Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

04 de janeiro de 2016, 18h26

Carta Resposta ao blog Maria Frô do Secretário de comunicação do STJ, Douglas de Felice

Diferentemente dos veículos da mídia monopolizada que se recusam a aceitar a lei do Direito de Resposta, o blog Maria Frô é um defensor desta lei, não se furta, portanto, em conceder espaço para qualquer um que se sinta atingido pelos artigos aqui produzidos.

O jornalista desconhece o fato de que sou articulista do blog Maria Frô na Fórum. Faço, portanto, uma coluna de opinião, o que não me impede de  publicar o contraditório e de buscar sempre apoio nos fatos. Este blog esclarece que todos os trabalhos executados por Douglas De Felice, apontados no post – Currículo do Secretário de Comunicação do STJ pode explicar o tweet do STJ sobre José Dirceu, são reconhecidos na Carta Resposta do referido jornalista, assim como no meu post original são apresentados os respectivos links para cada um dos cargos relacionados, todos extraídos da mídia monopolizada, da produção jornalística respeitada por Douglas De Felice. Mídia esta legitimada pelo jornalista na medida em que em sua Carta Resposta ele arrola uma série de veículos onde trabalhou pertencentes a ela. 

O autor da Carta Resposta também reconhece que o tweet postado pela conta oficial do STJ, da qual ele é o Secretário da Comunicação responsável, foi completamente inadequado para um tribunal superior de Justiça.

Segue a Carta Resposta enviada por Douglas De Felice:

Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 2016

Senhor Editor-responsável do Portal Forum, de Maria “Frô”, abrigado no IG,

Um dos grandes aprendizados que tive na vida, e em minha carreira de 35 anos, é que há o bom e o mau jornalismo, dicotomia repetida em várias profissões.

O bom, o correto jornalismo praticado em nosso país, e no mundo, tem limites éticos estabelecidos por entidades representativas como ABI, FENAJ e Sindicatos, por práticas louváveis, como apuração rigorosa, espaço para o contraditório, imparcialidade e pelo pré-requisito fundamental da informação precisa. O mau jornalismo vai na contramão destes princípios democráticos.

A matéria “Currículo do Secretário de Comunicação do STJ pode explicar o twitter do STJ sobre José Dirceu” teve o cuidado de ferir todos os paradigmas básicos de nossa profissão. É inverídica, difamatória, carece de apuração, não procurou ouvir o tradicional “outro lado”, no caso a minha pessoa, e foi movida por puro preconceito. Ou achismo imperdoável!

A acusação que me é feita pela pessoa que assina a matéria, com teor fortemente opinativo, é que o twitter da conta oficial do STJ, no dia 29 de dezembro de 2015, teria tripudiado com um dos quadros do PT, demonstrando o que ela considera “parcialidade e partidarismo anti-petista”. E isso se deve ao fato de haver sido escrita, nesta rede social, a frase: “Como o recesso do Judiciário só termina em fevereiro, José Dirceu vai passar o Ano Novo atrás das grades”.

A única concordância que a matéria tem de minha parte é que a expressão utilizada na frase é imprópria à Comunicação institucional de um Tribunal. Efetivamente, o tweet foi concebido e redigido não por este jornalista que vos escreve, mas por um outro profissional altamente qualificado, imparcial e experiente, editor-chefe da área de conteúdo da Comunicação do STJ, que eu prefiro preservar o nome para não parecer que evito as responsabilidades do cargo.

O erro que ele cometeu foi tentar explicar numa linguagem comum e sucinta, própria de sua formação de rádio e TV, nos exíguos 140 caracteres que o Twitter permite, uma decisão tomada no plantão pelo Presidente deste Tribunal Superior. Economizou nas palavras e foi, no que alguns consideram, inclusive eu, infeliz na expressão, mas explícito na descrição e tradução da decisão judicial.

Devo esclarecer que, no período das festas de final de ano, entre o Natal de 2015 e o Ano Novo de 2016, eu estava em recesso, autorizado pelo Presidente da egrégia Corte, para um curto período de descanso com minha família fora de Brasília e, portanto, desconectado das atividades diárias da Comunicação do STJ. Em meu lugar, respondia uma profissional experiente que, informada da reação ao texto considerado inadequado, determinou sua retirada. Apesar de estar fora do trabalho, tomei, nas horas seguintes ao episódio, as providências que considerei adequadas para que tal erro não mais se repita.

A matéria do Forum tenta, equivocadamente, ou maldosamente, construir a tese de que este Secretário de Comunicação tem inspirações partidárias. Ou profanas… Já que menciona clientes ditos polêmicos para os quais efetivamente trabalhei em minha carreira.

Vamos aos fatos, o verdadeiro amálgama do bom jornalismo. Depois de exercer, por 20 anos, a profissão na iniciativa privada, como repórter, editor, chefe de reportagem e diretor de jornalismo em diversos órgãos da chamada grande imprensa, desde o SBT, passando pela Manchete, Radiobrás, JB, CBN e TV Globo, entre diversos outros veículos, me dediquei à assessoria de imprensa.

Especializei-me em gerenciamento de imagem, o que implica, muitas vezes, trabalhar com personagens que enfrentam crises, como foi o caso de Renan Calheiros e José Maria Marin. Chefiei a comunicação do PSDB, na gestão de Sérgio Guerra, assessorei o governador Marconi Perillo e fui convidado por uma empresa de comunicação de grande porte para colaborar na crise que o atual governador do Paraná, Beto Richa, atravessa, embora não tenha chegado a atuar. E prestei consultoria a outras instituições e personagens de diversas correntes ideológicas, inclusiva da base do atual Governo.

Portanto, daí, simplesmente, classificar este profissional aqui de “antipetista” seria um óbvio exagero. E uma mentira! Afinal, se isso é verdade – e garanto que não é – porque teria eu trabalhado, também, no primeiro governo Dilma, do PT, com o então Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, hoje na Pasta da Defesa, durante a organização da Copa das Confederações e Copa do Mundo? Ou teria assessorado parlamentares petistas, por ocasião de denúncias de aluguel irregular de veículos em seus estados?

Ou seja, se fosse tucano ou anti-petista, tais autoridades jamais teriam me contratado. E, digo mais: não seria nada inteligente de minha parte. Sabe por que? Porque para um profissional que presta consultoria em crises, seria um gesto impensado eliminar um público, ou clientes, falando do ponto de vista de mercado. Seria como um locutor famoso de futebol declarar que torce para determinado time. Perderia legiões de admiradores no mesmo instante. E pior: não teria mais credibilidade, bem tão valioso que está em jogo, na hora em que escrevo esta resposta.

O texto ainda me faz diversas acusações, com base em recortes de jornais, à época dos meus trabalhos de assessoria a alguns destes personagens. Somente esqueceram, talvez por desconhecimento, ou má fé, de averiguar que tais textos jamais tiveram fundamento ou incorreram em qualquer processo, inquérito ou denúncia por parte do Ministério Público ou qualquer órgão policial contra a minha pessoa. E sabem por que? Por serem absolutamente inverídicas.

Enfim, talvez as pessoas comuns não tenham conhecimento, mas para ser nomeado em um Tribunal Superior, ou em qualquer órgão público, é preciso ter ficha limpa. Tive de me submeter a este crivo e apresentei nove certidões negativas que comprovam minha idoneidade.

Portanto, Sra. Conceição Oliveira e Portal Forum, não me considero tendencioso, mas sim um defensor do amplo direito de defesa e da presunção da inocência, princípios da democracia e do meio jurídico que tanto prezo.

Reitero o meu profundo respeito a todos, repito todos, os jurisdicionados do STJ, independente de ideologia ou agremiação política, ao Poder Judiciário brasileiro e, principalmente, ao bom jornalismo, algo essencial para a construção de um país verdadeiramente democrático.

Senti o gosto amargo dos que são acusados sem o direito à ampla defesa. Mas continuarei trabalhando para que todos tenham voz. E que seja a voz da cidadania, lema deste Tribunal para o qual trabalho e que tanto admiro.

Atenciosamente, Jornalista Douglas De Felice.

Veja também:  Que novos Paulos de conversas afiadíssimas ocupem esse enorme vazio deixado por ele

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