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por Rodrigo Vianna

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20 de Maio de 2011, 13h02

Governo de SP não cede e greve continua

Com um ato de protesto no MASP nesta tarde de sexta, os trabalhadores do Centro Paula de Souza (Ceeteps) marcaram uma semana de greve. Os funcionários estão cientes da sua importância para o governo. O Centro é tido como referência e vitrine do governo de São Paulo mas as condições dos trabalhadores não correspondem à propaganda.

Por Juliana Sada

Com um ato de protesto no MASP nesta tarde de sexta, os trabalhadores do Centro Paula de Souza (Ceeteps) marcaram uma semana de greve. O Ceeteps é a autarquia que administra as Escolas Técnicas e Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo, as chamadas Etecs e Fatecs. Até o momento foram confirmadas paralisações em 19 Fatecs e em quase 60 Etecs, sendo que existem 198 Escolas e 49 Faculdades espalhadas pelo estado.

A categoria decidiu pela greve em assembleia no dia dez de maio, com paralisação prevista para o dia treze. Antes mesmo da greve ter início, o governo ofereceu um reajuste de 11% para os trabalhadores. Mas a proposta está longe de atender as demandas do movimento.

As reivindicações dos grevistas são 15% de reajuste salarial, relativo ao período de 2009 e 2010; recomposição de perdas salariais ocorridas entre 1996 e 2010 (calculadas em 91,7% para funcionários e 82,5% para professores); definição de uma política salarial para os próximos anos; criação de um plano de carreira; e universalização e ampliação dos vale transporte e refeição.

Atualmente, um professor recebe R$ 10 por hora/aula nas Etecs e R$18 nas Fatecs. A grande maioria dos docentes é contratado como “horista”, modalidade tida como de precarização do trabalho e que não contempla as tarefas que o professor tem fora da classe, como reuniões, preparo de aulas e correção de provas. Uma minora dos docentes é contratado por jornada de 40 horas semanais, este grupo tem pisos de R$ 2 mil, nas Escolas, e R$ 3.600, nas Faculdades. Já os servidores técnico-administrativos tem como piso o salário de R$ 510,00 para uma jornada de 40 horas semanais –  valor inferior ao piso estadual, de R$ 630. Além disso, nem todos têm direito a vale transporte e a vale refeição, de apenas quatro reais.

Para Neuza Santana Alves, presidenta do Sinteps (Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula de Souza), o governo estadual está “enrolando” a categoria. Na última quarta-feira, a direção do Sindicato se reuniu com o Secretário de Gestão, Júlio Semeghini, o Secretário Adjunto do Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Luciano Pereira Barbosa, e o Vice-Diretor Superintendente do Ceeteps, César Silva. Neuza relata ao Escrevinhador que nada de concreto saiu dessa reunião, “apenas promessas”. O governo alega que não há dinheiro em caixa para atender as reivindicações dos trabalhadores. Outra reunião foi marcada para esta sexta-feira, 20, mas, apesar das promessas do governo, nenhuma proposta nova foi apresentada aos grevistas.

Neuza Santana relata que na reunião o governo não se mostrou disposto a dar nada mais que o reajuste salarial já proposto, “se é 11% e mais nada –  sem nenhum tipo de negociação, sem repor as perdas salariais – não dá para aguentar, a greve continua”. Sobre a questão dos vales transporte e refeição, “eles não quiseram nem tocar no assunto”.

A direção do sindicato defende a mobilização, alegando que o último reajuste salarial foi recebido  apenas após 80 dias de greve em 2005. Além disso, os trabalhadores estão cientes da sua importância para o governo. O Centro Paula de Souza é tido como referência e vitrine do governo de São Paulo mas as condições dos trabalhadores não correspondem à propaganda. Neuza conta que na reunião o Secretário Júlio Semeghini afirmou que iria intensificar a negociação com o governo e “ele assumiu que o Ceeteps é a menina dos olhos do governo do Estado e que eles precisam de fato dar essa atenção, que demorou a vir”.

Além disto, o governo sabe que em breve enfrentará uma “forte concorrente”, nas palavras do secretário. Semeghini se refere ao crescimento da rede de escolas técnicas federais, que oferecem melhores condições de trabalho. Neuza afirma que está prevista a abertura de mais de cem escolas federais, “quando essas unidades começarem a funcionar, corremos o risco de perder nossos melhores profissionais e também alunos. O governo federal oferece um plano de carreira que de fato valoriza o profissional”.


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