Blog da Maria Frô

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12 de março de 2011, 13h20

Denúncia: preconceito religioso em Camaçari

Terreiro Lembá é vítima de intolerância religiosa

Do Portal Camaçari

O sacerdote Táta Ricardo entrou com queixa por crime de intolerância religiosa na 28ª Delegacia de Camaçari contra o líder comunitário, Arailton Rodrigo Rodrigues. Segundo o coordenador administrativo da escola Zumbi dos Palmares e presidente da Associação Beneficente Cultural e Religiosa do Terreiro de Lembá, Arailton Rodrigues, que também se apresenta como líder de uma igreja evangélica, realiza uma constante perseguição contra os adeptos do Candomblé. Arailton Rodrigues deve ser intimado pela polícia a prestar esclarecimentos nos próximos dias.

A prática de intolerância é antiga, mas se intensificou a partir de fevereiro, com a inauguração da escola Zumbi dos Palmares, localizada no Parque Real Serra Verde, estrada da Cascalheira, Camaçari. Apesar de ser uma escola construída e mantida pela prefeitura, com planejamento pedagógico igual as demais unidades do município, Arailton Rodrigues prega na comunidade que a escola é um instrumento de práticas demoníacas, segundo ele comuns na religião de matriza africana.

Durante a construção da escola, localizada numa área pertencente ao terreiro, mas totalmente separada por murros e com entrada independente, a unidade foi invadida por Arailton Rodrigues, que se identificou como fiscal da prefeitura. Até campanha para trocar o nome da escola vem sendo realizada, assegura o líder do terreiro Lembá. Táta Ricardo lembra a importância do líder negro Zumbi dos Palmares e da escola para a comunidade, como trincheira da luta contra o preconceito e discriminação.

Táta Ricardo garante com testemunhas que Arailton Rodrigo Rodrigues realiza uma campanha de discriminação contra as atividades do terreiro desde 2006. Com o acidente no Parque Real Serra Verde, na madrugada do dia 26 de junho de 2006, quando 1 caminhão tanque despetou cerca de 1.000 litros de produtos químicos na área, causando grande contaminação e problemas para moradores e ecossistema da região que o terreiro Lembá é discriminado. Mesmo dispondo de espaço para reuniões, o acusado, tido como um dos líderes do movimento pelo atendimento das vítimas do acidente nunca permitiu a realização de reuniões na área do terreiro.

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