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19 de março de 2020, 15h52

Coronavírus chega ao sistema prisional de SP; visitas continuam mesmo diante dos riscos

Há uma confirmação de contaminação de um servidor do Centro Hospitalar Penitenciário. No CDP I de Pinheiros, preso com suspeita de coronavírus pode ter infectado pavilhão. Em Pacaembu, no interior paulista, há suspeita de contágio de um detento e a prefeitura local proibiu a hospedagem e permanência de visitantes das unidades prisionais em hotéis e pensões da cidade

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Um servidor do Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, localizado na capital e que recebe um número elevado de presos para atendimento, é o primeiro caso confirmado de coronavírus no sistema prisional paulista. O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP) também recebeu e está apurando informações sobre outro servidor com sintomas do vírus, lotado na Penitenciária “A.E.V.P. Cristiano de Oliveira”, de Flórida Paulista. 

Depois de apresentar febre alta e dificuldade para respirar – sintomas considerados típicos do coronavírus, um detento do Centro de Detenção Provisória (CDP) I de Pinheiros, na capital, pode ter colaborado para a infecção de um pavilhão inteiro da unidade prisional. O caso aconteceu na última quarta-feira (18).

De acordo com relatos de policiais penais presentes no atendimento do sentenciado, ele teria tido contato com pelo menos 35 outros presos que estavam na mesma cela antes de ser isolado. Para piorar, esses presos que estavam no mesmo local se espalharam pelo pavilhão e podem ter infectado ainda mais detentos.

Na Penitenciária Feminina da Capital (PFC), em Santana, na zona norte paulistana, uma detenta com os sintomas do coronavírus passou por atendimento médico na última terça-feira (17). Segundo informações recebidas pelo sindicato, ela passou por exames, mas não foi feito teste para o diagnóstico do vírus.

A detenta acabou liberada pelo médico, com a recomendação de que volte ao atendimento se sentir falta de ar. A presa retornou à penitenciária, onde segue dividindo a cela com as demais detentas. 

Na Penitenciária 1 de Lavínia, um detento com sintomas de gripe faleceu há duas semanas, mas ainda não saiu o resultado do exame para identificar se a causa da morte foi devido ao coronavírus. 

Barrar visitas e trânsito de detentos

Mesmo diante da confirmação, a Secretaria de Administração Presidiária (SAP) e o governo Doria mantêm visitas no sistema prisional paulista, ampliando os riscos de contágio no cenário de pandemia de coronavírus.

O prenúncio de uma possível infestação pelo COVID-19 no sistema prisional possui relação direta com a demora da SAP e do governo de São Paulo em suspenderem as visitas bem como o trânsito de sentenciados como forma de minimizar os riscos de proliferação do vírus. Em resolução publicada no Diário Oficial deste 19 de março, a SAP restringiu apenas visitantes a partir dos 60 anos e os menores de idade, mantendo os demais. 

O SIFUSPESP enviou ofício à SAP no último 13 de março, mas ainda não teve qualquer resposta à reivindicação de suspensão total e imediata das visitas e do trânsito dos presos entre as unidades prisionais. Por isso, o sindicato protocolou uma ação civil pública nesta quinta-feira (19) junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, reivindicando um plano de contingência imediato com uma série de medidas contra a contaminação pelo coronavírus no sistema prisional paulista. 

Além de pedir a suspensão de visitas no sistema prisional, o Sindicato também quer direito de afastamento dos servidores com doenças crônicas como diabetes, problemas respiratórios e cardiovasculares, que agravam o quadro do coronavírus, assim como dos que têm a partir de 60 anos, para que fiquem longe dos riscos de contaminação pela doença no trabalho interno das unidades. Exigem o fornecimento de equipamentos de proteção individual e coletiva e equipe médica para avaliação dos trabalhadores.   Na ação, o sindicato reivindica ainda medidas urgentes diante dos ataques do crime organizado contra os trabalhadores penitenciários prisional.
O sindicato reivindica ainda que a SAP e o governo estadual garantam condições para que os atendimento aos detentos sejam feitos ao máximo dentro das próprias unidades, restringindo o trânsito externo apenas aos casos urgentes.

O SIFUSPESP solicita a seus filiados que em casos de suspeita ou confirmação do coronavírus em sua unidade, comuniquem o sindicato. Enviem mensagem para o Whatsapp oficial: (11) 99339-4320 ou para imprensa@sifuspesp.org.br

Matéria original de Flaviana Serafim e Giovanni Giocondo do SIFUSPESP


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