quarta-feira, 30 set 2020
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Vice de Joe Biden já criticou Bolsonaro publicamente por queimadas na Amazônia

O candidato a presidente dos EUA pelo partido Democrata, Joe Biden, anunciou hoje sua candidata a vice, a senadora Kamala Harris. Primeira mulher de ascendência afro-americana e indiana a chegar ao Senado em 2017, Harris criticou publicamente o presidente brasileiro Jair Bolsonaro pelas queimadas na Amazônia no ano passado.

“O presidente do Brasil, Bolsonaro, deve responder por esta devastação. A Amazônia é responsável por 20% do oxigênio do mundo e é o lar para um milhão de povos indígenas. Qualquer destruição afeta a todos”, escreveu ela no twitter.

Em uma postagem do dia seguinte, a senadora volta a criticar o presidente brasileiro. “Enquanto a Amazônia é incendiada, o presidente do Brasil, cópia de Trump, que deixa madeireiros e garimpeiros destruírem a terra, não faz nada. Trump não deve firmar acordos comerciais com o Brasil até Bolsonaro reverter essa política catastrófica e acabar com os incêndios. Precisamos da liderança americana para salvar nosso planeta.”

Os tweets da possível futura vice-presidenta dos EUA vieram à tona no mesmo dia em que Bolsonaro negou, em videoconferência com países amazônicos, que existam queimadas na região. “Isso é uma mentira. Por ser úmida, a floresta não pega fogo”, declarou o presidente do país, ele sim mentindo internacionalmente ao contrariar as imagens de satélite que mostram um aumento das queimadas. No mês de junho, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia teve o maior número de queimadas em 13 anos.

O anúncio da escolha foi feito por Joe Biden também pelo twitter. O candidato democrata elogiou a senadora. “Tenho a grande honra de anunciar que escolhi Kamala Harris –uma destemida lutadora em favor das pessoas comuns e uma das melhores servidoras públicas do país– como minha companheira de chapa”, escreveu.

Biden disse ainda que, quando era procuradora-geral da Califórnia, Kamala “enfrentou os grandes bancos, ergueu o povo trabalhador e protegeu mulheres e crianças do abuso. Tive orgulho na época e tenho orgulho agora em tê-la como minha parceira nesta campanha”.

A própria Kamala publicou: “Biden pode unificar o povo dos EUA porque passou a sua vida brigando por nós. E como presidente ele construirá uma América que vive por nossos ideais. Estou honrada em me juntar a ele como a indicada pelo nosso partido para vice-presidenta e fazer o que for possível para fazer dele nosso comandante-em-chefe”.

A escolha foi prontamente elogiada por Barack Obama, de quem Biden foi vice. “Conheço a senadora Kamala Harris há longo tempo. Ela é mais do que preparada para este trabalho. Ela passou a sua carreira defendendo a Constituição e lutando por pessoas que necessitavam um tratamento justo. É um grande dia para nosso país. Agora vamos ganhar essa parada”, escreveu o ex-presidente.

Já Donald Trump acusou o golpe, fixando um vídeo em seu perfil onde pinta a senadora e agora candidata a vice do seu rival como “esquerdista radical” e chamando-a de “falsa” em contraposição ao “Joe devagar”, como ele se refere a Biden. E ainda insinua que o objetivo é colocá-la no poder.

Em entrevista na Casa Branca, o presidente norte-americano chamou Kamala diversas vezes de “mentirosa”, “nojenta” (“nasty”). “Era a pior senadora, a mais horrível, a mais desrespeitosa a qualquer um no Senado. Pior do que Pocahontas para Joe Biden”, disse, usando o apelido que cunhou para a também senadora democrata Elizabeth Warren. Sentiu.

Mas, enquanto Trump tenta colar o rótulo de “esquerdista radical” na vice do rival, a escolha de Kamala Harris foi comemorada pelos executivos de Wall Street. “O par perfeito” para Biden, disseram. O que de bom poderia vir dos Estados Unidos ficou para trás: Bernie Sanders, que, aliás, também saudou a escolha de Harris. “Ela sabe o que é estar do lado da classe trabalhadora e luta pela saúde pública para todos”, publicou. “Vamos trabalhar e ganhar.”

Socialista Morena
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Uma nova forma de fazer jornalismo. Cultura, política, feminismo, direitos humanos, mídia e trabalho. Editora: Cynara Menezes