Eleições nos EUA: o que a classe trabalhadora brasileira tem a ver com isso?

Hoje se encerram as votações para eleger os delegados do colégio eleitoral que, na prática, elegem quem será o próximo presidente nos Estados Unidos. Aqui vamos para as urnas de 4 em 4 anos e escolhemos um candidato para a presidência, uma para o governo do estado, os deputados federais  e senadores e os deputados […]

Hoje se encerram as votações para eleger os delegados do colégio eleitoral que, na prática, elegem quem será o próximo presidente nos Estados Unidos.

Aqui vamos para as urnas de 4 em 4 anos e escolhemos um candidato para a presidência, uma para o governo do estado, os deputados federais  e senadores e os deputados estaduais de modo direto, cada eleitor, eleitora brasileira vota diretamente nos candidatos. Lá as eleições não são diretas como aqui, como dissemos, os eleitores estadunidenses elegem delegados para representá-los no voto para presidente.

Nos Estados Unidos, mais de 97 milhões de estadunidenses já votaram pelos Correios, uma medida que foi tomada para evitar aglomerações. Aqui o Tribunal Superior Eleitoral, embora tenha mudado o calendário eleitoral para as nossas eleições municipais, não considerou que a pandemia continuaria em níveis de contágio altíssimos.

Os demais eleitores que não votaram pelos Correios, tem até hoje para votar. O colégio eleitoral é composto por 50 estados e mais o distrito de Colômbia. Os estadunidenses escolherão 538 delegados. Quanto mais populoso o estado, mais delegados. A Califórnia elege 55 delegados, Texas(38), Nova York e Flórida (29 cada um), Illinois, e Pensilvânia (20 cada um), Michigan e Geórgia do Sul (16 cada um) e a Carolina do Norte 15 votos.  Esses são estados decisivos, porque tem mais delegados e, portanto, mais votos. E há ainda uma outra particularidade, na maioria dos Estados quem vence leva todos os votos, de todos os delegados.

Mas e para nós brasileiros, o que muda?

Observem que  nos principais jornais de hoje, nas redes sociais e programas de tv a pauta é única: Eleições nos Estados Unidos.

Isso porque para além de sermos um país que, neste atual governo, vive na órbita dos Estados Unidos, cerrando cada vez mais as relações diplomáticas e comerciais com o restante do mundo, especialmente com a China e com vários países latino americanos, o governo atual dos Estados Unidos é muito parecido com o nosso governo atual. Bolsonaro é uma cópia de Trump. Não é à toa que Bolsonaro disse a Trump: “I love you” (Eu te amo). Bolsonaro vem repetindo o mesmo desastre que Trump empreendeu nos Estados Unidos, com a desvantagem de que nós somos os subalternos e os Estados Unidos um país imperialista.

Trump ignorou a pandemia como Bolsonaro e tanto lá como cá, a mortalidade é imensa e o índice de contágios de ambos países estão no topo do globo.

Trump, não gerou empregos e os estadunidenses sofrem com o desemprego, embora os Estados Unidos seja a maior economia do mundo e nós orbitamos ao redor do império sem colher nem migalhas. No Brasil de Bolsonaro o desemprego bate recordes e nossa economia está à beira de um colapso, já passamos da recessão, estamos em depressão econômica.

 Trump se elegeu com fake news. A campanha de Bolsonaro com seus disparos ilegais e milionários  usou, inclusive, o mestre das fake news globais dos Estados Unidos: Steve Bannon.

Uma provável derrota de Trump pode mudar o jogo democrático nos Estados Unidos e influenciar o restante do mundo. Esse modelo de presidentes falastrões que só querem “mitar” nas redes sociais pode estar com os dias contados.

Mas tanto republicanos (partido de Trump) como os democratas (partido de Biden) não costumam facilitar a vida para o Brasil, especialmente um Brasil de joelhos aos Estados Unidos como é o Brasil do governo de Bolsonaro.

Imperialismo nos Estados Unidos é uma política de Estado.

Lembrem-se da lava-jato: ela se iniciou no governo Obama, com colaboração de Moro, Dallagnol tivemos a ingerência do FBI e dados sensíveis de segurança nacional foram parar nas mãos do governo estadunidense, ferindo abertamente a soberania nacional. Outros governos dos democratas nos mostram que, por vezes, o imperialismo em relação ao Brasil foi mais intenso.

Trump fez um governo sofrível, tinha tantos problemas internos e resolveu eleger a China como seu inimigo nada cordial, acabou tendo mais dificuldades para nos atormentar. Enfrentamos o republicano Bush e derrotamos a ALCA- Área de Livre Comércio das Américas proposta por Bush. Mas estávamos em 2005, tínhamos governos soberanos na América Latina: Lula, Chavez e a maioria dos países latino-americanos recusaram o projeto da ALCA, pois ele favorecia os Estados Unidos.

Derrota de Trump tem efeito simbólico para o restante do mundo

Trump foi eleito, assim como Bolsonaro pela ala mais reacionária e autoritária da sociedade. Racismo, Misoginia, ataque aos imigrantes, aos direitos dos trabalhadores, intolerância, fundamentalismo religioso, negação da ciência e de problemas que afetam o planeta como o aquecimento global foram celebrados por essa ala da sociedade aqui e lá.

Mas veio a pandemia. Nos EUA, Trump foi mais incompetente do que Bolsonaro. Lá ele não convenceu a população de que era “só uma gripezinha”. E vieram os manifestantes negros dando basta ao racismo e bradando aos quatro cantos que vidas negras importam. Os artistas de Hollywood tomaram lado, os humoristas, os editorialistas e Trump corre o risco de não se reeleger.

A derrota de Trump, simbolicamente é a derrocada deste discurso e práticas excludentes, preconceituosos, raivosos, que tratam a política fora do campo democrático, buscando bodes expiatórios como os latinos ou chineses e tratando adversários políticos como inimigos de guerra que devem ser aniquilados. Lembram de Bolsonaro em plena campanha no Acre dizendo que iria “metralhar a petralhada”?

Simbolicamente a vitória de Trump representaria mais e mais retrocessos em nível global. Governos autoritários como o de Bolsonaro se sentiriam ainda mais à vontade para continuar o desmonte do SUS, para retirar mais direitos da aposentadoria, da seguridade social, para incendiar mais e mais o Pantanal e a Amazônia, para expulsar indígenas de seus territórios, para envenenar a terra com quase 400 tipos de agrotóxicos, para privatizar tudo, para ampliar a desigualdade.

Nenhum estadunidense crítico foi às urnas achando que Biden é a salvação da lavoura. Eles foram para garantir que Trump pare de ampliar ainda mais desigualdades e ódio nos Estados Unidos e no restante do planeta. Já é um bom começo. Que os delegados do colégio eleitoral estadunidense façam uma boa escolha.

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Sindicato Popular

O blog é uma parceria da Fórum com o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense). Traz artigos e análises de temas de interesse dos trabalhadores.