Deputado dos EUA: maconha só melhora performance em competição de comer hot dog

Suspensão da velocista Sha'Carri Richardson por fumar um baseado coloca em xeque a proibição do uso de canabinoides por atletas olímpicos

A polêmica suspensão por um mês da velocista norte-americana Sha’Carri Richardson, de 21 anos, por testar positivo para maconha, o que a impedirá de correr a prova de 100 metros nas Olimpíadas de Tóquio, pode levar a WADA (Agência Mundial Antidoping) a rever os critérios sobre o uso de canabinoides por atletas olímpicos. Parlamentares dos EUA estão questionando a agência por tratar a maconha como se fosse capaz de melhorar a performance de um corredor, como acontece com os esteroides anabolizantes.

“A maconha não melhora o desempenho, a não ser que você esteja competindo no concurso de quem come mais cachorro-quente em Coney Island no 4 de Julho. Tirar o direito dela de concorrer e realizar seu sonho é absurdo e o Congresso deveria garantir que não tenhamos esse tipo de problema no futuro”, disse o democrata Steve Cohen, de 72 anos, do Tennessee. “Se ela tivesse tomado margaritas, Red Bull ou o que fosse estaria OK porque não apareceria em seu sistema. Mas com a maconha, 20 dias depois e por causa de uma pegada ou duas e ela está fora.”

A decisão sobre a suspensão de Sha’Carri colocou a WADA e a USADA, a agência antidoping dos EUA, num jogo de empurra. Enquanto a agência norte-americana deu declarações mostrando solidariedade à atleta e dizendo que a suspensão por maconha deveria ser revista, a agência mundial responsabilizou a USADA, em resposta a questionamento feito pelos também democratas Alexandria Ocasio-Cortez e Jamie Raskin.

“O teste da senhorita Richardson e a consequente suspensão dela partiram da USADA”, disse o presidente da WADA, Witold Banka. “Em nenhum momento desde que a primeira lista de substâncias proibidas foi publicada em 2004 recebemos objeções dos EUA. Pelo contrário, os EUA têm sido um dos mais ativos defensores da inclusão dos canabinoides na lista de substâncias proibidas.”

O próprio presidente Joe Biden, um “careta” no que se refere à legalização do uso recreativo de maconha num país com uma legislação cada vez mais aberta à erva, se manifestou sobre a suspensão da atleta, declarando que “regras são regras”, mas “se as regras devem permanecer as mesmas, este é outro assunto”. Atualmente, o canabidiol é a única exceção aberta pela WADA aos atletas no antidoping.

Sha’Carri assumiu sua responsabilidade pela decisão de fumar maconha, citando a morte recente da mãe. “Pra encarar, enfrentar o mundo e esconder minha dor, tipo, quem sou eu pra te dizer como lidar quando você está lidando com uma dor que você nunca experimentou antes? Eu fui tomada e fiquei cega pelas emoções.”

Com informações do Marijuana Moment

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