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Jaques Wagner: "O Congresso ainda não entendeu que o Brasil está sob nova direção"

"Deviam ter coragem de fazer um novo plebiscito", desafiou o líder do governo no Senado sobre o "semipresidencialismo" que o Brasil vive hoje

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, fala a jornalistas. Foto: Rafael Nunes
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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, estava contente no encontro que promoveu com jornalistas na tarde de segunda-feira, 18. Visivelmente mais magro, Wagner contou ter tomado Ozempic, o emagrecedor que virou moda entre os políticos em Brasília, e também Mounjaro, outra febre no Congresso. Como o senador petista, graças ao Mounjaro, o amazonense Omar Aziz (PSD) desfila agora lépido e fagueiro pelo salão azul, com os ternos folgadíssimos.

Mas há outra razão, além dos quilinhos perdidos, que está deixando Wagner mais leve antes da comilança natalina. "O primeiro ano de governo foi um sucesso", festeja. "Muito mais do que em 2003, a despeito da situação econômica pior. Naquela época pegamos o governo de um democrata. Em 2023, cada ministro andava com uma lanterna na mão para ver se tinha alguma bomba ali."

Wagner desafiou o Congresso que assuma a defesa do parlamentarismo. "Deviam ter coragem de fazer um novo plebiscito. No parlamentarismom quando tem gastança, isso é responsabilidade do Parlamento e o governo cai. Agora, se falta dinheiro é culpa do Executivo"

Segundo o senador, o principal feito do primeiro ano de Lula 3 foi reconstruir os projetos destruídos por Bolsonaro, como o Minha Casa, Minha Vida, e recompor a presença do Brasil no cenário internacional. "Hoje tem fila na porta para conversar com o presidente", diz. "Recuperamos o protagonismo ambiental e a realização da COP-30 na Amazônia é um sinal disso."

Há, porém, uma pedra no caminho do governo Lula em 2024: o Congresso e principalmente as emendas impositivas, que permitem que os parlamentares destinem recursos orçamentários para determinada região. Segundo Wagner, para o ano que vem deve haver entre 52 bilhões e 54 bilhões de reais nesse tipo de emenda, uma "anomalia do sistema" que se consolidou nos últimos quatro anos com o nome de "orçamento secreto". “Isso vai tirando a discricionariedade do governo. É um problema porque, uma parte das emendas se encaixam nos programas do governo, mas tem um volume grande de emendas que são dispersas”, diz. "E o dinheiro não é elástico, tem limite."

O líder do governo no Senado desafiou o Congresso a assumir de vez a defesa do parlamentarismo. "Deviam ter coragem de fazer um novo plebiscito. Não sou parlamentarista, até por esse número de partidos que temos, mas no parlamentarismo quando tem gastança, isso é responsabilidade do Parlamento e o governo cai. Agora, se falta dinheiro é culpa do Executivo."

"O Congresso ainda não entendeu que está sob nova direção. O presidente é mais da reciprocidade, não da faca no pescoço. Quando os dois vão se reconhecer nessa nova modalidade, ainda não tenho essa bola de cristal. Mas essa relação vai ter que acomodar, não vai funcionar o tempo todo assim"

Wagner avaliou as críticas do campo progressista de que o governo Lula está cedendo demais ao centrão. "As pessoas falam: não tá fazendo aliança ampla demais? É tão amplo quanto exige o momento. Ganhamos a eleição, mas não ganhamos o congresso, as duas casas. Esse é o fato. É só eleger na próxima mais deputados e senadores com o mesmo pensamento do governo."

Um jornalista pergunta como Lula vê este poder excessivo nas mãos do Congresso, que derrubou recentemente o veto presidencial ao Marco Temporal e à desoneração da folha. "Lula entende, mas não gosta", disse Wagner. "O Congresso ainda não entendeu que está sob nova direção. O presidente é mais da reciprocidade, não da faca no pescoço. Quando os dois vão se reconhecer nessa nova modalidade, eu ainda não tenho essa bola de cristal. Mas essa relação vai ter que acomodar, não vai funcionar o tempo todo assim."

Jaques Wagner alfinetou a mídia comercial pela campanha em favor da desoneração da folha. "Desoneração não gera emprego", disparou. "A maior pressão pela desoneração veio das TVs abertas, que disseram que iriam quebrar sem ela. Vão mesmo?"

O líder também confirmou ter ouvido do próprio Lula que não vai haver desmembramento do Ministério da Justiça com a criação da pasta da Segurança Pública, mas não arriscou um nome para ser o substituto de Flavio Dino. Garantiu apenas não ter "rifado" o ex-ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski, cotado para o ministério, como foi noticiado. "Espero que ele não tenha ficado ofendido, não interditei nada."