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25 de outubro de 2014, 23h58

Evergton Sales Souza: Meu voto, nosso voto

Por Evergton Sales Souza*, via Facebook de  Durval Muniz

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Aprendi, desde cedo, que numa democracia o meu voto não deveria servir a mim mesmo. Ele deveria servir a um universo maior de indivíduos. Maior, por exemplo, do que a categoria à qual pertenço, a de professores universitários. Num país com tantos problemas, também não deveria pensar apenas na defesa dos meus interesses de cidadão de classe média. Meu voto, meu sagrado voto, desde sempre, foi usado em defesa dos que mais precisavam dele, razão pela qual ele não é apenas meu, mas nosso voto.

Venho de uma cidadezinha do semiárido baiano. Passei ali, em Bom Conselho, boa parte da minha infância e toda a adolescência. Sei bem o que era a seca. Vi flagelados famélicos saquearem armazéns do governo em busca de comida. Vi gente mendigando água em carros-pipa. Vi muitos amigos partirem para longe, em busca de trabalho e pão. E tantos outros, pobres lavradores sem terra, obrigados a vender seu trabalho por um prato de comida.

Há alguns anos essa realidade foi alterada. A introdução do bolsa família – sim, aquela bolsa tão duramente criticada pela oposição ao governo Lula – cumpriu um papel fundamental nesta mudança. Há dois anos atrás, o Nordeste da Bahia e boa parte de Sergipe passaram por uma seca terrível. Meu pai, que continua a morar em Bom Conselho, sempre me dava notícias sobre a dureza do tempo, a mortandade do gado, os inevitáveis prejuízos de agricultores e pecuaristas. Mas fazia uma ressalva que podia ser constatada por qualquer um: não havia gente passando fome, não havia êxodo, não havia flagelados! Não faltava água para as pessoas. Fora do tempo de seca, também mudou a vida do lavrador que, dotado de uma renda mínima, não precisa mais se dobrar aos imperativos do estômago e vender sua jornada por um valor abaixo do que seria minimamente justo.

Meu voto, nosso voto, deverá servir a eles, mas também a muitos outros. Aos beneficiários das políticas de cotas, das políticas de expansão do ensino técnico e do ensino universitário. Àqueles que ainda precisam realizar o sonho de ter a sua própria casa. A todos os que desejam e devem ter uma vida melhor. A todos os que almejam um Brasil mais justo.

É voto de quem, como tantos dentre nós, trilhou um longo e improvável caminho até conquistar um lugar ao sol. De quem viveu as dificuldades de uma família pobre para conseguir dar uma formação universitária aos filhos numa capital a 300 km de distância de sua cidade. Mas que não se engana sobre o quanto as políticas de Estado – ensino gratuito, bolsas de estudo etc. – foram importantes para que o sonho virasse realidade.

Meu voto, nosso voto, é o de quem se importa com o outro, de quem compartilha e de quem é solidário. É voto de quem conserva a esperança e convicção de que a política é o lugar do debate e da transformação. Lugar, também, de respeito às opiniões divergentes e de pleno exercício da arte do argumento e do convencimento. Também é voto de quem luta por democracia e pluralidade nos meios de comunicação! De quem apoia e cobra a implementação de políticas inclusivas e de afirmação dos direitos das minorias. De quem não compactua com erros e desvios.
Meu voto, nosso voto, é de quem ama e protesta!

Votamos em Dilma!

*Evergton Sales Souza é Historiador (UFBA) e Pesquisador do CNPq

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