Como garantir direitos no novo mundo do trabalho?

Com esta pergunta no centro do debate Marcio Pochmann aconselha movimento sindical e os partidos políticos de esquerda a se aproximarem da nova classe trabalhadora que está surgindo com a ascensão do trabalho por aplicativos, do home-office (trabalho em casa) e da informalidade

Na noite de ontem (29), em live promovida pelo líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Elvino Bohn Gass (RS), o economista e professor universitário Márcio Pochmann fez um resgate histórico das transformações no mundo do trabalho, desde a década de 30 com o início da urbanização e a ascensão da produção industrial sobre a produção no campo. Hoje, o Brasil vive um novo momento de transformação da economia, com o fortalecimento do setor de serviços, crescimento vertiginoso do trabalho por aplicativos, sem qualquer direito trabalhista.

Para Pochmann sindicatos e partidos de esquerda em suas práticas não estão acompanhando as transformações atuais do mundo do trabalho. Essas instituições precisam adequar discurso e prática para criar identidade com a nova classe trabalhadora e “construir entidades em que esses trabalhadores se sintam representados, e assim exigir direitos mínimos como salário, direito a férias e a aposentadoria digna”.

Pochamann destaca que é preciso compreender não apenas as razões da depressão econômica, é preciso que se aponte para a esperança de dias melhores.

Comunicação Digital

“O trabalho no passado oferecia o sentimento de pertencimento a uma indústria, empresa ou profissão. Hoje uma pessoa trabalha no Uber durante o dia, faz bico de segurança a noite e no fim de semana ainda vende produtos de embelezamento, trabalhando 70 horas semanais para complementar a renda. Ou seja, não se sente identificado com nada, pensa apenas na sobrevivência”, observou.

Pela própria configuração da nova classe trabalhadora, cujo “chão de fábrica” é, por exemplo, a plataforma em que os entregadores recebem os pedidos, partidos e sindicatos precisam investir na comunicação digital, entendê-las e fazer a disputa. Pochmann destaca: “Muito diferente da classe trabalhadora do passado, que formava opinião na diversidade do ambiente de trabalho”, hoje, a massa trabalhadora forma sua opinião em bolhas na internet, de acordo com preferências pessoais, dificultando a promoção do debate de ideias.

Pochamann ressalta que sindicatos e partidos devem fincar o pé onde os trabalhadores vivem e lembra que enquanto as sedes de partidos e sindicatos estão na cidade, nos territórios periféricos igrejas e o crime organizado se relacionam com as comunidades numa rede de apoio, com proteção, auxílio financeiro, cesta básica, qualificação profissional ou mesmo disposição para ouvir problemas.

Oportunidades históricas

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Sem a organização da nova classe trabalhadora os direitos não serão conquistados. Os sindicatos são essenciais para conquistas de direitos, Pochmann destaca: “Vivemos uma mudança de época, mas essas mudanças oferecem oportunidades históricas”.

Entre essas oportunidades estão os novos tipos de geração de renda com a economia solidária, além da instituição de uma moeda e crédito social. “Temos de reconhecer o trabalho comunitário como fundamental para a sociedade, associando a hora trabalhada a uma moeda social que pode ser trocada por bens e serviços locais. Precisamos pensar formas de sobrevivência fora do capitalismo, que só traz insatisfação e não tem resposta para garantir direitos a longo prazo”.

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Assista a íntegra da exposição aqui.

Com Informações PT na Câmara

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