Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

25 de fevereiro de 2012, 12h55

Editorial do Comunique-se refere-se a boxeador do Zimbábue como gorila e outros termos animalescos e PHA é o ‘racista’…

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção na cobertura do ACORDO entre Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira (não houve julgamento já que as partes entraram em acordo ainda com o processo correndo em 1ª instância) foram as manchetes dos portais dos grandes meios de comunicação que se referiam à ‘derrota’ de PHA na Justiça ‘condenado’ por ‘crime de racismo’ (lembrando que estamos falando de um processo que corria na vara cível e não criminal).

Impressionante a atenção que se deu para um acordo judicial e como  manchetes de má-fé podem transformar um acordo em condenação.

Refletindo sobre esse não cuidado jornalístico recebo do leitor Adriano Vinagre, via facebook, o editorial do Comunique-se do dia 24/02 que custei acreditar ser verdadeiro (ainda acho que é pegadinha)

Reproduzo-o, horrorizada e solicito aos leitores que façam a denúncia na Safernet: http://www.safernet.org.br/site/denunciar

o link direto para o texto que trata o boxeador Dereck Chisora com termos ofensivos é esse: http://portal.comunique-se.com.br/index.php/editorias/41-jornal-imprenca-por-japiassu/68047-nota-zero-para-a-carnavalesca-transmissao-de-boxe.html

Os grifos em vermelho destacados no texto são meus.

Sex, 24 de Fevereiro de 2012 18:52

Nota zero para a carnavalesca transmissão de boxe

Moacir Japiassu (*)

Chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
O que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar, de repente
não presta mais: jornais, retratos,
poemas, posteridade.
Minha bagagem
é a roupa do corpo.

(Fabrício Carpinejar)

Nota zero para a carnavalesca transmissão de boxe

Como era sábado de carnaval, a ESPN resolveu transmitir uma fantasiosa noitada de boxe promovida em Munique, Alemanha. Tratava-se do encontro entre um campeão mundial de verdade e um negão do Zimbábue travestido de pugilista, apresentado como “britânico”, certamente para deleite de Sua Majestade Elizabeth II; atrás das câmeras, um supositício (não confundir com supositório)  “comentarista” que conhecemos de outros carnavais, chamado Eduardo Ohata.

O folguedo durou intermináveis 12 assaltos de uma “luta” horrorosa, já amundiçada pelo gorilão, que em gestos tribais agrediu com tapa e cusparada o campeão Vitali Klitschko e o irmão deste, o também campeão Wladimir Klitschko. Não apareceu ninguém para, em contrapartida, lhe chutar a bunda, infelizmente.

Vitali Klitschko é um senhor campeão de 40 anos; lutou 44 vezes, ganhou 42; o gorilão, de 28 anos, saiu da jaula para entrar nos ringues por 18 vezes; foi surrado em três. Na acareação do sábado de carnaval, o campeão manteve uma atitude altiva e dominou aquele lixo à sua frente com a claridade que ofusca muitos, como ofuscou novamente o contumaz Eduardo Ohata.

Ohata achou maravilhosos aqueles 12 penosos assaltos, encontrou qualidades jamais observadas no gorilaço e temeu pela sorte do campeão, pois este, na opinião do “comentarista”, poderia cair de cansaço ou entrar em depressão sob os poderosos golpes do outro…

Ao final, o “comentarista” concedeu um pontinho de vantagem a Klitschko, porém achou que o empate seria mais justo. Todavia, o campeão lutava “em casa” e poderia ser favorecido pelos jurados. Estes, que conhecem boxe e não conhecem Ohata, deram vitória unânime ao ucraniano: 118 a 110, 118 a 110, e 119 a 111. Quem gosta e entende de boxe adorou.

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Veja também:  Congresso de jovens da Igreja Batista é acusado de racismo

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