Galo, entregador antifascista, levanta 36 mil em vaquinha para formação

No centenário de Paulo Freire, Paulo Lima, o Galo, conseguiu mobilizar a solidariedade da internet para iniciar um projeto formativo nas periferias de São Paulo.

No centenário de Paulo Freire, Paulo Lima, o Galo, conseguiu mobilizar a solidariedade da internet para iniciar um projeto formativo nas periferias de São Paulo.

Em um mês, ele arrecadou em uma vaquinha online mais que a meta estabelecida. A vaquinha foi organizada para comprar os instrumentos de sua formação móvel que pretende circular pelas favelas paulistanas.

No total 484 pessoas contribuíram com o valor de R$ 36.068,08, superior a meta estipulada que era de 35 mil, para comprar uma kombi, caixa de som, microfone, extensão, gerador de energia, barraca e exemplares do Manifesto Comunista de Karl Marx.

O Sindicato Popular conversou com a liderança dos entregadores antifacistas que afirma que “a classe trabalhadora não é pé de coentro, é Baobá“, para entender o projeto de formação que ele tem em mente.

Cristo, Marx e Paulo Freire como inspirações

Denominado de “Nação dos Trabalhadores” o projeto foi elaborado por Galo e se propõe a formar a população das favelas, desenvolvendo a consciência de classe na classe trabalhadora mais precarizada, que se acha “empreendedora”.

Galo quer explicar que na sociedade capitalista existem classes, detentores dos meios de produção e aqueles que só têm a força de trabalho e, cada vez mais, no processo acelerado de desindustrialização e de reorganização do capital na 4a Revolução Industrial, uma massa de sobrantes sem trabalho.

Quero explicar a luta de classes e até mesmo o ódio de classe através da palavra de Jesus Cristo“, afirma Galo que, como o pastor José Barbosa, acredita na forte relação entre socialismo e cristianismo.

Galo quer fazer frente aos pastores neopentecostais que, de acordo com o entregador antifascista, muitas vezes usam de modo deturpado “a palavra de Cristo e “acabam colocando as pessoas num caminho que não é o caminho de Jesus Cristo“: “Jesus Cristo era carpinteiro, andava com os pescadores, com prostitutas, com ladrão, com a classe baixa, Jesus Cristo andava com o povo oprimido e fazia a luta anti-opressão de sua época, argumenta o entregador antifascista e futuro formador das quebradas.

Galo, a exemplo de Paulo Freire, quer fazer uma educação libertadora da classe trabalhadora, utilizando ideias chaves, daí a Bíblia e o Manifesto Comunista serem os principais materiais didáticos. Para Galo, os mercadores da fé fazem uso indevido da palavra de Cristo: “hoje é utilizada para favorecer os poderosos“. Seu principal objetivo é criar “um bloco de periféricos e favelados dispostos a praticar o socialismo dentro das favelas e fora das favelas“.

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