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20 de fevereiro de 2020, 10h55

Petroleiros suspendem greve histórica com muitas conquistas e deixam lições para os trabalhadores

Que nos inspiremos neste acúmulo de resistência, diálogo e conscientização dos grevistas de 2020

Comissão de Negociação da greve dos petroleiros (Montagem)


Em 1995 meu irmão, petroleiro, foi um dos que ocupou a Refinaria Presidente Bernardes durante 32 dias. À época, o governo neoliberal, privateiro e entreguista de FHC utilizou todos os mecanismos de assédio contra os trabalhadores: demissões, contratação de fura-greves, contra informação, perseguições. Mas nada disso abalou aqueles valentes petroleiros.

Petroleiros da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão-SP em greve durante a ocupação da unidade em 1995. Foto: Arquivo Pessoal

A foto da saída deles da refinaria em Cubatão, de braços erguidos, formando um grande círculo, mostrando a união daqueles trabalhadores está em minha memória até hoje.

Após 32 dias de greve, os petroleiros de Cubatão desocupam a refinaria. Foto: Arquivo Pessoal

Durante a ocupação, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra- MST e familiares, moradores próximos à refinaria forneciam alimentação, a solidariedade entre os trabalhadores foi fundamental para a resistência dos petroleiros.

A mídia fez exatamente o que faz agora em 2020: um silenciamento brutal e quando fala sobre a greve, assim como em 1995, é para criminalizar o movimento.

O descaso e a ânsia de privatizar a Petrobras, mudar o regime de partilha, especular na bolsa de Nova York, pôr fim à função social da Petrobras acabou por afundar a plataforma P36 em 2001.

Mas, os petroleiros de 1995 não desistiram, continuaram a se organizar em seus sindicatos, a lutar e conseguiram, anos depois, reerguer a Petrobras no governo Lula: 21 novas plataformas foram construídas, o pré-sal virou uma realidade concreta.

Os petroleiros foram readmitidos, a cadeia do petróleo gerou emprego na casa do milhão e a Petrobras recuperou sua função social, investindo na pesquisa, na Cultura, em projetos sociais e não permitindo que o preço do gás de cozinha e combustíveis tivessem variação com o mercado internacional.

Os lavajateiros e seu projeto antinacional criaram uma ficção e, só no primeiro ano de ataques constantes com seu braço midiático, a cadeia de petróleo perdeu mais de um milhão de empregos. Os lavajateiros e o Congresso de Cunha deram o golpe 2016 e a política da Petrobras volou a ser a de sucateamento e privatização.

Os trabalhadores acumulam experiências
A Greve de 1995 é um exemplo para os petroleiros de hoje e os grevistas de 2018 e 2020. Historicamente os trabalhadores acumulam experiências, pensam em estratégias, a greve de 2020 adotou muitas táticas de 1995.

Os trabalhadores organizados em sindicatos como os dos petroleiros têm uma base forte, alto índice de sindicalização, não vivem de imposto sindical. Por isso, tanto em 1995, como em 2018 e 2020 as greves mobilizaram grande parte da categoria.

Um dos cursos mais importantes no movimento sindical e da política de formação CUTista é o de negociação coletiva, onde os dirigentes sindicais aprendem com outros formadores dirigentes militantes como fazer acordos coletivos.

Nesta greve, a Petrobras se negou a sentar na mesa de negociação, queria demitir de uma única vez mais de mil trabalhadores da FAFEN-PR, mudou regime de horário de um trabalho que já é penoso, pois as refinarias funcionam 24 horas, em turnos.

Lula é o maior exemplo deste saber dos trabalhadores. O ex-sindicalista é um excelente negociador, um exemplo para todos os trabalhadores organizados.

Mediação e negociação na pauta e na tática
Com a recusa da Petrobras em negociar e fechar o acordo coletivo, os petroleiros em assembleia entraram em greve e ocuparam uma sala da sede central da Petrobras no Rio de Janeiro. Foram criminalizados pelo TST e pelo STF numa decisão que vários juristas do mundo do trabalho avaliaram como inconstitucional.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), juntamente com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a qual é filiada, percorreram gabinetes em Brasília, conversaram com os presidentes da Câmara e Senado, com o STF e dialogaram com a sociedade, seja através de seus sites, redes, como na rua quando venderam botijão de gás de cozinha 30,00 reais.

Explicaram a importância da Petrobras para a vida das pessoas e o projeto privatista em curso. Mesmo com uma mídia venal atacando o movimento conseguiram atenção mundial, pois uma greve que paralisou mais de 20 mil trabalhadores e 121 unidades do Sistema Petrobras não é pouca coisa e deveria ser uma pauta importante do jornalismo.

Com isso, os petroleiros tiveram vitórias importantes: conseguiram adiar as demissões na FAFEN-PR e impedir o fechamento da fábrica de fertilizantes para continuar a negociação, conseguiram que a comissão de negociadores que ocupa o prédio da Petrobras não fosse criminalizada pessoalmente e abriu o canal de negociação.

Em tempos de tantos ataques aos direitos trabalhistas, sociais, de judicialização das lutas sociais, de fascismo, milícia, militarismo e ultraneoliberalismo os resultados da greve foram imensos. Que nos inspiremos neste acúmulo de resistência, diálogo e conscientização dos grevistas de 2020.


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