Sindicato Popular

O que o brasileiro pensa?
28 de fevereiro de 2020, 07h55

A agenda de luta da classe trabalhadora em março

Os trabalhadores organizados bem sabem que são os primeiros alvos de regimes autoritários e não ficarão assistindo o Estado de Direito se dissolver a olhos vistos

Trabalhadores se mobilizam para atos (Arquivo)

Neste ano o Brasil recordará 56 anos de golpe civil-militar de 1964.

As lideranças sociais e sindicais sabem que os trabalhadores organizados são as primeiras vítimas de um Estado autoritário. Costumava-se creditar ao AI-5 a tortura durante a ditadura. Esse mito foi derrubado pelas pesquisas da Comissão da Verdade. Só em 1964 houveram 148 casos de tortura.

No princípio da década de 2010 começaram a vir a público os primeiros resultados da Comissão da Verdade. Sabemos hoje que só no primeiro ano do golpe de 1964, 536 sindicatos sofreram intervenção. Ao final do ano cerca de 90% dos sindicatos não contavam mais com suas diretorias eleitas pelos trabalhadores e cinquenta mil pessoas foram presas apenas em 1964.

Quase 7 mil militares contrários ao golpe foram perseguidos, alguns torturados e mortos dentro das instalações militares. Houve tortura de trabalhadores na fábrica da Volkswagen e na refinaria da Petrobras em Duque de Caxias (RJ).

Os militares utilizaram, inclusive, universidades, para torturar os prisioneiros, como a Universidade Federal Rural do Rio e a Federal de Pernambuco, que foram usadas como centros de tortura.

Em 2012 a Comissão da Verdade identificou 1200 camponeses mortos e desaparecidos durante a ditadura. Esse número é 3,5 vezes acima do total de reconhecidos como mortos por perseguição política naqueles anos sombrios quando o Estado prendia, torturava, matava e/ou exilava opositores ao regime ditatorial. No entanto, suas famílias não foram indenizadas.

Os trabalhadores rurais organizados nas Ligas Camponesas, em sua maioria dos estados do Norte e Nordeste, especialmente Pará, Maranhão, Pernambuco e Bahia, foram invisíveis na vida e na morte.

João Cabral de Melo Neto, em sua obra prima, nos revela esse silenciamento: “Somos Severinos/iguais em tudo na vida,/morremos de morte igual,/mesma morte severina:/ que é a morte de que se morre/ de velhice antes dos trinta,/de emboscada antes dos vinte,/de fome um pouco por dia/(de fraqueza e de doença/é que a morte severina/ataca em qualquer idade,/e até gente não nascida“.

Defendemos o Estado de Direito e nossos direitos no passado e no presente
Hoje, reflexos deste tempo nefasto voltam a rondar o país. Temos um presidente que não apenas nega a ditadura militar como cultua como herói um notório torturador. Um presidente campeão de ataques à imprensa, que chega ao cúmulo da falta ao decoro ao fazer trocadilho com ilações sexuais contra uma jornalista que revelou o uso de fake news em sua campanha eleitoral. Um presidente que compartilha vídeo em seu Whatsapp convocando seus eleitores de extrema direita para manifestação reacionária contra o Congresso e o STF.

Policiais militares chutando e espancando adolescente dentro da escola que só queria voltar a estudar. Policiais militares encapuzados agindo como as milícias e o tráfico cariocas espalhando o terror em Sobral, Ceará, obrigando comerciante a baixar as portas e até mesmo atirando a queima roupa em um senador da república.

Neste contexto de tanto ataques ao Estado de Direito, aos direitos civis, ao direito à educação, ao direito à segurança pública, aos direitos trabalhistas, à soberania nacional, aos serviços públicos, as centrais sindicais se reuniram e definiram uma agenda de luta para o mês de março com manifestações para ocupar as ruas em defesa da classe trabalhadora e contra os ataques do presidente ao Estado Democrático de Direito.

Os trabalhadores organizados bem sabem que são os primeiros alvos de regimes autoritários e não ficarão assistindo o Estado de Direito se dissolver a olhos vistos.

Nesta quarta-feira (26) as centrais soltaram uma nota reafirmando a unidade na “defesa intransigente” das instituições e do Estado Democrático de Direito. Hoje novamente reunidas as Centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, Nova Central, CSB, CGTB, Conlutas, Intersindical, Intersindical-Instrumento de Luta e representantes das Frentes e dos movimentos sociais definiram as datas para  atos e manifestações nas ruas, em todo o Paí nos dias: 08, 14 e 18 de março.

Calendário de luta

08 de Março – Dia Internacional das Mulher, atos em todo o País

14 de Março – Atos em memória da luta da vereadora Marielle Franco

18 de Março – Ato nacional em defesa dos serviços públicos, empregos, direitos e democracia

1º  de Maio –  Dia do Trabalhador – 1º De Maio Unificado das Centrais


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