EUA viraram a Venezuela e Joe Biden tem agora seu próprio Guaidó: Trump

Chutado para fora da Casa Branca pelas urnas, Trump alterna os papéis de Guaidó e Maduro

CYNARA MENEZES

No dia 29 de janeiro de 2019, Donald Trump telefonou para Juan Guaidó, o autodeclarado presidente da Venezuela, para parabenizá-lo por sua “histórica ascensão ao poder”, chamou Nicolás Maduro de “ex-ditador” e falou de seu “forte apoio à luta da Venezuela para recuperar a democracia”. Guaidó foi reconhecido “presidente” por 50 países, inclusive pelo Brasil.

O que fará Joe Biden com as Forças Armadas dos EUA? Elas aceitarão que Trump permaneça no cargo, fazendo dele um ditador e transferindo a Biden o papel de Guaidó? Em algum lugar em Caracas neste momento, um presidente gargalha chacoalhando os bigodes

Quase dois anos depois, os EUA vivem um processo similar. Concluído o arcaico processo de apuração dos votos na “maior democracia do mundo”, o presidente no cargo, Trump, grita “fraude” e se recusa a aceitar a vitória de seu adversário nas eleições, Joe Biden. Biden foi proclamado presidente pela mídia local e já foi reconhecido pelos governantes da França, Alemanha, Reino Unido, Chile, Argentina, Israel… Mas não pelo Brasil.

Enquanto isso, como uma espécie de Guaidó com votos (o autodeclarado presidente não disputou a eleição, era presidente da Assembleia Nacional), Trump continua esperneando nas redes sociais e se dizendo reeleito. “Eu ganhei esta eleição, e por muito!”, brada o presidente dos EUA no twitter, que passou a marcar as postagens de Trump como carentes de verdade factual, ou seja, mentiras.

Biden e sua vice, Kamala Harris, por outro lado, agem oficialmente como vencedores do pleito. O democrata passou a usar a alcunha de “presidente eleito” no perfil e afirma que o povo dos EUA se manifestou e lhe deu uma “vitória clara”, “uma vitória convincente”.

Chutado para fora da Casa Branca pelas urnas, Trump alterna os papéis de Guaidó e Maduro. Assim como Guaidó, se autodeclara presidente e afirma ter havido “fraude” na eleição. E, assim como Maduro, se recusa a deixar o cargo. O fato é que, no atual  momento, os EUA possuem dois presidentes da República. Um eleito e outro autodeclarado. Igualzinho à Venezuela.

Com Nicolás Maduro, a reação de Trump foi pressionar as Forças Armadas venezuelanas a romperem com o presidente e aceitarem Guaidó. O que fará Joe Biden com as Forças Armadas dos EUA? Elas aceitarão que Trump permaneça no cargo, fazendo dele um ditador e transferindo a Biden o papel de Guaidó? Aconteça o que acontecer, nos próximos anos um “presidente” viverá fazendo sombra ao outro. Os EUA estão provando de seu próprio veneno.

Em algum lugar em Caracas neste momento, um presidente gargalha chacoalhando os bigodes.

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