Sindicato Popular

Fórum Educação
24 de março de 2020, 10h53

Coronavírus: Petroleiros podem entrar em Greve sanitária

Sistema Petrobras desrespeita constantemente as orientações das autoridades sanitárias para contenção do Coronavírus e FUP e FNP podem declarar greve sanitária

FUP (Reprodução)

As duas federações de petroleiros do país, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Federação Nacional dos Petroleiro (FNP) estão em acordo quando a pauta é coronavírus e o descaso da Petrobras diante do avanço da pandemia. E ambas consideram que a greve sanitária será inevitável.

A FUP denuncia que a direção da Petrobrás impõe aos petroleiros jornadas de trabalho que os levam à exaustão física e ao esgotamento emocional, justamente quando a pandemia está próximo do pico no país.

De acordo com a FUP, o presidente da Petrobras, Castello Branco, e seus gestores “agem da mesma forma que o governo insano de Jair Bolsonaro, ao qual servem, menosprezam os efeitos devastadores da pandemia e sacrificam os trabalhadores para proteger os setores econômicos que ainda lhe dão sustentação política.”

Os dirigentes denuncias que a diretoria e as gerências da Petrobrás estão de quarentena, no aconchego de seus lares, mas os petroleiros devem manter a produção a qualquer custo. Enquanto isso, nas áreas offshore, os trabalhadores são confinados por sete dias em um quarto de hotel, afastados da família, antes de embarcar para as plataformas, onde são obrigados a permanecer por 21 dias.

Nas refinarias e terminais, são submetidos a turnos ininterruptos de 12 horas, à revelia das medidas de controle sanitário que as entidades sindicais vêm cobrando. A situação é ainda pior para os terceirizados, cujas condições precárias de trabalho são ignoradas pelas gerências.

A Petrobrás tem se recusado a discutir com a FUP e seus sindicatos propostas para garantir a segurança dos trabalhadores e da sociedade. Reivindicações, como suspensão temporária da produção e participação nos comitês nacional e regionais de gestão da crise do coronavírus, foram desprezadas pela empresa.

Em vez de negociar medidas necessárias para conter o avanço da pandemia, as gerências se aproveitam da situação de vulnerabilidade dos trabalhadores para tentar intimidar a categoria, anunciando demissões e punições dos grevistas. Um flagrante descumprimento do acordo que foi chancelado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), há menos de um mês.

A diretoria da Petrobrás atua contra os trabalhadores e os interesses do país, da mesma forma insana que age o governo ao qual serve. As medidas impostas pela gestão Castello Branco levarão as unidades da empresa ao colapso, tal qual o sistema de saúde em função da sobrecarga causada pelo coronavírus.

Segundo especialistas, a pandemia atingirá o momento mais crítico nas próximas semanas, quando milhares de brasileiros já estarão contaminados. Como ficarão os petroleiros submetidos às condições desumanas de trabalho nas plataformas e áreas industriais? Terão condições físicas e psicológicas de manter a produção, isolados de suas famílias quando elas mais precisam?

Carta Aberta da FNP denuncia a política irresponsável da Petrobras

A FNP lançou uma carta aberta à população denunciando as mesmas práticas irresponsáveis dos gestores da Petrobras diante da pandemia do coronavírus que põem em risco a saúde dos petroleiros e ao mesmo tempo a produção essencial para a população em tempos de pandemia: gás de cozinha, combustíveis para ambulâncias, insumos para hospitais como a produção de álcool gel, remédios, produção de alimentos.

Na carta denunciam as demissões, especialmente de terceirizados e o quanto a Petrobras, voltada para o lucro, não cumpre seu papel social e em defesa da soberania nacional em tempos de crise Global.

“Nós, petroleiros e petroleiras da PETROBRÁS estamos mais do que nunca comprometidos com o abastecimento do país. Somos nós que trabalhamos dia e noite em escalas exaustivas, em locais perigosos e insalubres, muitas vezes confinados em plataformas em alto mar longe das nossas famílias para garantir que o diesel, a gasolina e o gás cheguem até o povo brasileiro. Carregamos a bandeira do Brasil no nosso uniforme e muito nos orgulha prestar esse serviço essencial de Norte a Sul do país.

Diante da pandemia do coronavírus, nos colocamos à disposição para o combate e para buscar formas de seguir trabalhando sem nos transformar em vetores de transmissão do vírus, nem comprometer a saúde e a segurança dos nossos colegas, famílias e comunidade. Nesse sentido, várias propostas foram feitas e não houve qualquer negociação por parte da direção da empresa.

Viemos a publico denunciar que a política do Bolsonaro e dos seus subordinados a frente da empresa é totalmente IRRESPONSÁVEL. Estão se negando a reduzir as atividades da empresa ao essencial para manter ambulâncias, hospitais, alimentos, remédios, o botijão de gás, ou seja, o que é essencial para o povo. Com a quantidade de pessoas que ainda circulam sem necessidade pela empresa podemos ser vetores de transmissão, além da hipótese de provocar um adoecimento generalizado que inviabilizaria a continuidade operacional. (…)

Por isso tudo, defendemos:
1. Parada imediata de todas as atividades não essenciais e negociação com as Federações de Petroleiros do contingente mínimo para garantir os serviços à população, à segurança e saúde dos trabalhadores e à comunidade, ao abastecimento nacional e à continuidade operacional no pós crise.

2. Garantir todas as medidas de prevenção nas unidades da PETROBRÁS: EPI, álcool gel, etc.

3. Subsídios ao gás de cozinha e distribuição subsidiada do gás – Isso é essencial. Com o preço atual muita gente pode morrer de fome num cenário em que haverá uma diminuição brutal das atividades econômicas, com aumento do desemprego e falta de renda.

4. Fim do PPI (Preço de Paridade de importação) e das privatizações – Nós produzimos no Brasil. Nossos preços devem considerar o custo local e não se regular pelo dólar e pela importação. Essa política tem prejudicado caminhoneiros e sociedade em geral. Só serve para beneficiar empresas estrangeiras e favorecer a venda das nossas refinarias e do patrimônio nacional a preço de banana.

5. Nenhuma demissão, nem corte de salários. Além de desumano, isso é temerário por tornar ainda mais a frágil economia do país. 

6. Nenhuma punição aos grevistas. Reintegração imediata dos demitidos, reversão das suspensões e advertências.

Caso não haja negociação, diante da profunda IRRESPONSABILIDADE da gestão da PETROBRÁS, os trabalhadores serão obrigados a discutir a retomada da greve petroleira agora para a preservação da saúde da sociedade e dos trabalhadores e reversão das desumanas punições.

Com informações da FUP e FNP


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