, e nunca estiveram, preocupados com os problemas da Copa e muito menos com os problemas sociais e estruturais que afetam o povo brasileiro. Fingem defender agora recursos para saúde e educação, quando sempre defenderam a privatização desses serviços.

São os mesmos que tiraram R$ 40 bilhões da saúde quando forçaram o fim do CPMF (Contribuição sobre Movimentação Financeira). Sempre ávidos de poder e dinheiro, defendem o arrocho salarial e a diminuição do Estado nos gastos sociais.

Os grandes meios de comunicação enriquecem com as bilionárias verbas publicitárias dos governos e das empresas estatais – quantias inúmeras vezes superiores aos gastos da Copa. Calam-se frente às escandalosas quantias que o governo transfere anualmente aos bancos.

Por outro lado, exigem cada vez mais gastos com repressão policial e menos com moradia popular, transporte público, saúde e educação pública, gratuita e de qualidade. A burguesia brasileira diante da Copa do Mundo age nada diferente do que já faz a 500 anos: estar contra os interesses do país e do povo brasileiro.

As lutas populares que ocorrerão durante a Copa, em sua maioria, são justas e necessárias. São diferentes segmentos sociais e populares, historicamente injustiçados e desassistidos de políticas públicas, que aproveitarão o período do evento para ganhar força em suas lutas por direitos e reivindicações justas. Esses manifestações acontecem em todos os países que recebem eventos de repercussão internacional.

A atuação dos movimentos populares é exatamente uma demostração do fortalecimento da democracia de um país. É saudável para a democracia que as bandeiras vermelhas e os rostos sem máscaras voltem a ocupar as ruas. A manifestações populares estiveram sempre presentes nas lutas que promoveram as conquistas econômicas, sociais e políticas que beneficiam o povo brasileiro.

Já os que se restringem aos slogan “Não vai ter Copa” são tão fugazes quanto a duração do torneio mundial. Ou alguém imagina que continuarão saindo às ruas para fortalecer as lutas em defesa da saúde e educação pública?


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