Bolsoliberais continuam a atacar Lula (enquanto aprovam projetos de Bolsonaro no Congresso)

A "estratégia" da FAIL (Frente Ampla dos Inimigos do Lula) funcionará ou teremos um epic fail?

CYNARA MENEZES

Nesta quarta, 19, mais um nefasto projeto do governo Bolsonaro de dilapidação do patrimônio público passou na Câmara: a Medida Provisória da privatização da Eletrobrás foi aprovada por 313 votos a 166. E, para surpresa de ninguém, com o apoio massivo dos tais “partidos de centro”, supostamente antibolsonaristas: 86% dos deputados do DEM e 76% dos tucanos votaram em favor da proposta. Só PT, PSOL ,PCdoB e Rede votaram 100% contra a privatização (o Novo também, mas por achar que a privatização não é verdadeira). Até no PDT (4 deputados) e no PSB (5) houve quem votasse a favor.

A FAIL (Frente Ampla dos Inimigos de Lula) ganhou a adesão de Ciro Gomes. Como o Estadão, Ciro briga com os fatos para carimbar em Lula o epíteto de “maior corruptor da História”. Ou isso é uma mentira ou Ciro prevaricou, já que foi ministro do petista

Vociferações e palavrório nas redes sociais à parte, é nas votações no Congresso que se conhece quem verdadeiramente faz oposição a Jair Bolsonaro. Foi assim na reforma da Previdência, na privatização da água e agora na da Eletrobrás: enquanto os partidos de esquerda têm votado de forma unânime contra os projetos do governo, os “liberais” votam a favor. Mais correto seria chamá-los “bolsoliberais”: antibolsonaristas nos costumes, bolsonaristas na economia.

Na mídia comercial, o grande baluarte do bolsoliberalismo hoje, mais ainda que as organizações Globo, é o Estadão. O jornal da família Mesquita continua estacado no célebre “uma escolha muito difícil” que o tem norteado desde 2018, e segue publicando editoriais surreais onde estabelece falsas simetrias entre Lula e Bolsonaro. No mais recente deles, no dia 14 de maio, defende que Lula representa “o atraso” enquanto o presidente fã de torturador e da ditadura é “o retrocesso”. Um jornal que infelizmente esqueceu de se guiar pelos fatos para fazer politicagem: no governo do “atraso” o que não falta são indicadores positivos.

A FAIL (Frente Ampla dos Inimigos do Lula) encampada pelo Estadão conta com a adesão óbvia de Bolsonaro e recentemente ganhou um aliado de peso, Ciro Gomes. Como o vetusto jornalão da elite paulista, Ciro também tem brigado com os fatos para, orientado pelo marqueteiro João Santana, tentar carimbar em Lula o epíteto de “o maior corruptor da História do Brasil moderno”. Ou isso é uma mentira deslavada ou Ciro prevaricou, já que fez parte do governo Lula como ministro da Integração Nacional e seu irmão, Cid Gomes, do governo Dilma, como ministro da Educação.

A estratégia de Ciro e João Santana parece ser a de atacar Lula para ganhar votos à direita e de arrependidos de votar em Jair Bolsonaro e, assim, chegar ao segundo turno contra o petista. Ao desrespeitar de forma grosseira o legado do governo onde atuou, porém, o cearense vai ficando cada vez mais parecido com… o presidente da República. Como disse a ex-presidenta Dilma após ser chamada por ele de “aborto”, Ciro corre o risco de se tornar uma “variante de Bolsonaro”. Não parece um plano muito inteligente: quem é que vai votar na cópia tendo à disposição o original?

Foi assim na Previdência, na privatização da água e agora da Eletrobrás: enquanto a esquerda vota unânime contra os projetos do governo, os “liberais” votam a favor. Mais correto seria dizer “bolsoliberais”: antibolsonaristas nos costumes, bolsonaristas na economia

Ex-governador, ex-ministro, candidato três vezes à presidência, Ciro teria outras opções de discurso para se manter equidistante de Lula e de Bolsonaro. Poderia, por exemplo, dizer que não se alinha à esquerda latino-americana, que seu projeto progressista é diferente dos líderes que comandaram os países sul-americanos na última década, enfim, pregar claramente que o Brasil pede uma terceira via. Ao escolher o caminho bolsonarista do ódio e das fake news contra o petismo, dá a impressão de que tanto ele quanto seu marqueteiro estão se movendo pelo rancor.

Será que a estratégia dos bolsoliberais de se igualar a Bolsonaro para bater em Lula vai funcionar? Conseguirá a FAIL tirar o PT do segundo turno ou sofrerá apenas mais um epic fail? Em 2018, Geraldo Alckmin tentou ser a terceira via e conseguiu 4% dos votos. De acordo com o último Datafolha, Ciro tem 6%.

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Socialista Morena

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